Os livros do Lula

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O que seria de nós sem uma boa briga por idéias, vez que outra? É ela que testa se nossos argumentos ainda são válidos, nos obriga a atualização permanente sobre o que se escreve,  sobre o que se lê.

Claro, que essa briga deve respeitar as normas de civilidade, não se podendo mandar o querelante  naquele lugar, salvo em casos muito específicos e bem documentados.

Dito isso, estou chamando para uma briga saudável, minha amiga Iara, do facebook, que não conheço pessoalmente, mas que, pelo escreve, parece ser uma pessoa séria e bem informada, além de ser de esquerda.

Outro dia, fiz uma comparação entre o Lula e o Bolusonaro,  dizendo que o primeiro, apesar de inculto, governou respeitando a dignidade do cargo, ao contrário do segundo.

Minha amiga não gostou que lembrasse a falta de leituras do Lula, o que, diga-se de passagem,não o impediu de fazer o governo que mais favoreceu os trabalhadores (infelizmente também os empresário e banqueiros como ele mesmo reconheceu) na história recente do País, e me enviou uma lista, com o timbre do PT, relacionando os livros que o Lula teria lido no cárcere. Seriam 21 livros em menos de dois meses.

Ótimo. Só pelos livros podemos nos apropriar do saber que a humanidade foi acumulando na sua história. A outra forma – ouvir pessoalmente os sábios – é muito complicada e difícil.

Palmas então para o Lula e seu novo hábito. Só que – e aí começa mais uma briga – as escolhas não me pareceram das mais felizes, não sei se de quem enviou os livros ou do próprio Presidente.

Jessé Souza e a sua Elite do Atraso, pode ser até interessante, mas é simplificador de mais na análise da classe dirigente brasileira.  Mas vá lá, vale para começar, embora o Lula deva saber bem como funciona a tal elite, que ajudou a mandá-lo para a prisão.

Chomnsky  está na lista porque a esquerda o adora, principalmente por ser um judeu americano que é contra os governos dos Estados Unidos e de  Israel.

Thomas Piketty não poderia faltar, ainda que, depois de incensado pela mídia, já tenha sido quase esquecido.

Garcia Marques e o Amor em Tempos de Cólera, nada contra, mas o Tolstoi, podia ser melhor escolhido. Guerra e Paz em vez de Ressurreição.

Contos de Wellington Dias – imagino que seja o governador petista do Piauí – nunca ouvi falar.

Os Beneditinos, do José Trajano, é sobre futebol, o que se explica.

Tem também um livro da sempre raivosa Márcia Tiburi sobre feminismo e um surpreendente Leminski, talvez pelo fato de ser paranaense.

O que me incomoda mais, são os livros que  faltaram

Para um homem que já representou a esperança de uma esquerda socialista, ele não podia ter deixado de ler os clássicos do marxismo, começando pelo próprio Marx (se o Capital é muito difícil, quem sabe alguns textos selecionados?)  Lenin (imperdível), Trotski e Plekanof.  Não poderia esquecer os novos marxistas como  Losurdo, Meszaros, , Badiou, Brouè , Zizek (por que, não?) e mais do que todos, o brasileiro Jacob Gorender.

Quer ler um romance moderno? Leia, sem preconceitos, um americano como Philip Roth, Gore Vidal ou Norman Mailler. Quem sabe o inglês Ian McEvan? Biografias? Bastaria o Lula pedir alguma das muitas do seu amigo Fernando Morais. É hora de poesia? Carlos Drummond de Andrade.

Finalmente, uma sugestão.  Não sei quem é o conselheiro literário do Lula, mas o PT tem entre seus quadros políticos mais importantes um leitor obsessivo e atualizado, o ex-governador Tarso Genro. Quem sabe se peça para ele organizar uma lista de leituras para o Lula?

E nunca esquecendo #Lulalivre


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