O Rolha

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Durante os trinta anos que trabalhou na empresa, sempre foi o Rolha. Se era sobrenome ou apelido, ninguém perguntava.Era apenas Rolha. Os mais novos, diziam respeitosamente “seu” Rolha.

Os mais antigos, seus amigos dos churrascos de fim-de-semana, na intimidade, o tratavam por Rolhinha.

O Rola fez carreira na empresa. Começou como boy e chegou a gerente da expedição.

Semana passada, quando finalmente se aposentou, a empresa, como fazia com todos que chegavam a esse tempo de serviço, lhe ofereceu uma festa de despedida. 

Muitos discursos fizeram com o que o Rolha se emocionasse e quando o chefe geral, o Dr. Aristides, antes de lhe entregar uma caneta Parker 51 de lembrança, lhe chamou de “o inestimável Rolha”, lágrima correram pelo canto dos seus olhos.

Foi exatamente nessa hora que o Robertinho,,o funcionário mais novo do escritório e que já tinha bebido bastante, se fez ouvir lá do fundo da sala.
– Por que esse Rolha ? É sobrenome ou apelido?

Um silêncio enorme se fez e todos olharam para o Rolha, esperando sua resposta.

Esse ficou sério alguns segundos. Levantou-se da cadeira. Olhou para o fundo da sala, de onde viera a pergunta. Abriu lentamente a boca, come se fosse dizer algo, e foi fechando os olhos.

Os que estavam mais perto, conseguiram segurar o Rolha antes que ele desabasse no chão.

O enfarte foi fulminante e os amigos se consolavam dizendo que ele não tinha sofrido muito.

O enterro foi no dia seguinte. 

A firma publicou uma nota nos jornais com o título “Agradecimento ao Rolha”

O sujeito que fez a pergunta, foi demitido sumariamente.


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