A derrota do PT e o futuro do Brasil

A derrota eleitoral do domingo pode ser o estímulo que estava faltando para que as forças de esquerda repensem a realidade brasileira e ofereçam novas alternativas para enfrentar os dias difíceis que se aproximam.

Esse texto  pretende ser, modestamente, minha contribuição a essa processo.

Esperamos que essa derrota seja a última em que nos unimos em torno de  um projeto reformista , que buscava um retorno  a um passado mais idealizado que real, apenas para evitar um mal maior.

O melhor ensinamento que podemos tirar dessa derrota, é de que precisamos arquivar as figuras carismáticas da política, os salvadores da pátria, e aprofundar a nossa visão para além de projetos eleitorais, como tem sido as propostas do PT, o partido que nasceu para liderar os movimentos de trabalhadores do Brasil, mas que se transformou numa organização voltada apenas para ganhar eleições e que, ultimamente, nem isso consegue fazer.

E pior ainda, quando ganhou as eleições foi incapaz de representar os interesses básicos dos trabalhadores,preferindo alianças espúrias, que foram aos poucos minando a confiança que desfrutou  e que nenhuma outra organização partidária tivera antes no Brasil.

O PT, infelizmente, foi incapaz de dar o salto qualitativo, que fizesse dele o guia para a revolução social que o Brasil precisa e por isso sua estrela foi apagando aos poucos.

Todos os grandes movimentos políticos da história tiveram um arcabouço filosófico para sustentá-lo, ou no mínimo uma justificativa histórica que lhe assegurasse um conjunto de valores morais e éticos para congregar em torno de si, pelo menos uma parte da sociedade

O maior exemplo disso é a opção pelo comunismo.

Sem falar em filósofos como Marx e Engels que lhe forneceram o embasamento histórico, econômico e filosófico, os principais lutadores pela causa comunista, não foram apenas ativistas políticos. Seus maiores nomes  mesclavam a luta política e partidária com a busca permanente de uma justificativa histórica para seus atos.

Lênin, Trostki, Gramsci e até mesmo Stalin, não ficaram apenas nas discussões táticas e estratégicas sobre questões políticas, mas buscaram colocá-las sob uma ótica muito mais ampla, procurando apoiar seus posicionamentos num tipo de pensamento universalista, discutindo questões teóricas e principalmente, escrevendo muito sobre elas.

Nessa tradição, os que discutem hoje a opção pelo comunismo, o fazem fugindo das questões típicas das políticas partidárias, buscando uma justificativa para ele a partir de uma ótica muito mais intelectualizada. É o que ocorre com o húngaro Istvan Meszaros, recentemente falecido, os franceses Alain Badiou, Jacques  Rancieri, Pierre Broué, Jean-Jacques Marie e o esloveno Slavoj Zizek.l

Mesmo o nazismo, procurou se justificar não apenas como um partido político, mas como uma corrente de pensamento que privilegiava a idéia da pátria, do povo. Não foi a toa que o grande filósofo Martin Heideger (1889/1976) viu no nazismo de Hitler a retomada do espírito helênico.

Mesmo o capitalismo, em suas diversas etapas de desenvolvimento, se socorreu de pensadores como Keynes inicialmente e depois em Hayek e Mises, quando enveredou pelo neo liberalismo.

Os defensores desse sistema nunca disseram que ele deveria persistir apenas para os ricos ficarem mais ricos, mas que ele  tinha uma justificativa ética.  Max Weber (1864/1920) viu a sua ligação estreita com a religião mais puritana em a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo e Francis Fukuyama, em sua obra O Fim da História, viu a democracia liberal ocidental, só possível dentro do capitalismo, como o ponto mais alto que a humanidade poderia chegar em seu desenvolvimento social.

E o trabalhismo e sua versão mais sofisticada no Brasil, o petismo, em algum momento buscou essa sustentação, digamos, filosófica para se justificar?

Ou foi apenas um movimento oportunista, apoiado em figuras carismáticas,  como o trabalhismo tradicional com Getúlio Vargas e agora a sua nova versão,  em Lula?

Vargas, mais do que Lula, tinha um projeto nacionalista de desenvolvimento industrial e aproveitando as circunstâncias oriundas da Segunda Guerra Mundial avançou bastante nesse caminho, mas mesmo ele não encarou a questão da luta de classes, afirmando-a,  ou a negando.

Lula,menos ainda.

Seu projeto de governo, simplificadamente, era uma transposição para o plano político mais amplo da sua visão de sindicalista, com a permanente política de negociações em busca de melhores resultados para os mais pobres.

Isso gerou uma série de pactos sociais envolvendo os segmentos mais diversos da sociedade brasileira, com interesses inteiramente colidentes, como banqueiros, latifundiários , empresários, trabalhadores das cidades e do campo.

Tudo sem um objetivo ideológico final.

Era uma bicicleta que andava sem rumo e que precisava ser pedalada sempre.

Quando por circunstâncias externas, a bicicleta teve que parar, seu projeto de conciliações permanentes ruiu.

Nos seus poucos anos de existência, o PT conseguiu ganhar quatro eleições para a Presidência da República, elegeu vários governadores e formou importantes bancadas em assembléias estaduais, na Câmara Federal  e no Senado.

Mas, em que o PT foi  diferente dos demais partidos, a não ser a sua preocupação maior com o socorro às populações mais carentes?

Seus dirigentes já disseram mais de uma vez que ele não é um partido revolucionário, mas nunca desfizeram a ideia de que sua meta é o socialismo.

Mas para chegar ao socialismo pela via pacífica que pretende, não seria necessário ter uma teoria, digamos de novo, filosófica, para se justificar?

Confesso que há muito procuro essa resposta e imaginei que poderia encontrar indícios disso no livro autobiográfico de José Dirceu.

Afinal, sempre se disse que ele era o grande estrategista do partido, o teórico que conduziu o PT até a conquista da Presidência.

Mas, se alguém, além de mim, tiver essa expectativa ao ler o livro de memórias de Zé Dirceu, perde seu tempo.

O livro, descontando as auto louvações e a preocupação em relatar suas conquistas amorosas, é extremamente interessante como a descrição do jogo rasteiro em que se envolvem os políticos, de todas as matizes,  em busca do poder e a desconstrução de figuras que pousam com pompa e circunstância nos espaços da mídia.

Muito pouco  além disso.

Ficou faltando uma justificativa mais profunda de porque o PT.

Uma pena.

Em seu livro Socialismo ou Barbárie no Século XXI, IstvanMeszaros  completa a frase original de Rosa Luxemburgo, dizendo que barbárie,  nas melhor das hipóteses.

Para ele, a continuidade do sistema capitalista, cada vez mais predatório, põe em risco inclusive a continuidade da vida humana sobre a Terra.
Segundo Meszaros, a conquista de um sistema socialista é grande luta, posta diante dos homens no futuro. Mas esse novo sistema não nascera inevitavelmente pela exaustão do  modelo capitalista, como alguns pensavam a partir de uma leitura apressada de Marx, mas de uma combinação de fatores que vão desde a inevitável crise estrutural do capital, até a luta política das pessoas em busca da construção de uma sociedade melhor.

Dentro desse quadro, no caso brasileiro, todos os partidos políticos de esquerda terão uma contribuição a dar, principalmente algumas lideranças do PT que não tenham sido totalmente contaminadas pelas práticas eleitoreiras que parecem ter sido o único objetivo do PT nos últimos anos.

Existe jornalismo imparcial?

 

Uma das grandes falácias que os meios de comunicação gostam de divulgar, que a academia ratifica dando a ela um lustro ‘científico’ e que as pessoas acreditam, é que o ideal do jornalismo, principalmente aquele que trata dos fatos políticos, é ou deveria ser, imparcial.
Ocorre exatamente o contrário. O jornalismo político nasceu para expressar a posição de pessoas ou grupos sociais sobre a administração da vida pública, ou seja, quais as posições políticas que devem ser apoiadas ou condenadas.
Quanto mais clara e aberta fosse essa posição, mais ético e mais digno de crédito se tornaria o veículo de comunicação portador da mensagem.
No passado, essas posições de apoio ou de crítica a um determinado grupo de poder – um governo na sua versão mais completa – eram diluídas pelas visões opostas dentro dos meios de comunicação disponíveis; pela limitação do acesso desses meios aos públicos alvos e pela possibilidade de os criticados ou apoiados – no caso o governo – usarem outros meios de impor sua vontade, in extremis, pela coerção policial.
A partir da Revolução Russa de 1917, uma grande questão, que já estava subjacente nas disputas políticas – a opção por um novo sistema econômico e social – se tornou fundamental e obscureceu todos os outros debates.
Capitalismo ou socialismo, essa foi a questão que se tornou fundamental.
O acirramento dessa disputa coincide com o desenvolvimento acentuado dos meios de comunicação, principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial (1939/1945).
O surgimento da televisão como o grande veículo de comunicação de massa e a integração mundial das redes de comunicação (a aldeia global, antecipada por Marshall Mc Luhan) vão transformar esse conjunto de comunicação, que hoje chamamos de ‘A Grande Mídia’, como a principal arma de guerra ideológica entre os defensores dos modelos capitalista e socialista.
A derrocada da URSS no final do século passado e a consolidação da opção pelo capitalismo, estruturado segundo os interesses dos Estados Unidos, fizeram com que a comunicação de massa e sua versão de jornalismo político se tornassem a grande arma para a preservação do sistema e a eliminação das possíveis resistências, tenham elas maior ou menor representatividade.
A cooptação dos sistemas de comunicação pelo capitalismo triunfante se tornou irreversível na medida em que eles se sofisticaram e passaram exigir altos investimentos financeiros para se tornarem eficientes.
Dentro dessa nova realidade, os enfrentamentos ao sistema, através das chamadas mídias alternativas, se tornaram a única opção, quase sempre frustradas, na luta contra o pensamento único, que na sua essência busca a preservação de uma sociedade de classes.
Então, a figura do jornalista imparcial, que “luta pela verdade acima de tudo”, virou peça de museu.
Ou ele está a favor de um lado ou de outro.
Mais do que a polícia, o judiciário e o parlamento, é a mídia, controlada na sua quase totalidade pelo capitalismo devastador, que tenta eliminar qualquer resquício de inconformismo.
Os últimos dias no Brasil mostraram a sobejo como funciona o sistema.
Diante de uma disputa eleitoral, em que um candidato que não tem pejo de se apresentar com propostas fascistas, a ‘Grande Mídia’ se esconde atrás de uma pretensa imparcialidade, tratando desiguais como iguais e não denunciando com o vigor que deveria ter os métodos criminosos de aliciamento de eleitores que esse candidato usa.
Nesse domingo, estaremos voltando às urnas e uma possível vitória do Bolsonaro, o candidato da direita, dos empresários, com suas ideias tão próximas do fascismo, deverá, em grande parte, ser atribuído ao apoio ideológico que recebeu de jornalistas que sempre se apresentarem como defensores da democracia e como isentos, mas que, no final, tal como o candidato, defendem uma sociedade dividida em classes com interesses antagônicos.

É hora de poesia, quem diria?

Entre 1942 e 1945, Carlos Drummond de Andrade (1902/1987), o nosso poeta maior, escreveu uma série de poemas reunidos sob o título de A Rosa do Povo. Nosso Tempo foi um deles.  Nele, Drummond fala sobre uma época de grandes decisões, quando o mundo se dividia entre o nazismo e a democracia e era preciso escolher um lado. Drummond escolheu o melhor lado e terminou esse poema dizendo que “o poeta declina de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas prometa ajudar a destruí-lo como uma pedreira, uma floresta, um verme”.

Drummond  entendia, porém que esse percurso não era fácil e que seria preciso deixar muitas coisas pelo caminho.

“Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra”.

Hoje, órfãos do grande poema, vivemos novamente uma época de homens partidos.

No próximo dia 28, vamos ser chamados novamente a fazer uma opção, felizmente essa um pouco diferente daquela vivida pelo poeta, quando a vitória de um dos lados seria feita muito mais pela força das armas.

Essa nova decisão será tomada pela força dos votos, mas de certa forma vivemos o mesmo dilema.

Vamos decidir entre a continuidade da precária democracia em que vivemos ou um mergulho num projeto extremamente autoritário, que, em muitas de suas propostas, se aproxima de um fascismo explícito.

Mais do que uma disputa entre Fernando Haddad, que independentemente de suas qualidades pessoais, é um humanista, professor universitário e um homem de diálogo e Jair Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército, autoritário, preconceituoso e acima de tudo uma pessoa dotada de escassos dons intelectuais, o que estará em jogo nas eleições é se nós brasileiros poderemos continuar sonhando com uma pátria mais solidária e justa ou mergulhamos de vez numa sociedade que cultua a violência e que discrimina os mais pobres.

Se no dia 28 não formos capazes de derrotar a besta e seu séquito de maldades, só nos restará tomar outro poema de Drummond – E agora, José – e usá-lo como epitáfio para a nossa falta de coragem.

E agora, José? / A festa acabou,/ a luz apagou / o povo sumiu,
a noite esfriou, e agora, José? /  e agora, você?  / você que é sem nome,
que zomba dos outros  você que faz versos / que ama, protesta?
e agora, José?  / Está sem mulher,/ está sem carinho / está sem discurso / já não pode beber / já não pode fumar / cuspir já não pode / a noite esfriou / o dia não veio / o bonde não veio,/ o riso não veio / não veio a utopia / e tudo acabou / e tudo fugiu / e tudo mofou / e agora, José? Sua doce palavra / seu instante de febre sua gula e jejum / sua biblioteca / sua lavra de ouro / seu terno de vidro / sua incoerência, seu ódio – e agora? Com a chave na mão / quer abrir a porta / não existe porta / quer morrer no mar / mas o mar secou / quer ir para Minas / Minas não há mais / José, e agora? / Se você gritasse /
se você gemesse / se você tocasse / a valsa vienense / se você dormisse / se você cansasse / se você morresse / Mas você não morre você é duro, José / Sozinho no escuro / qual bicho-do-mato, /  sem teogonia / sem parede nua / para se encostar,/ sem cavalo preto / que fuja a galope / você marcha, José / José, para onde?

 

 

Sejamos radicais

Estou escrevendo essa coluna ás vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, torcendo para que o segundo turno possa ser decidido entre Haddad, em que vou votar, e Bolsonaro.

Isso, que uma parte da elite intelectual brasileira e mesmo aqueles que se intitulam da esquerda democrática, lamentam, é a única alternativa para que o Brasil se resolva como nação: o início da polarização entre dois grandes projetos, o que defende a submissão do país aos interesses econômicos internacionais  e o que luta por uma sociedade baseada na justiça social, integrada à comunidade latino-americana.

Não estou pregando nenhuma luta revolucionária – pelo menos não agora – mas sim uma divisão mais clara dos campos políticos do País.

O professor e filósofo Vladimir Saflate tem chamado a atenção para o fato de que a derrocada do projeto reformista do PT em 2013 aconteceu porque a direita foi a única força política que deve capacidade de mobilizar importantes segmentos da classe média para vir as ruas, enquanto a esquerda, principalmente aquela que se abriga sob o PT, se omitiu.

Saflate dá um exemplo histórico de que a radicalização em pólos opostos é a única maneira de equilibrar forças e estabelecer um espaço para que a vida política prospere: a chamada guerra fria, permitiu que os dois modelos em oposição tentassem conquistar seus adeptos pelo proselitismo político, tolerando apenas guerras localizadas e não um grande conflito um mundial que ameaçasse a própria existência da humanidade.

Se, após a Segunda Guerra, a União Soviética não tivesse surgido como uma formidável máquina militar, os Estados Unidos teriam estabelecido seu poder sobre o mundo inteiro, como fez sobre as áreas sobre a sua influência, como foi o caso da América Latina.

Hoje, essa política de contra pesos, que se fez no passado, principalmente pela força militar, hoje se traduz mais claramente na guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que, apesar de tudo assegura a relativa paz em que vive o mundo.

O Brasil precisa se equilibrar também entre duas forças políticas opostas, até que uma delas tenha condições de se impor, rompendo a política de pactos que permeia nossa história.

Não tenho nenhuma certeza de que Haddad, se vencedor, terá condições políticas e mesmo vontade para avançar no projeto inacabado de Lula e Dilma  de conquistas sociais ou, como fez seu mestre, se curvará à necessidade de pactos de não agressão com o centro e a direita.

De qualquer maneira é uma nova oportunidade de oferecer ao povo brasileiro uma possibilidade de escolha, fugindo dos pactos que sempre deixaram por fazer a verdadeira revolução brasileira, seja a burguesa e nacionalista, seja a utópica revolução socialista.

Nossos grandes momentos históricos sempre foram obscurecidos por pactos impostos pelos mais fortes, para impedir que os processos de ruptura se consumassem.

A independência nasceu de um acordo entre Portugal e Inglaterra, pelo qual pagamos 2 milhões de libras esterlinas para que a corte de Lisboa aceitasse a independência,  dinheiro  que a Inglaterra emprestou.  Ou seja, um arremedo de independência, que transformou o Príncipe português em nosso Rei e fez com que o Brasil já nascesse endividado.

A libertação dos escravos, mesmo com todas as lutas dos negros, veio como uma graça da princesa branca.

Os 15 anos de governo de Vargas, de 30 a 45, que deveria significar uma ruptura com a República Velha, embora tenha avançado na formação de uma burguesia industrial, precisou de muitos acordos com as oligarquias, principalmente paulista para se manter e, mesmo assim foi derrubado a pretexto de uma democratização do País.

A única grande oportunidade de uma ruptura com o modelo entreguista vigente desde 1945, o movimento cívico-militar da Legalidade foi perdida novamente por um acordo envolvendo Tancredo, Jango e os militares fascistas.

O golpe de 64 e seus governos ditatoriais nunca tiveram a unidade ideológica que pretendiam. Segmentos nacionalistas e pró-americanos travaram uma luta surda durante quase 20 anos, sufocada por acordos e mais acordos.

O fim da ditadura escancarou outro pacto – a anistia – que colocou no mesmo saco torturados e torturadores.

Fomos incapazes de nos aproximarmos, ao menos do que fizeram com seu passado, a Argentina, o Chile e o Uruguai.

Depois disso, o grande e definitivo pacto sobre o qual ainda estamos, a Constituição de 88.

Dentro dela vivemos os últimos 30 anos com um razoável espaço democrático, que agora começa a mostrar sinais de cansaço.

É preciso reformá-la, todos os concordam.

O que nos divide hoje é o que reformar.

Os que, como nós, à esquerda, defendem o aprofundamento das conquistas sociais, precisam estar fortes para se impor, na luta contra a direita, cada vez mais organizada.

Por isso, vejo um futuro de lutas políticas e não mais de acordos.