Os “colloridos” estão de volta

 

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Nelson Marchezan Júnior deve ganhar as eleições para prefeito de Porto Alegre, não porque é melhor que o Sebastião Melo – os dois, para usar uma expressão bastante nova são vinhos da mesma cepa – (tem outra ainda mais nova, farinha do mesmo saco), mas porque a sua embalagem é mais nova e atraente.

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A linguagem é essa mesma, do marketing e não da política. Há uma nova geração de políticos (tem aquele prefeito de Pelotas,Eduardo Leite nessa linha), bem educados, assépticos, bonitinhos, lavados e passados na hora, que agrada o eleitor (e principalmente a eleitora) alienada politicamente.

As donas de casa sonham em ter um cara desses como filho ou como marido de suas filhas. Eles dizem que são politicamente corretos (aliás, detestam falar em política) e se preocupam acima de tudo com as questões administrativas, como se elas pudessem se desvincular da política.

Aí você vai ver por qual partido concorrem e aparece o PSDB, onde está reunida a nata do neoliberalismo brasileiro.

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Começa com o João Dória, em São Paulo segue com o Marchezan, e com o prefeito de Pelotas, que fez a sucessora, também uma jovem senhora do PSDB, Paula Mascarenhas.

 

É a escola criada pelo Fernando Collor. O PSDB adora esses caras. Quando o Collor se elegeu, o FHC ia ser o seu ministro do Exterior. Só não foi porque o Mário Covas, que foi candidato derrotado à Presidência, ameaçou sair do partido.

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Por isso, em protesto, dia 30, voto nulo.

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E, para não esquecer, Fora Temer

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Morrer, é feio na sociedade capitalista

Na visão primária das pessoas mal informadas, os comunistas são frios e materialistas e os que se opõem a eles, são os defensores de valores humanistas.

Totalmente errado.

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O materialismo dialético proposto por Karl Marx se fundamenta nos valores que nos identificam como seres humanos, na medida em que desloca das divindades para o homem, as responsabilidades morais sobre todas as suas decisões que toma em vida.

 

 

Embora durante muito tempo o capitalismo liberal do ocidente, com a sua versão pasteurizada da democracia, tenha se posicionado como o oposto de um presumido interesse puramente materialista advindo das ideais marxistas, é ele que cada vez mais assume este caráter mercantilista.

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A evolução do capital para o modelo atual, onde até mesmo o dinheiro como um símbolo real do poder, está sendo substituído por impulsos eletrônicos contabilizado em nuvens imateriais, desumanizou totalmente um modelo econômico, que nos seus primórdios teve uma função revolucionária.

O resultado prático disso é que os seres humanos estão cada vez mais isolados uns dos outros e antigos hábitos e costumes que costumavam reunir as pessoas para comemorações ou para lamentações, estão cada vez mais distantes.

Veja-se, por exemplo a relação com a morte.

Ela, na sociedade capitalista é desagradável e feia e deve ser esquecida o máximo possível porque fere a imagem de eficiência e beleza que deve ser objetivo final da vida de todos os homens.

Como ela é inevitável, deve se tornar asséptica, limpa, despida de grandes emoções.

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Não se morre mais em casa.

Para os velórios se criaram lugares bem iluminados, arejados, servidos com as gentilezas de consumo, para que as horas passem mais depressa e os mortos desapareçam de vez.

De preferência incinerados, para não deixar nenhuma marca ou no máximo, enterrados em cemitérios-parques que mais parecem jardins floridos.

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Os velhos velórios que duravam uma madrugada inteira, na casa onde o morto vivera, identificadas nos convites de enterro como “a casa mortuária”, parece que impregnavam as paredes com suas lembranças por muito tempo.

Vivos e mortos, independentemente de suas crenças, tinham uma relação que não terminava no momento da morte.

Lembro que minha mãe falava do meu pai, muitos anos depois de sua morte, como se ele ainda estivesse vivo.

De alguma forma, ele continuava vivo, pelo menos para ela.

O sistema capitalista com a sua preocupação em tornar logo obsoletas as coisas, para substitui-las por outras, gostaria de fazer o mesmo com os seres humanos.

Envelheceu, morreu, troca por outro, mais novo.

O modelo, são as novelas de televisão, onde os personagens não morrem. Eles desaparecem para voltar em outros papeis na próxima novela.

As únicas mortes aceitas são as das grandes figuras públicas, exatamente porque perderam suas individualidades. São símbolos que precisam ser pranteados.

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Para a sociedade do espetáculo em que vivemos, a morte de um grande personagem, principalmente aquele que foi ligado às artes, funciona como uma catarse para a população.

Ao morrer, ele se torna igual aos seus admiradores ou detratores, fazendo com que a admiração ou inveja, sentidas antes, se transformem em solidariedade.

Talvez mais espanto, do que solidariedade, por se dar conta que ele era mais uma imagem (que é eterna) do que algo real (que é perecível).

Enfim, matamos eufemisticamente nosso pai e agora podemos viver em paz, até que um novo ídolo seja criado para ser colocado no lugar do grande morto.

O capitalismo, com sua preocupação absoluta com a utilidade que cada coisa tem e com seu desprezo total pelos valores humanos, é a forma acabada do materialismo que diz combater politicamente.

É o materialismo da pior espécie, o que só pensa no lucro e no dinheiro, totalmente oposto daquele pregado por Marx.

 

Antes de votar, leia o Saramago

 

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Em 1998, José Saramago (1922/2010) se tornou o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, pelo conjunto de seus romances (Memorial do Convento, A Jangada de Pedra, O Evangelho Segundo Cristo e Todos os Nomes, entre outros), mas principalmente pelo impacto literário e também político de sua obra prima, Ensaio Sobre a Cegueira, publicada em 1995.

Nesse livro, Saramago, que nunca escondeu sua condição de comunista, conta a história de uma cidade onde todos, subitamente, vão se tornando cegos, (apenas uma mulher é poupada dessa epidemia branca), e que, pouco a pouco, deixa de lado o modo relativamente civilizado que até existia nas relações entre seus moradores, para mergulhar na mais completa selvageria, numa óbvia alegoria sobre a vida numa sociedade capitalista.

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Sobre o livro, o próprio Saramago disse: “Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”

Em 2004, Saramago voltou ao tema da cegueira, agora de outro tipo, a cegueira política, com o livro Ensaios de Lucidez, inclusive introduzindo na história a principal personagem do seu romance Ensaio Sobre a Cegueira ( em 2008, o brasileiro Fernando Meireles, dirigiu Julianne Moore, Mark Rufallo e Alice Braga na versão cinematográfica do livro) a mulher que não perdeu a visão.ensaio-sobre-a-cegueira03

 

O tema é extremamente pertinente para a época eleitoral que vivemos hoje em Porto Alegre, onde uma grande campanha se desenvolve em favor da anulação dos votos, dada a semelhança dos projetos dos dois candidatos, totalmente opostos aos interesses da maioria da população.

Em seu livro, Saramago conta a história de uma cidade, a mesma em que ocorrera o surto de cegueira, onde agora, os eleitores se recusam também a optar entre propostas políticas absolutamente iguais e anti populares.

No dia das eleições, um domingo de muita chuva, as secções eleitorais permanecem praticamente vazias durante a parte da manhã, causando enormes preocupações para as autoridades, pela possibilidade de que ocorra um número muito grande de abstenções.

No período da tarde, porém se formam grandes filas diante das mesas eleitorais, o que tranquiliza as autoridades.

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A surpresa virá quando as urnas são abertas e mais de 80% dos votos são em branco. O governo, ameaçado em seu poder, decreta o estado de sítio e desencadeia uma enorme operação policial para tentar descobrir quem estimulou o processo e acaba incriminando a mulher que foi poupada da cegueira.

Nesse livro, Saramago retoma a sua denúncia sobre os limites da democracia numa sociedade capitalista, onde os direitos das pessoas só são respeitados quando não afetam os interessantes da classe dominante.

Quem ler o livro nos dias de hoje, não poderá deixar de perceber que, muito dessa fábula política criada por Saramago, parece se repetir no Brasil atual, onde a vontade da maioria das pessoas que elegeu democraticamente Dilma Rousseff, Presidente, em 2014 é desrespeitada pelo conluio de poderosos que comandam o parlamento, o judiciário e a mídia.saramago_ensaio_lucidez_marketing_leya

 

 

 

 

A farsa da torcida mista

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Domingo tem Grenal e vai se repetir mais uma vez a farsa da torcida mista, gremistas e colorados dividindo o mesmo espaço.

A televisão vai mostrar várias vezes, durante o jogo, os torcedores lado a lado com suas bandeiras com significados opostos.

Cronistas esportivos vão saudar em uníssono o evento como se fosse uma prova de civilidade, quando é mais um gesto a demonstrar o grau de alienação a que chegaram as pessoas, induzidas por uma mídia que se diz neutra em suas preferências clubísticas.

Sou contra.

Radicalmente contra, porque isso significa o esforço de alguns em acabar com o que levou Internacional e grêmio a alcançar a importância que hoje têm no cenário nacional, a rivalidade sempre presente em todas suas ações.

Antes que alguém me acuse de estimular algum tipo de agressividade entre as torcidas, quero deixar bem claro que sou totalmente contra qualquer tipo violência, nos estádios e fora deles e inclusive, discordo da existência das tais torcidas organizadas onde práticas violentas são comuns.

Na hora do jogo, a torcida do Inter deve ficar de um lado e a do grêmio de outro. No final, quem quiser, pode se encontrar civilizadamente para comemorar a vitória ou lamentar a derrota.

No campo, somos adversários e adversários não confraternizam enquanto a disputa não terminar.

Esse esforço de esmaecer a rivalidade entre lados opostos é comportamento típico da mentalidade alienada da classe média, que sonha com um mundo sem ideologia e sem confrontos.

Só que a realidade não é essa.

O mundo é dividido em classes sociais com interesses opostos. O futebol, em times com torcidas com cores diferentes e ambições que se opõem.

O sonho dos politicamente corretos é fingir que essas diferenças não existem, o que no final, na política, só serve para os interesses dos que eventualmente estejam no poder e no futebol, para tirar o brilho das competições.

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Minha vontade é que no domingo, os torcedores de vermelho de um lado, gritem “Vamo, Vamo, Inter” e os de azul, do outro lado, lamentem a derrota, mas que no final, na saída do estádio, possam gritar a uma só voz “Fora Temer”, nunca esquecendo que no segundo turno das eleições municipais, todos juntos, devem votar nulo.

Ou melhor, votar em Ninguém.20161017-votonulo

 

Mais violência contra os pobres

 

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Em vez de melhorar seus serviços, os novos dirigentes do INSS criaram uma “força tarefa” para revisar os benefícios, quase todos concedidos em medidas judicais, por incapacidade física dos segurados, para o trabalho.

Por trás de uma medida aparentemente moralizadora, está uma violência contra uma gente humilde, mal informada e convocada com prazos exíguos para comparecer a uma nova perícia.

Segundo as notícias, mais de 8 mil benefícios de cerca de 10 mil avaliados, foram anulados,gerando uma economia de 139 milhões de reais. Possivelmente, Temer e sua comitiva na Europa estão gastando muito mais do que isso. Quem assegura que as revisões, agora feitas, são mais corretas do que os exames que justificaram os benefícios?

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Mesmo que haja pessoas lesando a Previdência (e certamente há) se justifica criar tantas dificuldades para um grupo social já marcado pela pobreza e falta de oportunidades na vida, obrigado agora aprestar contas à uma burocracia insensível e perversa com os mais fracos socialmente?

 

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A colunista Rosane Oliveira usa hoje seu espaço em Zero Hora para dar uma lição de moral naqueles que se apossam de algumas migalhas do INSS com licenças médicas pouco confiáveis. Seria interessante que ela usasse a mesma veemência para criticar os patrões que sonegam, aí sim em milhões de reais à Previdência Social, ao não pagarem as contribuições devidas. 

Votando em Ninguém

 

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Embora periodicamente se acuse a esquerda de não agir de acordo com as normas democráticas, a história mostra que foi sempre a direita que recorreu a métodos de violência quando seus interesses são ameaçados.

Mais do que isso, os agrupamentos que representam a direita (a professora Céli Pinto, citando Norberto Bobbio em recente artigo para o Sul 21, mostra como essa segmentação entre esquerda e direita é quase sempre visível nas disputas eleitorais) tendem a radicalizar suas posições, chegando quase às práticas fascistas, quando os métodos tradicionais são insuficientes para impor sua vontade.

No caso do segundo turno das eleições municipais de Porto Alegre, esse processo pôde ser visualizado, primeiro, na agressividade dos discursos dos dois candidatos que representam a direita e depois nos acontecimentos policiais que envolveram os representantes do PSDB e PMDB.

Embora representem os dois partidos que se uniram no processo golpista que levou ao impeachment da Presidenta Dilma, eles são integrados como grupos com interesses diversos na disputa do botim que representa o comando de instituições públicas, da Prefeitura de Porto Alegre à Presidência da República.

A História está cheia de exemplos de como defensores da mesma causa, acabam entrando em conflito, quase sempre resolvidos pela violência.

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No advento do nazismo na Alemanha, alguns dos seus principais artífices como Ernest Rohn, o criador da S.A., grupo paramilitar que apoiou Hitler no início da sua ascensão política e Gregor Strasser, teórico do nazismo, foram eliminados fisicamente, durante o processo de chegada de Hitler ao poder, para agradar aos generais da Wehrmacht.

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Stalin, depois de levar a morte antigos aliados como Kamenev e Zinoviev, não descansou enquanto não conseguiu eliminar Trotsky, no seu exílio no México.

No golpe de 64, os generais vencedores   – Castelo Branco e Costa e Silva  -cassaram os mandatos e suspenderam os direitos políticos de dois dos principais líderes do movimento,  Adhemar de Barros e Carlos Lacerda, respectivamente governadores de  São Paulo e da Guanabara.carlos_lacerdaademar-de-barros

 

 

 

Recentemente, o deputado Eduardo Cunha, usado para iniciar o movimento golpista que levou Temer à Presidência, foi abandonado pelos seus aliados e entregue aos inquisidores de Curitiba.

Em todos esses casos, não havia divergências de princípios, mas sim interesses pessoais ou de grupos, contrariados.

Os acontecimentos políticos têm uma dinâmica própria e não devem ser analisados sempre da mesma forma.

É tarefa dos pensadores que se filiam a uma visão histórica de defesa dos interesses do povo, propor sempre uma estratégia de luta adequada ao momento em que os fatos estão ocorrendo.

Anular o seu voto – o que no passado poderia representar uma descrença nesse importante instrumento democrático – hoje é a forma mais autêntica de manifestar o repúdio ao golpismo instalado no país e aos seus defensores, principalmente os veículos da grande mídia.

Em Porto Alegre, onde a RBS se engajou numa ampla campanha midiática em defesa do voto útil em favor de qualquer um dos candidatos que chegaram ao segundo turno, votar nulo será a melhor resposta que a parte mais lúcida do eleitorado poderá dar a esta pretendida lavagem cerebral.

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Como disse a Professora Céli Pinto,”o voto nulo é uma opção democrática. Cada eleitor pode votar em quem quiser, segundo suas posições políticas ideológicas, seus interesses corporativos, suas simpatias pessoais. Os candidatos podem e devem lutar contra o voto nulo, este é o papel deles. O que não pode acontecer é a desqualificação mal intencionada ou mal informada do voto nulo”

Portanto, democraticamente, no dia 30 de outubro, vamos anular nosso voto, votando em Ninguém.

Contra Moro

Finalmente, surgiu alguém disposto a enfrentar o juiz Sérgio Moro. O físico Rogério Cezar Cerqueira Leite (professor emérito em Física na Unicamp e doutor em Física pela Universidade de Paris) escreveu na Folha de São Paulo, um artigo comparando o juiz paranaense ao frade dominicano Girolano Savonarola (1452/1498), um asceta, puritano e moralista, que se dizia profeta em Florença e combateu a corrupção que ele via no Papado.download

Disse Cerqueira Leite no seu artigo: “A corrupção é quase que apenas um pretexto. Moro não percebe, em seu esquema fanático, que a sua justiça não é muito mais que intolerância moralista. E que por isso mesmo não tem como sobreviver, pois seus apoiadores do DEM e do PSDB não o tolerarão após a neutralização da ameaça que representa o PT.
Savonarola, após ter abalado o poder dos Médici em Florença, é atraído ardilosamente a Roma pelo Papa Alexandre 6º, o Borgia, corrupto e libertino, que se beneficiara com o enfraquecimento da ameaçadora Florença.
Em Roma, Savonarola foi queimado. Cuidado Moro, o destino dos moralistas e fanáticos é a fogueira. Só vai vosmecê sobreviver enquanto Lula e o PT estiverem vivos e atuantes.

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Em sua resposta, Moro afirmou que “sem qualquer base empírica, o autor desfila estereótipos e rancor contra os trabalhos judiciais na assim denominada Operação Lava Jato, realizando equiparações inapropriadas com fanático religioso e chegando a sugerir atos de violência contra o ora magistrado”
E terminou sugerindo uma censura para este tipo de publicação: “Embora críticas a qualquer autoridade pública sejam bem-vindas e ainda que seja importante manter um ambiente pluralista”, o jornal deveria evitar “a publicação de opiniões panfletárias-partidárias e que veiculam somente preconceito e rancor, sem qualquer base factual”.

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Cerqueira replicou:
“Acusa-me o juiz de promover atos de violência. O fogo a que me refiro é o fogo da história. Intelectos condicionados por princípios de intolerância não percebem a diferença entre metáforas e ações concretas. O juiz ainda se esquiva de responder à principal acusação que lhe faço, a de que é absolutamente parcial e está a serviço das classes dominantes.

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Nos espaços que dispõe em alguns dos principais jornais brasileiros, o jornalista Elio Gaspari, comentou a polêmica.
“Moro se queixa de que a comparação com Savonarola não teve ‘base empírica’. O que isso quer dizer, não se sabe. O artigo de Cerqueira Leite foi mais uma opinião no grande debate aberto pela Operação Lava Jato. A contrariedade de Moro produziu uma surpresa: há algo de Savonarola no seu sistema”.

É preciso radicalizar o debate nas esquerdas

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A esquerda quer negar tudo que aí está.

A esquerda quer sempre destruir.

Verdades.

Para construir o novo, é preciso destruir primeiro o velho.

É uma questão dialética.

O novo é a negação do velho.

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Segundo Marx, “Em nenhuma esfera pode ocorrer um desenvolvimento que não negue suas formas anteriores de existência

 

O velho, no Brasil, é este sistema político baseado na dominação de um capitalismo atrasado, que só sobrevive com os subsídios do estado e com a sonegação sistemática de impostos.

O velho é a hipocrisia da sua classe dominante, que defende o estado mínimo e a democracia, mas usa seu poder para transformar o estado em patrocinador dos seus interesses materiais e violenta os princípios democráticos quando julga que eles não servem inteiramente aos seus propósitos.

O novo, no Brasil, que seria o pensamento de esquerda, é apenas reformista e não revolucionário.

 

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O principal partido de esquerda no Brasil a partir da saída dos militares do poder, o PT, só se tornou hegemônico porque nunca percebeu que deveria se engajar na luta de classes como objetivo político.

Ou melhor, nunca quis fazer isso.

Seu guru, Lula, sempre defendeu, como estratégia política, a reforma do capitalismo e não sua extinção.

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O que sempre pretendeu foi um capitalismo “mais humano” nos moldes dos estados do bem-estar social, mesmo quando esse modelo há muito vinha “fazendo água” nos países onde ele teve, no passado, alguma relevância.

Os grupos de formação marxista, dentro do PT, sempre foram minoritários e apenas serviam para justificar o partido diante do segmento intelectual da classe média, que perdera a referência do comunismo.

É preciso retomar urgentemente a ideia de radicalizar as posições de esquerda em favor da verdadeira democracia, para que o jogo político não continue sendo feito dentro dos limites propostos pelo neoliberalismo.

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Embora as propostas revolucionárias de Lenin tenham se perdido no tempo, nunca demais é lembrar o seu ensinamento de que “só na sociedade comunista, quando a resistência dos capitalistas estiver quebrada, quando os capitalistas tiverem desaparecido como classe social, quando não houver mais distinções entre os membros da sociedade em relação à produção, só então é que o Estado deixará de existir e se poderá falar de liberdade. Só então se tornará possível e será realizada uma democracia verdadeiramente completa e cuja regra não sofrerá exceção alguma”.

Uma utopia?

Claro.

Mas é só exigindo o máximo, que se poderá avançar nas conquistas populares.

Como disse Lenin:

“É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonho, acredite neles”.

Quando fui feliz

 

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Acho que naquele ano de 1960, eu fui feliz. Tinha 20 anos e trabalhava na redação de Última Hora, que depois, com o golpe de 64 foi fechada e o que sobrou, virou Zero Hora.

 

 

Porto Alegre era ainda uma cidade provinciana e razoavelmente tranquila. Eu chegava de bonde no centro e caminhava pela Rua da Praia até a redação do jornal, que ficava na 7 de Setembro, em cima do cinema Rex, a uma quadra da Praça da Alfândega.

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Podia dizer em casa,ou no Curso de História em que recém tinha entrado, que era colega de caras já famosos ou que ficariam famosos, como Sérgio Jockimann, o Flávio Tavares , o Ibsen Pinheiro e o Sérgio Goldani.

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O Sérgio era o principal nome do jornal. Tinha um texto cheio de ironias, mais ou menos como é hoje o Luís Fernando Veríssimo. Escrevia também com sucesso para o teatro e chegou depois a deputado estadual.

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O Ibsen era copidesque. Entrou para a política e chegou a Presidente da Câmara de Deputados.

 

 

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O Flávio, que conheci na política estudantil do Julinho e depois, como Chefe de Reportagem da Última Hora,foi torturado pelas ditaduras do Brasil, Uruguai e Argentina e é ainda hoje um dos mais importantes jornalistas brasileiros.

 

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O Goldani, dividia seu tempo entre o jornalismo e os estudos de Química na Universidade e hoje é um psicanalista respeitado.

 

 

Quando terminava meu trabalho na Ultima Hora, primeiro auxiliando o Macedo na sessão Fala o Povo e mais tarde como repórter da Geral, atravessava a Praça da Alfândega e ia no Matheus comer um bauru com uma taça de café com leite.

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Depois tinham as conversas da Rua da Praia ou a sessão das 9,30 num cinema do centro, que podia ser o Rex, Cacique, Guarani, Imperial, Central (a casa dos dramalhões mexicanos) Ópera, Vitória (ex-Vera Cruz), Continente e já um pouco fora do centro, o Carlos Gomes (reduto dos faroestes). Na 7, havia ainda um cinema de bolso, o Palermo, com filmes clássicos “rigorosamente proibidos” até os 18 anos.

O difícil era encontrar uma mulher que quisesse “dar” para gente sem promessa de casamento.

Tinham as putas do Maipu, da Emília ou da Dorinha, mas essas detestavam qualquer romance e já eram defensoras do mercado livre e do estado mínimo, enquanto nós sonhávamos com um grande amor e com a revolução socialista que estava chegando.

De Churchill a AlainBandiou, passando por Dylan e Guevara

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O Prêmio Nobel de Literatura para Bob Dylan recoloca na ordem do dia a discussão sobre a capacidade do capitalismo de transformar em mercadoria de consumo até mesmo o que políticos e artistas fizeram, disseram ou escreveram contra ele.

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O caso mais emblemático de todos deve ser o de Che Guevara que dedicou sua vida à luta contra o sistema capitalista e tem hoje sua imagem sendo usado em estampas de camisetas produzidas industrialmente.

A chamada democracia liberal, sob a qual vive hoje praticamente todo o mundo ocidental, na sua ânsia sem limites de desenvolvimento, destruiu antigas formas de relacionamento entre as pessoas, dessacralizou valores e estabeleceu como único objetivo o lucro.

 

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Winston Churchill, eleito em 2002 pelo BBC o maior britânico de todos os tempos, condutor da sangrenta política de dominação colonialista britânica na África do Sul e que, em 1953, coincidentemente, também ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, fez uma frase que até hoje é saudada como a melhor definição de democracia: “ A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.

As crises constantes em que vive hoje esse sistema, saudado como Churchill como o melhor possível, faz com que uma série de políticos e pensadores retomem a discussão de como avançar para uma outra realidade política e social.

O filósofo francês Alain Badiou é um dos que mais avançaram nessa crítica. Ele afirma que a democracia é uma ilusão e que o capitalismo liberal não é um bem da humanidade de forma alguma. Muito pelo contrário, é o veículo do niilismo selvagem, destrutivo.

A alternativa que propõe é a volta ao comunismo sob a forma da ideia comunista.

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“A ideia comunista é a ideia da emancipação de toda a humanidade, é a ideia do internacionalismo, de uma organização econômica mobilizando diretamente os produtores e não as potências exteriores; é a ideia da igualdade entre os distintos componentes da humanidade, do fim do racismo e da segregação e também é a ideia do fim das fronteiras e do mercado”

Para os que o criticam, dizendo que esta não deve ser a posição de um filósofo, ele responde: “Não vejo porque o intelectual deveria ser apenas um observador. Tem que ser um ator, um militante da verdade, um combatente. A ideologia de espectador, que se encontra na filosofia política de Hannah Arendt, é muito discutível. Não somos testemunhas do mundo. Temos que incorporar ao futuro, com frequência paradoxal e violento, as verdades, sejam elas políticas, artísticas amorosas ou científicas.