os aleijados

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Independente do número de pessoas nas manifestações de domingo em favor do Bolsonaro e suas políticas, o que chamou a atenção foram suas bandeiras em favor da morte, da violência, do racismo e do fascismo.

Quem olhou para eles, mesmo nas fotos que a mídia se esmerou em mostrar hoje, deve ter percebido que são pessoas aleijadas.

Aleijadas moralmente.

É impossível, vendo esse episódio, não se lembrar de outro, registrado por diversos historiadores da guerra civil na Espanha.

Em 1936, numa cerimônia para comemorar o Dia da Raça, na Universidade de Salamanca, o general franquista Millan Astray, um aleijado, sem um braço e com um olho apenas, se levantou pra gritar “Viva la Muerte” e “Espanha Grande”.

Em resposta, o reitor da universidade, Miguel Unamuno proferiu seu famoso discurso em defesa da vida e da cultura:

“Agora mesmo ouvi um grito necrófilo e insensato, ‘Viva a morte’. Eu devo dizer-lhes que considero este esdrúxulo paradoxo repelente. O General Astray é um aleijado, que isso seja dito sem nenhum sentido pejorativo. Ele é um inválido de guerra. Cervantes também era. Infelizmente há demasiados aleijados na Espanha agora. Entristece-me pensar que o general MillánAstray venha ditar o padrão da psicologia de massas. Um aleijado que não possui a grandeza espiritual de um Cervantes acostuma-se a buscar alívio produzindo mutilados em volta dele.”

Mais adiante, disse ainda Unamuno


“Estamos no templo do intelecto. E nele eu sou o sumo sacerdote. São vocês que profanam esses espaços sagrados. Vocês vão vencer, por que têm mais que o necessário de força bruta. Mas vocês não convencerão. Pois para convencer é preciso persuadir. E para persuadir vocês necessitarão o que não têm: razão e justiça na luta. Eu considero fútil exortá-los para que pensem na Espanha. Eu o fiz.”


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