Quem faz a História?

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Minha amiga Gisele Oliveira é apaixonada pelo Lula, tanto que foi a Curitiba só para dar um bom dia a ele. Outra amiga, Clau Rota diz que ele é um animal político. Carlos Laet de Souza chega ao extremo de classificá-lo como culto.

Sempre me pareceu inusitada essa cultura de endeusamento das nossas figuras históricas, mesmo na esquerda brasileira. Getúlio Vargas era o Pai dos Pobres, Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. Leonel Brizola, foi o Deus e o Diabo aqui no Sul.

Se em 61, na Legalidade, tivesse ido até o fim, como pretendia e não tivesse sido traído por aquele acordão entre o Jango e os generais golpistas, articulado pelo Tancredo Neves, seria o quê hoje, o Brizola ?

Talvez o Pai dos Brasileiros, como Ataturk foi dos turcos.

Seria, o que o Chavez foi depois para a Venezuela, criando um governo popular e nacionalista como nunca tivemos. (Ou será que tivemos com o governo de Getúlio , entre 1951 e 1954?) Segundo Brizola, disse mais tarde, condições militares para impor um governo de esquerda em 1961 ele tinha. Mas Jango preferiu a conciliação, que custou três anos depois uma ditadura que durou 20 anos.

E como colocamos as grandes figuras, que de alguma maneira ajudaram a mudar a história do mundo nos últimos 100 anos? Lenin, Stalin, Hitler, Mussolini, Churchill, De Gaulle, sem eles a história teria sido muito diferente.

Ou, não? Outros fariam seus papeis?

Segundo a visão clássica do marxismo, “quando as relações de produção, num determinada sociedade, entram em contradição com o grau de desenvolvimento das forças produtivas, são geradas geradas rupturas políticas e institucionais. Abre-se, então, um período de mudanças históricas e nele projetam-se indivíduos capazes de exercer liderança e alterar o rumo da história, ao menos a curto e médio prazo”.

Quem mais se dedicou a essa linha de interpretação histórica do marxismo foi o russo Gueorgi Plekhanov (1856/1918), com o seu clássico livro O Papel do Indivíduo na História.  O que se constata – diz ele – é que o homem faz a história, mas a faz nas condições históricas colocadas independente da sua vontade.

Depois da bancarrota da União Soviética, muitos pensadores de esquerda se dedicaram a rever até que ponto a visão sobre o determinismo histórico de Marx ainda é válida.

Entre eles, o grande marxista brasileiro, Jacob Gorender, (1923/2013) que diz em seu livro Marxismo sem Utopia, “Sendo uma possibilidade, o socialismo não decorrerá de leis históricas inelutáveis. Tão pouco decorrerá de um imperativo ético, como propunha Bernstein, pois será uma possibilidade inscrita objetivamente na história. O objetivo socialista se colocará como opção para as tendências anticapitalistas radicais, que os próprios males do capitalismo suscitarão. Este objetivo se implementará sob a forma e conteúdo muito variados, de acordo com as peculiaridades históricas de cada povo”.

Qual seria a partir dessa nova visão marxista da História, defendida por Gorender, o papel que podemos esperar de Lula?


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