Boicote a Israel

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A Argentina cancelou o amistoso que faria sábado contra Israel, em Jerusalém, nas comemorações dos 70 anos de criação do estado judeu, depois de forte pressão da comunidade árabe de Jerusulém, que denunciou que o jogo faria parte do esforço do governo de Israel em justificar sua política expansionista na região.

No mundo artístico tem sido comum atos de denúncia contra a política de Israel em relação aos árabes. Artistas como Roger Waters, Elvis Costelo e Laurin Hill e até o brasileiro Gilberto Gil cancelaram shows em Israel por motivos políticos.

Existe inclusive hoje um movimento internacional denominado BDS, Boicotes, Desinvestimento e Sanções contra Israel para denunciar a política de apartheid que o governo do país realiza contra os palestinos.

Recorda-se que ações semelhantes no passado desestabilizaram o governo racista da África do Sul. A existência de estado assumidamente religioso, encravado dentro do mundo islâmico e protegido pelos Estados Unidos, é e será sempre uma fonte de conflitos na região.

Nascido após a segunda guerra mundial, quando mundo inteiro ficou abalado pelas revelações do holocausto, onde milhões de judeus foram dizimados pelos nazistas, ele teve o apoio inicial da União Soviética e dos Estados Unidos e a tolerância do Reino Unido, mas seus governos nunca negaram a ambição de ampliar suas fronteiras, através de guerras e limpezas étnicas às custas das terras e das vidas dos palestinos.

Para os que nunca se preocuparam em conhecer os fatos históricos, é bom lembrar que a criação de um estado judeu começou a ser discutida desde o Congresso de Basel de 1897, quando Theodor Hezl lançou o Movimento Sionista. Desde então, vários congressos foram realizados, mas a volta para Israel nunca foi unanimidade entre os judeus, principalmente aqueles já assimilados na Europa, nem onde seria formado esse novo país.

Num desses congressos chegou-se a aprovar, no início do século XX, a escolha da Uganda, então sob o domínio britânico, para ser a nova Israel. Outros lugares cogitados: Birobidjan, na União Soviética (Stalin chegou a concordar com a formação de uma república judaica autônoma no extremo oriente da URSS), a Ilha de Madagascar, a Guiana Britânica e até a Patagônia.

A opção pela Palestina só se tornou real em 1917, a partir da chamada Declaração Balfour. Como necessitava de recursos na sua guerra contra o Império Otomano,, que dominava a Palestina, o Secretário de Assuntos Estrangeiros do Reino Unido, Lord Balfour, negociou com o Barão Rothschild, líder da comunidade judaica um grande empréstimo financeiro em troca do apoio britânico à criação de “um lar judeu” na Palestina, com a ressalva que o novo país deveria respeitar os direitos das populações não judaicas da região, o que , como vimos, não aconteceu


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1 comentário em “Boicote a Israel”

  1. “Há aqueles para quem a ocupação da Cisjordânia é simplesmente o último caso de colonialismo europeu e a recordação do Holocausto é total e politicamente instrumentalizada para legitimar essa expansão colonial. Os mesmos padrões ético-políticos deveriam aplicar-se a todos, inclusive aos israelenses. Desse ponto de vista, o fato de os muçulmanos árabes continuarem a servir de estranhos ao constitutivo da Europa é exatamente o que devemos submeter à serena análise crítica que deveria ” desconstruir ” a imagem da ameaça fundamentalista islâmica”
    Nota ao pé.
    ” Apesar de o público francês e europeu em geral, ficar horrorizado ao saber que 9% dos franceses têm atitudes anti-semitas, ninguém fica muito chocado com o fato de o dobro dos franceses ter atitudes antimuçulmanas”.

    Do livro;
    ” A Visão em Paralaxe ”
    ASutyor :Slavoj Zizek
    Editora Boitempo, 2008

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