Uma história mal contada

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O dia 14 de maio de 1948 é a data oficial de fundação do Estado de Israel. Setenta depois ainda se discute até que ponto a criação de um estado judaico em meio a populações majoritariamente árabes não  caracteriza um grande equívoco geopolítico.

O lobby judaico, o mais poderoso do mundo inteiro, tem impedido que os meios de comunicação relembrem como foi possível criar-se um estado baseado nas razões da raça e religião judaicas dentro de uma comunidade predominantemente árabe e islâmica.

Essa história precisa ser contada a partir da Primeira Grande Guerra, quando em 1917, Lorde Balfour, Secretário Britânico de Assuntos Estrangeiros,  interessado no apoio dos banqueiros judeus para financiar a luta da Inglaterra contra o Império Turco pelo controle do Oriente Médio, garantiu ao Presidente da Federação Sionista Britânica, Lorde Rothschild o apoio inglês à criação de um “lar para os judeus”, na Cisjordânia, ainda que registrasse em sua declaração que isso deveria ser feito sem prejudicar os interesses dos árabes, que formavam a maioria populacional na região.

A ideia de criar uma nação para abrigar os judeus espalhados pela Europa após a diáspora,foi lançada pelo jornalista judeu austro-húngaro Theodor Herzl, em 1895, mas inicialmente obteve poucas adesões e mesmo depois do apoio formal dos ingleses, não motivou uma forte migração para a Palestina.

No final da Segunda Grande Guerra, viviam na Palestina sob o controle da Inglaterra, l milhão e o meio de árabes e 600 mil judeus.

O holocausto provocado pelos nazistas, durante a guerra, criou as condições emocionais para garantir o apoio de uma maioria de nações européias e americanas para criação de Israel, que segundo decisão da ONU deveria ficar com uma parte da Palestina, reservando-se o restante para a criação de um futuro estado palestino árabe.

A premissa a justificar a criação do Estado de Israel se baseava num pretenso direito histórico sobre a região do povo judeu, expulso pelos romanos e que havia no exílio mantido a sua integridade étnica e religiosa.

A tese nunca foi comprovada e mesmo um historiador judeu, como Shlomo Sand, professor de história da Universidade de Tel Aviv, em seu livro A Invenção do Povo Judeu, admite que, unidos por uma religião dominante, os judeus da diáspora foram se mesclando com diversos povos da Europa Central e mesmo do norte da África, o que é comum em todas as etnias.

Sand argumenta que, assim como os cristãos mais contemporâneos e os muçulmanos são descendentes de pessoas convertidas e não dos primeiros cristãos e muçulmanos, o judaísmo era originalmente, assim como seus dois primos, um proselitismo religioso.

De acordo ainda com Sand, os judeus que viviam em Israel, ao contrário da crença popular, não foram exilados pelos romanos e puderam permanecer na Palestina. Muitos judeus convertidos ao Islã após a conquista da região pelos árabes se tornaram os ancestrais dos árabes palestinos atuais

A consolidação de Israel, com o apoio dos Estados Unidos e surpreendentemente também da União Soviética, o tornou uma cunha dentro do mundo árabe, gerando uma sucessão de graves conflitos no Oriente Médio, em praticamente durante toda a segunda metade do século XX.

A pergunta que se faz é se os judeus não têm direito de viver em paz na terra que escolheram?

A resposta é obviamente que sim

Só que isso não elimina a segunda pergunta: os palestinos têm direito de viver em paz na terra em que nasceram?

Obviamente que sim.

A criação de um estado Judeu, que rapidamente expandiu suas fronteiras por terras que mesmo de acordo com a partilha da ONU, pertenceriam aos palestinos, inviabilizou aquela que seria a melhor solução para os dois povos: a criação de um estado único, laico e democrático que respeitasse os direitos de árabes e judeus.

Isso agora não é mais possível e ações armadas de Israel contra seus vizinhos e as represálias dos árabes não vão solucionar a questão.

A alternativa que resta é Israel aceitar a criação de um estado Palestino, com a transformação de Jerusalém numa cidade neutra e aberta para que os dois povos possam construir uma sociedade pacífica e democrática.

 

 

 


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