Podemos acreditar na História?

Os episódios dessa semana com divulgação pelo site Intercept dos arquivos que revelaram os acordos espúrios, dentro da Lava Jato, entre o juiz Sérgio Moro e os procuradores chefiados por Delton Dallagnol, para retirar Lula da disputa presidencial de 2018 e favorecer a candidatura Bolsonaro, trazem à baila novamente as discussões sobre a verdade na história.

É lugar comum dizer que a história é sempre contada pelos vencedores. Trata-se de uma meia-verdade. Essa é a história oficial. Existem para os fatos passados mais de uma interpretação. Eles não são como fenômenos físicos que possam ser repetidos para serem compreendidos em suas totalidades. Isso não significa ter uma visão relativa sobre eles, mas sim uma visão ideológica. Marx disse que a história da humanidade é a história das lutas de classe.

Essa duplicidade de visão existe em todos os episódios que hoje são  passados, mas que ainda são passíveis de interpretações diferentes e até mesmo opostas.como as grandes revoluções– a Francesa, a Russa, a Chinesa ou a Cubana – ou personagens históricos, Robespierre, Lenin, Mao ou Fidel, ou no caso do Brasil, Getúlio, Prestes, Brizola ou Lula.

Os fatos em si são acontecimentos objetivos: houve uma revolução na Rússia em 1917 (embora até isso possa ser discutido – não teria sido apenas um golpe de estado?) e Lula foi eleito duas vezes presidente do Brasil.

Mas isso, rigorosamente, não é História (com o “H” maiúsculo), mas uma narrativa linear da história, que normalmente não é objeto de dúvidas –  Luís Inácio Lula da Silva nasceu em 27/10/1945 e foi Presidente do Brasil entre 2003 e 2011.

Agora, os episódios envolvendo seus dois governos e o da  sua sucessora – Dilma Rousseff –  o Mensalão e o Lava Jato, são passíveis de interpretações diferentes.

O que exponho a seguir será uma tentativa de enxergar o que aconteceu, dentro da visão marxista de que foram ações decorrentes de todo um processo mais complexo de lutas de classe.

O Mensalão, em primeiro lugar, e depois o Lava Jato, foram fundamentalmente ações políticas destinadas a destruir, ou ao menos diminuir o poder do PT como agente participante das decisões econômicas e sociais que afetam a sociedade brasileira.

Desde que se tornou uma alternativa política possível para dirigir o Brasil, o PT passou a ser olhado como um inimigo das oligarquias nacionais e de seus aliados no exterior, fundamentalmente o imperialismo americano.

A habilidade política de Lula nos seus dois governos, aliada às concessões que  fez às elites brasileiras ( empreiteiras, bancos, grande mídia) e ao imperialismo americano (tropas brasileiras no Haiti,por exemplo) fez com que ele se tornasse aceitável, momentaneamente,  pelo establishment   nacional e internacional.

Para os Estados Unidos, os arroubos nacionalistas de Lula poderiam ser tolerados, até para impedir que no seu lugar surgissem mais um Chavez, um Evo Morales ou até mesmo um Rafael Correa, na América do Sul.

Internamente, o grande empresariado brasileiro e os bancos se deram conta que podam enxergar na melhoria das condições de vida dos mais pobres um aumento no número de consumidores, o que passava a ser algo interessante para eles.

Mas, uma nova crise cíclica no mundo do capital fez com que a falácia, que Lula e setores do PT defendiam, de que era possível uma conciliação de classes, desaparecesse. E isso vai acontecer quando o governo estava nas mãos da Presidente Dilma , sem o mesmo carisma de Lula e sem sua capacidade de negociação.

Uma primeira tentativa de desconstruir os governos do PT surgiu com o Mensalão, mas foi possível ao PT contornar a crise com o sacrifício de alguns dos seus líderes, como o mais importante deles, José Dirceu ( vão-se os anéis,mas ficam os dedos) e ganhar mais duas eleições.

Mas a semente estava plantada. O método testado, as denúncias de corrupção, funcionava e logo ele seria retomado com a operação Lava Jato.

Como todos os partidos que chegaram ao poder em alianças de puro interesse fisiológico e bancados com o dinheiro do grande empresariado, o PT teria que pagar a conta.

A Petrobrás, com seus grandes negócios nacionais e internacionais, foi o campo fértil para que políticos de todos os partidos governistas (PT, MDB, PTB, PDT e PP) se locupletassem com as clássicas propinas, presentes sempre em todas as licitações, como já ocorrera em outros governos passados, inclusive, ou principalmente no regime militar, quando a censura à imprensa garantia a privacidade dos negócios.

Conscientes ou não do fato, o certo é que ao desfecharem a operação Lava Jato e prender Lula por corrupção, mesmo sem apresentar qualquer prova razoável, Moro e Dallagnol, mais do que impedir o PT de chegar ao governo, serviram diretamente aos interesses americanos ao destruir a Petrobrás e impedir que a exploração do pré-sal pela estatal brasileira significasse a redenção econômica do País.

A eleição do Bolsonaro parece ter sido apenas um efeito colateral do processo iniciado pela Lava Jato, mas foi se tornando interessante para os americanos, na medida em que o novo presidente se tornou um exacerbado entreguista, capaz de surpreender  o próprio Trump.

Agora, as denúncias públicas do Intercept colocaram  Bolsonaro numa encruzilhada: ou aproveita a chance e se livra de alguém que, desde que assumiu como Ministro, trabalha para tentar sucedê-lo em 2022 ou se solidariza com ele e assume o risco de um possível impeachment logo adiante.

 

Vai no gás

De profundo mau gosto a campanha publicitária da Coca “Vai no gás”. Será que seus marqueteiros esqueceram que os nazistas costumavam ordenar aos prisioneiros dos campos de extermínio “vai pro gás”, no caso o Zyklon B. Não deveriam, porque a Coca Cola era bebida não alcoólica favorita dos alemães, até 1941, quando os Estados Unidos entraram na guerra e o xarope não pôde mais chegar ás mais de 50 fábricas que a Coca havia implantado na Alemanha, entre 1935 e 1941. Foi então que os alemães, usando frutas nativas (inicialmente a maça) criaram o refrigerante Fanta (fantasie)

Sejamos radicais

Precisamos ser radicais.

Radicais em tudo que seja importante para nós.

Radicais na política, radicais no futebol, radicais do amor.

Jamais fazer concessões em nome de alguma coisa, por mais importante que ela seja.

Defender até o fim aquilo em acreditamos, ou até o momento, em que alguém, usando argumentos racionais, nos convença de que estamos errados.

Ser radical não é o mesmo de ser intolerante.

As pessoas têm todo o direito de pensar diferente e podemos conviver com elas tranquilamente, desde que aquilo em que elas acreditam não signifique a nossa morte ou a destruição de uma ideia que nos é muito cara.

Um exemplo: é impossível conviver com fascistas.

Outro exemplo: conviver com pessoas que usem a violência para se impor.

Mais um: conviver com pessoas ignorantes que se orgulham de ser ignorantes.

Mas, por que ser radical?

Vamos pensar, na política, onde alguns vêem no radicalismo um comportamento inadequado. Começamos fazendo uma comparação com uma lei da ciência, a lei universal da gravitação de Newton que diz: “Matéria atrai matéria, na razão direta do produto das massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas”

Essa definição é profundamente radical, o que não impediria que outro cientista formulasse uma definição (o que nos parece hoje impossível) em sentido contrário.

Eu digo que o socialismo (e mais adiante o comunismo) é a forma mais humana e justa da organização de uma sociedade.

Logicamente, eu não posso ter nessa área de conhecimento as mesmas provas das ciências exatas, mas se eu acredito na minha tese, devo defendê-la sem concessões.

Historiadores, sociólogos e devem ser a maioria, podem pensar de forma diferente. O nipo-americano Francis Fukuyama, por exemplo, diz que a História terminou com o modelo capitalista parlamentarista ocidental.

Eu, modestamente, e outros muito mais sábios e menos modestos, como Istvan Meszaros, Alain Badiou e Slavoj Zizek, dizemos  que não, que a História continua e que o futuro é o socialismo ou a barbárie.

Mas, por que não misturar Fukuyama com Meszaros?

Por que um anula ao outro.

Prosaicamente, comparando com o futebol: posso ser torcedor do Internacional e do grêmio ao mesmo tempo?

Todos, que tenham alguma ideia da rivalidade entre os dois clubes, sabem que isso é impossível.

Então, já que o assunto que nos diz mais respeito é política, sejamos radicalmente socialistas, sonhando que um dia possamos todos ser comunistas.

 

 

 

A última utopia.

 

Em mais uma arrumação buscando achar lugar para os livros que não paro de comprar, encontrei uma brochura editada pelo Instituto Estadual do Livro em 1991, durante o governo de Alceu Collares, denominado Nós e a Legalidade – Depoimentos. Entre nomes de políticos (Aldo Pinto, Geraldo Stedile, Índio Vargas e Mila Cauduro) e de intelectuais importantes, como Moacyr Scliar e Alcy Cheuiche, estava  também o meu depoimento  com o título de A Última Utopia. Normalmente, algo que você escreveu há 30 anos sobre um evento histórico, envelhece e perde a importância que pode ter tido na época. Não foi o que me pareceu e por isso me atrevo a reproduzi-lo aqui  pensando nas pessoas que não viveram aqueles dias

A perspectiva do tempo torna os fatos históricos mais claros. Olhando para trás, muitos anos depois, você sabe quem eram os heróis, quem eram os vilões.  As sutilezas se apagam e fica mais fácil distinguir o certo do errado, o progressista do reacionário. O difícil é fazer essa distinção na hora em que os fatos estão acontecendo. Algumas vezes, porém, isso ocorre.

O chamado Movimento pela Legalidade talvez tenha sido um dos últimos grandes acontecimentos da História do Brasil onde a complexidade dos interesses em jogo não impediu que as pessoas percebessem a essência dos fatos

Aquele agosto de 1961 começara tranqüilo e terminara em meio a uma grande crise, justificando a tradição de ser um mês aziago para a política brasileira.

Jânio renunciara; Jango estava na China; a cúpula militar tramava o golpe que não conseguira completar em 54, com a morte de Getúlio. Tudo se resolveria no conforto dos gabinetes e o povo seria informado depois das decisões.

Este quadro confortável acabou se desestabilizando pela ação do Governador Brizola, do Rio Grande do Sul, que inseriu no processo um elemento até então considerado desprezível pelas elites que acertavam, entre elas, o futuro do País: o respeito às normas constitucionais que regulavam a sucessão presidencial. Se o Presidente Jânio Quadros havia renunciado, em seu lugar deveria assumir o vice-presidente eleito, João Goulart.

Como sempre acontecera na História recente do Brasil, travou-se então uma guerra de ameaças e pressões na busca da neutralização daquele político gaúcho, subitamente tornado tão inconveniente.

O importante era não derramar o sangue de irmãos, impedir uma guerra fratricida, buscar a tolerância tão tradicional na alma dos brasileiros e outras frases que a retórica conservadora sempre soube usar nessas ocasiões.

Só que o inconveniente não cedia. Brizola organizava uma resistência que desafiava todas as normas da prudência.

Naqueles dias de fim de inverno e início da primavera eu era apenas mais um jovem de 20 anos, encharcado de cinema e literatura, sonhando com a chegada de uma sociedade socialista para o Brasil.

Para mim, o radical populista que ocupava o Palácio Piratini não parecia ser a pessoa mais indicada para comandar esse processo de busca do socialismo

Os seus discursos de todas as sextas feiras pela Rádio Farroupilha eram motivos de ironias e piadas. Mas o Movimento pela Legalidade começara a mudar a ótica das coisas.

Naquele meio dia, que a memória localiza hoje entre fins de agosto e início de setembro, o Governador fez o discurso mais emocionante da sua carreira de político. Os “inimigos”, os “imperialistas” iriam bombardear o Palácio Piratini e ele convocava a todos para defender a legalidade ameaçada.

Uma das figuras mais utilizadas na literatura diz que o personagem fica com um “nó na garganta” e a “voz embargada” quando a emoção é demais. Naquele dia, eu fiquei com um “nó na garganta” e a “voz embargada” ao ouvir o Brizola pelo rádio.  Como milhares de outros, fui também para frente do Palácio Piratini para defender a justiça da nossa causa. Como esses milhares, eu também tinha muito claro na cabeça, que havia um lado certo e um lado errado. Que havia heróis e vilões

Era o grande momento da virada da História do Brasil. Mesmo que houvesse luta, mesmo que se derramasse sangue, teria sido por uma causa justa. O país que emergisse dessa luta seria bem melhor, certamente. Era a prova por que passam todas as grandes nações, mas que o Brasil postergou.

As grandes raposas da política, os tancredos, os mazillis, os moura andrades, saíram rápidos de suas tocas e concertaram um grande acordo entre os militares golpistas com o janguismo. Nascia um espúrio parlamentarismo. Tiraram do Brizola a bandeira da Legalidade e o neutralizaram, enfim. Em 1964 ele tentou desfraldá-la novamente, mas não havia mais clima para isso. O Movimento da Legalidade de 1961 foi nossa última utopia. Depois disso vieram os anos de chumbo da ditadura e a pálida e mesquinha democracia dos nossos dias.

Não devemos ter medo das palavras

Algumas palavras têm uma força própria.

Deus, Mestre, Magistrado, Sábio, são palavras que carregam um forte significado nelas mesmo.

Por isso mesmo, às vezes, é preciso desmistificá-las.

São apenas palavras.

Alguém já disse que a palavra Cão não morde.

Agora é preciso dizer que a palavra Comunismo não devia assustar ninguém

Mas, ainda assusta.

Anos e anos de uma campanha feroz, no sentido de transformá-la quase num palavrão, fez que ainda hoje ela assuste muita gente.

Faz mais, apavora.

Já disseram que, os identificados com ela “comiam criancinhas”, que seus defensores não respeitavam as famílias e os lares e que eles pretendiam expulsar Deus do coração dos fiéis.

Os mais educados falavam que o comunismo era um ideologia exótica que não tinha nada a ver com o Ocidente.

E, talvez o argumento mais usado, o comunismo é antidemocrático e prega uma ditadura.

Vamos então, examinar essa palavra tão amaldiçoada com um grau de distanciamento crítico possível.

Seu campo de ação se localiza basicamente na forma como os seres humanos organizam historicamente sua forma de produção de bens.

Comunismo, como o próprio nome está a indicar, é a forma comunitária de explorar esses bens, tanto na produção, como na sua repartição.

No seu livro clássico As Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Friedrich Engels, mostra que a exploração comunitária da terra, através da grande família matriarcal, foi a primeira etapa do processo de desenvolvimento  econômico e social da humanidade.

Esse modelo foi sendo sucessivamente substituído por outros mais avançados e eficientes de exploração das riquezas, passando pelos sistemas, escravagista e feudal, até chegar ao sistema capitalista, que começa a se desenhar para o mundo ocidental a partir do ciclo das grandes navegações e que permanece dominante até hoje, passando pelas fases comercial, industrial e financeira até chegar ao atual modelo globalizado.

E o que tem a ver o comunismo com isso?

Seria uma tentativa de voltar ao sistema original?

Longe disso, ele pretende que o sistema continue evoluindo, ao contrário do que pensam alguns historiadores, como Francis Fukuyama, que vê no capitalismo o fim da história.

E são duas, fundamentalmente, as razões para defender a continuidade do processo histórico: uma econômica – o formato atual da economia, com a enorme concentração de renda em alguns poucos e a disseminação da pobreza junto à maioria, gera crise econômicas cíclicas, que só são superadas com enormes perdas materiais; e outra de natureza ética, o capitalismo para se manter vivo precisa de guerras constantes, de restrição de direitos das pessoas e a destruição da natureza, o que levou István Meszaros  a repetir, o que já previa Rosa Luxemburgo há 100 anos, de que a opção hoje é entre o socialismo a barbárie.

O sistema capitalista cria uma nova classe social dominante, a burguesia, que ao contrário da anterior, a nobreza, rompe seus vínculos sociais com a classe dos trabalhadores, para se relacionar com ela apenas de forma econômica, comprando sua força de trabalho ao menor custo possível.

O novo modelo que começa de forma simbólica com a Revolução Francesa, em1789, vai marcar uma longa luta da classe trabalhadora por melhorias em suas condições de trabalho e vida.

Durante toda essa fase, através da luta dos sindicatos que os representam, os trabalhadores vão conquistando mais direitos, como oito horas diárias de trabalho, as férias, as aposentadorias, mas não alteram a relação principal que separa os que trabalham dos que vivem do trabalho dos outros.

A primeira proposta que se fundamenta em bases concretas para romper esse modelo, está contida no Manifesto Comunista de 1848, formulado por Karl Marx e Friedrich Engel, que começa com uma frase que ficou célebre – “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo, o Papa, o Czar, Meternich, Guizot  e o policial da Alemanha”

Os dois, mas principalmente Marx , vão dar a base teórica para os movimentos de trabalhadores da Europa, que não buscam mais apenas conquistas sindicais, mas um  mudança radical no sistema, com a substituição do  capitalismo pelo socialismo num primeiro estágio e mais adiante pelo comunismo, onde existiria uma sociedade finalmente livre da tutela do Estado.

Seria um mundo, como sonhou Rosa Luxemburgo. onde as pessoas são socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.

O Marxismo, a doutrina oriunda das idéias de Marx, que deveria sustentar essa luta, se apóia num tripé formado pela filosofia de Hegel, as idéias econômicas da escola inglesa e o socialismo utópico dos franceses, uma criação portanto essencialmente ocidental.

Em linhas gerais, ela buscava nos socialistas franceses o sonho libertário que sempre estimulou a busca de uma vida mais digna para o ser humano; na filosofia de Hegel, a ideia dialética de um movimento sempre no sentido positivo e na economia inglesa, a mecânica de funcionamento do capitalismo, baseado na exploração sempre crescente dos trabalhadores.,

Primeiro na Rússia e depois na Alemanha, as idéias de Marx formaram a base ideológica para a ação revolucionária dos bolchevistas e dos espartaquistas, que, ao se separem do Partido da Social Democracia, deram origem aos primeiros Partidos Comunistas

Nos momentos finais da Primeira Grande Guerra, os comunistas iniciaram um ciclo de revoluções sociais para construir o socialismo, vitoriosa em outubro de 1917, na Rússia, sob a direção de Lenin e Trotski e fracassada em janeiro de 1919  na Alemanha, sob o comando de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.

 

 

os aleijados

Independente do número de pessoas nas manifestações de domingo em favor do Bolsonaro e suas políticas, o que chamou a atenção foram suas bandeiras em favor da morte, da violência, do racismo e do fascismo.

Quem olhou para eles, mesmo nas fotos que a mídia se esmerou em mostrar hoje, deve ter percebido que são pessoas aleijadas.

Aleijadas moralmente.

É impossível, vendo esse episódio, não se lembrar de outro, registrado por diversos historiadores da guerra civil na Espanha.

Em 1936, numa cerimônia para comemorar o Dia da Raça, na Universidade de Salamanca, o general franquista Millan Astray, um aleijado, sem um braço e com um olho apenas, se levantou pra gritar “Viva la Muerte” e “Espanha Grande”.

Em resposta, o reitor da universidade, Miguel Unamuno proferiu seu famoso discurso em defesa da vida e da cultura:

“Agora mesmo ouvi um grito necrófilo e insensato, ‘Viva a morte’. Eu devo dizer-lhes que considero este esdrúxulo paradoxo repelente. O General Astray é um aleijado, que isso seja dito sem nenhum sentido pejorativo. Ele é um inválido de guerra. Cervantes também era. Infelizmente há demasiados aleijados na Espanha agora. Entristece-me pensar que o general MillánAstray venha ditar o padrão da psicologia de massas. Um aleijado que não possui a grandeza espiritual de um Cervantes acostuma-se a buscar alívio produzindo mutilados em volta dele.”

Mais adiante, disse ainda Unamuno


“Estamos no templo do intelecto. E nele eu sou o sumo sacerdote. São vocês que profanam esses espaços sagrados. Vocês vão vencer, por que têm mais que o necessário de força bruta. Mas vocês não convencerão. Pois para convencer é preciso persuadir. E para persuadir vocês necessitarão o que não têm: razão e justiça na luta. Eu considero fútil exortá-los para que pensem na Espanha. Eu o fiz.”

Os desinformados

Os jornalistas gostam de se auto-intitular de formadores de opinião. Arrogância típica deles.  Uma minoria talvez até mereça o título – me vem a mente o nome de um, Janio de Freitas  – mas a maioria repete, com mais ou menos ênfase – aquilo que pensam seus patrões.

Quem forma opinião não são os jornalistas, mas os jornais, como empresas, apesar deles se apresentarem, quase sempre, como veículos isentos, imparciais, mostrando para seus leitores, os fatos e deixando para eles, a interpretação.

Falo em jornais e não de um modo geral em veículos de comunicação, como a televisão e rádio, porque é a mídia impressa, os jornais e um pouco menos, as revistas, o espaço em que  a matéria prima é a informação, enquanto nos demais – principalmente a televisão, o que ocupa o maior espaço é o entretenimento.

Voltemos, pois, aos jornais e nele incluindo, para prestar tributo à modernidade,  os jornais eletrônicos.

Eles não surgiram com a imagem (ainda que falsa) com que se apresentam hoje, de imparcialidade e de defenderem apenas os grandes temas que seriam desejos comuns de todos que vivem numa sociedade civilizada, a democracia e a liberdade.

Nos seus primórdios, eles eram assumidamente, veículos de divulgação de ideais, principalmente de agrupamentos políticos. Nos primeiros anos do século passado, eles eram armas de combate dos revolucionários, embora também os defensores do status quo da época, tivessem os seus.  Lênin, Trotski e Rosa Luxemburgo foram, além de políticos, jornalistas.

Foram os últimos cinqüenta anos que consolidaram, principalmente a partir do modelo norte-americano, o formato atual de jornalismo, aparentemente acima dos partidos e ideologias, defendendo o bem comum, típico da civilização ocidental e sua ética capitalista.

Uma boa amostra de como funciona essa proposta é o livro de Gay Talese sobre o jornal New York Times, O Reino e o Poder.

O jornalismo brasileiro sempre procurou se guiar pelo modelo americano, mas ao contrário dele, talvez por influência da nossa herança católica, não foi capaz de assumir determinados lados políticos como faz a imprensa de um país de formação protestante (os Estados Unidos), preferindo a falsa posição de neutralidade

Neutralidade, quase sempre aparente e que nas ocasiões decisivas, foi rompida e quase sempre optando pelo lado que mais interessa à classe dominante.

Em 1964, os grandes jornais brasileiros, como o Correio da Manha, o Jornal do Brasil e o Estadão, se colocaram ao lado do golpe militar contra o governo legal de João Goulart.

Ficaram famosos os editoriais do Correio da Manhã “Basta” e “Fora”, cobrando a saída de Jango.  Pagaram caro, depois, com a censura que os militares impuseram aos jornais, principalmente ao Correio da Manhã.

Depois disso, com a democratização, os jornais assumiram uma posição pública formal de isenção em relação a partidos e políticos, embora, por linhas transversas, tivessem apoiado os governos de FHC e criticado os do PT.

As exceções desse tipo decomportamento na imprensa brasileira estão cada vez mais distantes.

O jornal Última Hora, com várias edições regionais, nasceu para defender, primeiro o governo de Getúlio Vargas, depois o de JK e mais adiante o de Jango e morreu com o golpe de 64.

Com influência mais restrita, tivemos a Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro, que Carlos Lacerda usou para atacar os governos de Vargas e Jango e depois promover o golpe militar.

O exemplo mais claro de um jornal com um viés assumidamente parcial no Brasil foi o Clarim, que Leonel Brizola criou em 1955 para preparar sua candidatura ao Governo do Estado, no Rio Grande do Sul. O jornal, um tablóide, durou um ano e nunca escondeu sua linha política.

Ainda em Porto Alegre, mesmo que não tivesse uma posição política tão clara, o Jornal do Dia, se apresentava como um jornal da Cúria Metropolitana para defender os valores da religião católica, mas sempre assumiu posições conservadoras na política, numa época em que, qualquer desvio dessas concepções, eram rotuladas como de influência comunista.

Hoje, praticamente todos os principais jornais brasileiros se apresentam com a imagem de imparcialidade, embora como grandes empresas comerciais, defendam sistematicamente as políticas públicas que privilegiam à continuidade da sociedade capitalista e o combate a tudo que possa representar opções ideologicamente de esquerda.

Isso é feito quase nunca ás claras, mas subjetivamente, através de uma escolha de pautas que interessam ao sistema e exclua ou jogue para um segundo plano, o que não interessa, por serem de crítica a esse sistema.

Além da valorização ou desvalorização de temas, de acordo com a ideologia ou dos interesses comerciais dos donos do jornal, outra maneira de formar uma opinião pública a favor ou contra determinados políticos que representam pensamentos diferentes, é como suas imagens são apresentados nas páginas dos jornais.

As fotos dos adversários são quase sempre depreciativas, com fotógrafos prontos para apanhá-los num momento não muito feliz, fuçando no nariz ou coçando uma orelha.

Outra forma, é como são identificados  os amigos e aos inimigos.

Fidel Castro tinha sempre seu nome antecedido pelo título de Ditador. O mesmo é reservado hoje para Nicolas Maduro, apesar de ter sido eleito e reeleito, democraticamente presidente da Venezuela.

Já, Geisel, Médici e Figueiredo, os ditadores militares eram chamados de Presidentes.

Nenhum jornal, hoje, deixa de chamar Bolsonaro de Presidente, apesar de sua eleição se dever mais a um estelionato digital do que ao voto de eleitores esclarecidos.

E os jornalistas, onde fica sua pretensão de ser formadores de opinião?

Eles só assumem esse papel, infelizmente, quando se transformam em porta vozes dos seus patrões.

A grande fantasia

Os velhos políticos brasileiros costumavam se referir a eles como A Grande Democracia do Norte. Para muitos, era a Terra da Liberdade.  Inclusive a entrada da sua principal cidade é dominada por uma grande estátua que homenageia a liberdade.

Será isso verdadeiro ?

Os Estados Unidos são mesmo uma grande democracia e a terra da liberdade?

Uma rápida olhada na História não nos leva a essas conclusões.

Pelo contrário, ela parece nos indicar que os Estados Unidos da América do Norte é um país que foi construído com muitas guerras, muito dinheiro, um enorme genocídio interno e muito sangue, quase sempre o sangue dos outros.

Das 13 colônias iniciais (Rhode Island, New Hampshire, Massachusetts, Nova York, Connecticut, Nova Jersey, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia) formadas pelos puritanos ingleses  que começaram a migrar para o novo mundo a partir do século XVII, se formaram durante o século seguinte o que é hoje os Estados Unidos.

O primeiro passo foi a Guerra da Independência, que começa em 1775  e dura oito anos, terminando com a vitória dos Estados Unidos, com forte apoio da França, sobre a Inglaterra. Além da independência das 13 colônias, o acordo de paz assinado em Paris, em 1783, garante a integração ao novo pais da região centro-leste, onde hoje estão os estados de centro-leste, da Inglaterra. Esta área corresponde aos atuais estados do Alabama, Tennessee, Kentucky, Ohio, Indiana, Mississipi, Illinois, Wisconsin e Michigan.

Nos anos seguintes, os Estados Unidos começam sua expansão territorial, pressionando nações européias, sob a ameaça de novas guerras, a negociar a venda de suas possessões na América. Da França, vem a Louisiana , em 1803, onde hoje estão os estados da  Louisiana, Arkansas, Missouri, Oklahoma, Kansas, Iowa, Nebraska, Dakota do Sul, Minnesota e Dakota do Norte. Em 1817, a Flórida é comprada da Espanha. Em 1846: a Inglaterra cede a região do extremo noroeste, onde ficam os atuais estados de Washington, Idaho e Oregon. O Alasca é comprado da Rússia em 1867.

Capítulo especial merecem dois grandes eventos da  história americana. O primeiro é a independência do Texas do México e a posterior guerra entre Estados Unidos e México.

Apoiado pelos Estados Unidos, colonos de fala inglesa, do estado mexicano do Texas se rebelaram e depois de uma guerra que durou dois anos, formaram uma república em 1836. Dez anos depois o Texas se integraria aos Estados Unidos.

Em 1945, os Estados Unidos iniciaram uma guerra de conquista contra as regiões fronteiriças do México, inspirados na chamada doutrina do Destino Manifesto (be strong while having slaves) popular nessa época, que afirmava que os Estados Unidos por serem mais fortes, foram escolhidos por Deus para libertar regiões onde haviam escravos, começando pela América Latina.

Numa guerra que durou dois anos, os Estados Unidos conseguiram arrancar do México, uma região que correspondia a 50% do seu território e que acrescentou 25% de novas terras ao que era então os Estados Unidos.

Se tornaram parte dos Estados Unidos, os hoje estados da Califórnia, Utah, Novo México, Arizona e Nevada.

Restava agregar na prática ao novo país à região oeste, onde viviam as tribos indígenas, na realidade, os verdadeiros norte-americanos.

O que o cinema, através dos filmes de faroeste, sempre mostrou como uma conquista épica de terras pertencentes a povos bárbaros, nada mais foi que um genocídio programado contra os indígenas. De 1836 a 1890, a população de indígenas americanos  foi reduzida de 25 milhões de pessoas para 2 milhões.

O Haway,uma ilha do Pacífico, de grande importância estratégica, habitada por polinésios, era inicialmente uma monarquia. No início do século XIX começou a receber colonos brancos americanos disfarçados de pregadores religiosos. Logo esse grupo se apossou das melhores terras para a plantação da cana de açúcar e passar a formar uma minoria dominante no país . Em 1897, a ilha foi anexada aos Estados Unidos para ser a principal base da marinha no Pacífico. Em 1959 vai se tornar o 50* estado americano.

Se internamente os Estados Unidos foram construídos a ferro e fogo, não foi menor a sua atuação no mundo inteiro, com sangrentas intervenções militares nas Filipinas, Iraque e Cuba, além de atuações militares sob as bandeiras da ONU, OTAN e OEA, na Coréia, Líbia, Balcãs, Panamá e Nicarágua, o que justifica dizer que os Estados Unidos não fazem por merecer a imagem de defensores da democracia e da liberdade.

Se a tudo isso, somamos o fato de que há menos de 50 anos, muitos dos seus estados eram regidos oficialmente por leis racistas e ainda hoje, sua legislação criminal prevê à pena de morte para criminosos, prática praticamente extinta em países ditos democráticos do mundo inteiro, mais razão se tem em afirmar que nunca uma fantasia, como se imaginar os Estados Unidos como a terra da democracia e da liberdade, é apenas uma grande fantasia.

 

Desobediência Civil

Em artigo publicado no site Sul 21, analisando as medidas fascistas, cada vez mais evidentes no governo Bolsonaro,  ex-governador Tarso Genro termina por perguntar se não chegou a hora no Brasil da “Desobediência Civil”?

Quem talvez tenha sido o primeiro a tratar dessa questão de uma forma mais profunda foi o filósofo norte-americano Henry David Thoreau (1817/1862) Em 1849 ele escreveu um livro com esse título – A Desobediência Civil – após ter sido preso por se recusar a pagar seus impostos, alegando que esse dinheiro serviria para financiar uma guerra injusta dos Estados Unidos. Na época, os americanos estavam empenhados numa guerra de conquista de grande parte do território do México.

Para ele, a desobediência civil era uma forma de resistir a uma medida ilegal ou imoral do governo, não partindo para um confronto armado, mas se recusando a cumprir suas ordens.

Mais adiante na História, outro grande exemplo de desobediência civil se deu na Índia, na luta comandada por Gandhi contra a colonização inglesa.

Mahatma Gandhi (1869/1948) nasceu na Índia, formou em Direito na Inglaterra e iniciou sua vida política na África do Sul, onde havia por volta do início do século XX, uma grande população hindu, na região do Transwall.

Embora muitas das posições políticas de Gandhi tenham sido controversas em questões envolvendo as posições que assumiu diante dos alemães e japoneses na Segunda Guerra e a posterior divisão da antiga colônia britânica entre hindus e muçulmanos, (Índia e Paquistão), a sua política de resistência passiva é vista com uma das causas para a independência da Índia em 1947.

Outro que de certa forma propugnou por formas de resistência passiva contra um governo opressor, foi Nelson Mandela (1918/2013), embora em seus primeiros anos como ativista da luta contra o apartheid na África do Sul, tenha pertencido ao grupo Lança de uma Nação, o braço armado do Congresso Nacional Africano. Depois de 27 anos na prisão, Mandela saiu de lá para ser o primeiro presidente negro da África do Sul.

Nos Estados Unidos, dos anos 60, surge a figura do pastor Martin Luther King (1929/1968) mobilizando as pessoas para pacificamente combater o racismo, não aceitando as leis que ainda vigoravam em alguns Estados americanos, discriminando, por exemplo, a presença de negros no transporte público e nas escolas.

Na esteira desse movimento, vai surgir o grande movimento de desobediência civil dos jovens americanos, que rasgavam e queimavam em praça pública suas convocações para participar da guerra do Vietnam.

Se quisermos retroceder em muitos séculos na História e chegarmos até os gregos, vamos encontrar formas de desobediência civil na obra de Sófocles, que mostra Antígona se recusando a obedecer às ordens do rei Creonte e na comédia de Aristófanes, Lisístrata. Nessa peça, as mulheres dos soldados de Atenas, cansadas das guerras com Esparta, fizeram uma greve de sexo, que só terminaria com uma paz entre as duas cidades-estado que deixasse seus maridos em casa.

Não sei o que Tarso Genro estaria pensando quando falou em desobediência civil. Eu, modestamente, vou iniciar a minha, convidando às pessoas a não ler, ouvir ou ver (ou se ler, ouvir e ver, falar sempre mal) de tudo que for veiculado nos veículos da RBS.

Pode ser um início bem modesto, mas já dá para servir como treino para coisas maiores e mais importantes.

Um modelo perverso

No passado, os jornais eram porta-vozes de partidos políticos e existiam para expor e defender suas idéias. No início do século vinte, os movimentos revolucionários europeus se valiam deles para conquistar adeptos e propor formas de luta.

Foi com a consolidação da sociedade capitalista no Ocidente, que eles foram aos poucos adquirindo a sua conformação atual, onde sob a aparência de veículos de comunicação que serviriam principalmente de registro dos acontecimentos, se transformam em sustentáculos de um determinado sistema.

Embora o jornalismo venda a ideia de imparcialidade e compromisso com a verdade, ele é cada vez mais o sustentáculo da sociedade capitalista, a quem procura vestir com uma aparência ética, totalmente em desacordo com sua substância real.

Dois fatos, um da área técnica e outro da área política, transformaram os meios de comunicação no grande pilar que sustenta o atual sistema capitalista, muito mais do que a repressão através da lei e da coerção policial: o prodigioso avanço técnico dos meios de difusão – jornais, cinema, rádio e televisão e o surgimento da internet –  e a partir do fim da segunda guerra mundial, em 1945, o início da chamada Guerra Fria, com o aparecimento de uma batalha ideológica que continua ainda.

O fim de um dos pólos de combate, o desmoronamento da União Soviética, não encerrou a disputa pelo controle ideológico das populações, anunciado em 1945, quando o presidente americano Eisenhower afirmou que estava começando uma guerra pelo controle dos corações e mentes das pessoas.

Embora o sistema capitalista ainda se valha periodicamente do recurso da força – Coréia em 1953, Irã, em 1954 e mais recentemente na Iugoslávia, Iraque, Cuba e Líbia e agora com ameaças à Venezuela, é através da sistemática lavagem cerebral das pessoas que o imperialismo americano faz valer sua força.

Os interesses do Império e seus aliados no mundo inteiro, como no caso hoje do Brasil, são transformados em objetivos de todos pela ação sistemática dos meios de comunicação, que atuam num processo permanente de venda do conceito de que o que temos hoje – a democracia parlamentar ocidental – é o melhor que as pessoas podem ter e que a ideia de que “um outro mundo é possível” é uma falácia.

No Brasil, parte razoavelmente importante dessa estratégia para o Império, tivemos dois exemplos como os meios de comunicação agem para mistificar e vender como verdade o que não é verdade.

O primeiro foi a famosa entrevista com Lula na prisão de Curitiba. Projeto de caráter mercadológico da Folha, foi abortado pelo Supremo Tribunal Federal, quando teria alguma condição de influir no processo eleitoral de 2018, e liberado agora, quando se transformou apenas no lamento de um homem preso injustamente

Mesmo assim, a grande mídia – inclusive a Folha – tratou o caso com pouca importância, jogando o assunto para suas páginas internas e dando mais destaque às passagens pitorescas da entrevista (o fato de morar sozinho, que permitiria a Lula jogar suas cuecas em qualquer lugar) do que a denúncia explicita que ele fez a Globo de caracterizá-lo sistematicamente como “ladrão”, sem apresentar qualquer prova.

O segundo episódio foi a revolta de opereta na Venezuela, descaradamente patrocinada pelos Estados Unidos.  Deixando de lado que a mídia brasileira jamais se preocupou em mostrar porque a Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do mundo, é o alvo principal hoje dos interesses dos Estados Unidos, um só detalhe mostra a parcialidade da nossa mídia, sempre tão venal: o tratamento dado a Nicolas Maduro.

Em qualquer publicação brasileira, ele é apresentado como o “Ditador Maduro”, induzindo os leitores, ouvintes e telespectadores a ver nele um usurpador do poder, quando se sabe que ele foi eleito e reeleito pelo povo venezuelano.

Caso o argumento seja de que teria sido uma eleição manipulada, o que já foi desmentido por observadores internacionais que acompanharam o pleito, seria o caso de chamar Bolsonaro de ditador e não de presidente, porque a eleição de 2018 no Brasil foi um caso claro de manipulação eleitoral amplamente conhecido.

Quem se opõe ao atual sistema econômico, político e social que domina o mundo hoje, precisa entender que sua sustentação principal, vem do modelo perverso dos meios de comunicação e que é esse modelo que deve ser combatido