A Quadrilha

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Todo mundo lembra, ou devia lembrar. aquele poema do Carlos Drummond de Andrade, chamado A Quadrilha.

“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

O que vou contar, não tem nada ver com o Drummond, pois se se trata de uma história verdadeira ( true story) que abalou a tradicional família garibaldense (ou seria garibaldina?) nos idos de 1950 (que para os católicos, foi um ano santo).

Juliana era casada com Afonso, mas tinha um caso com Roberto, que era amante de Marcela, mulher do Flávio. Este conhecera biblicamente a Juliana, mas hoje vivia em concubinato com a Ester, ex-mulher do Fernando, que era delegado de polícia e que segundo se comentava na cidade, participava de um triângulo amoroso com a Vera e a Elenita. Versões correntes na cidade,diziam que Violeta, amante do Padre Heitor, era dada a perversões, e tinha um a caso com Tereza, a madre superiora.

Tudo bem. Esses arranjos, nenhum público, mas todos de conhecimento público, eram aceitos por todos, inclusive pelo juiz da cidade, o Dr. Barcelos, que segundo se dizia a boca pequena (boca chiusa) fazia um triângulo amoroso com Fátima, sua mulher e Diógenes, o jardineiro, onde os vértices se encontravam aleatoriamente.

O que provocou o grande escândalo na cidade, gerando inclusive a intervenção do Bispo Sardinha, que nomeou seu amante, o Pardal, como seu agente especial para resolver o imbróglio, foi a decisão de todos os envolvidos de assumir as relações,mesmo as heterodoxas e passarem a viver juntos ( e em pecado, segundo Sardinha e Pardal) publicamente, num grande casarão que passou a ser conhecida como A Maravilhosa Casa dos Pecados

 


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