O castigo para os ateus.

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Deus estava deveras preocupado com o crescimento do ateísmo na Terra e resolveu dar uma demonstração de força.
Convocou seu Conselho de Guerra para decidir o que seria melhor fazer.
De saída, disse que sugestões como um novo Dilúvio, bolas de fogo destruindo cidades como Sodoma e Gomorra, por exemplo, estavam fora de cogitação, até porque seriam considerados procedimentos ecologicamente condenáveis.
Alguém propôs que mandasse seu filho novamente para começar outra pregação na Palestina, mas como um pai preocupado com seu único filho, Deus disse que jamais o enviaria de novo para a Palestina. Ele explicou que a região era hoje um lugar de alto risco e provavelmente Jesus, mesmo com todo seu estoque de milagres, talvez não sobrevivesse até os 33 anos, como na primeira vez.
Ainda havia o problema do anti-semitismo, porque Jesus teria que ser morto novamente a pedido dos judeus e a reação dos árabes poderia ser fora do esquema bíblico, até porque eles, os árabes, não participaram da primeira edição e não conheciam o roteiro a ser seguido.
Gabriel sugeriu que fosse enviado um anjo de sua confiança, versado nas teorias de evolução das espécies de Darwin, para questionar o grande ateu, Richard Dawkins, em suas conferências sobre ateísmo e assim minar sua credibilidade.
Deus vetou a proposta porque detestava Darwin e não acreditava que Gabriel tivesse algum anjo com um QI suficiente para enfrentar o Dawkins.
São José, que era visto como um sujeito de poucas luzes, um ingênuo que até hoje acredita que Maria foi engravidada por um anjo, mas que era aceito no Conselho por causa dos cuidados que teve com Jesus na sua infância, o ensinando inclusive as artes da marcenaria, sugeriu que fosse espalhada a ideia de que o Bolsonaro era ateu.
Como ninguém entendeu a proposta, São José explicou:
– É que se o Bolsonaro for ateu, as pessoas vão ficar contra ele.
Realmente, São José era um sujeito muito confuso e logo todos se esqueceram dele.
O problema é que não surgira ainda a proposta vencedora para mostrar aos terráqueos a nova fúria de Deus.
Foi quando, quando alguém lembrou daquele velho político mineiro, que segundo dizia dava nó em pingo dágua, mas que, ultimamente, estava meio posto de lado pelas travessuras que seu neto andava fazendo na Terra.
– Tan – falou Deus com sua voz de trovão – tens alguma sugestão?
– A solução é simples, basta…
Quando terminou de ouvir a proposta, Deus imediatamente fechou a questão e mandou que contatassem imediatamente o Deltan em Curitiba e deu suas ordens, chamadas de Ordens Divinas, aquelas que não podem ser contestadas nem pelo STF e muito menos pelo TR4.
A partir de então, todos puderam ler na Folha, no Globo, no Estadão, em todos os sites e até mesmo naquele jornal, que a Lava Jato estava colocando na mira do Moro não apenas os petistas, mas também todos os ateus.


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