Uma nova agressão norte-americana

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Os Estados Unidos se preparam para desencadear uma campanha de terror contra a Venezuela, que não exclui, inclusive, o uso de suas forças armadas.

A denúncia foi feita semana pela jornalista argentina Stella Calloni, 83 anos, correspondente do jornal mexicano La Jornada e da revista eletrônica Diálogos do Sul e autora do livro Os Anos do Lobo – A Operação Condor – a partir de um documento de 11 páginas do Almirante Kurt Walter Tidd, comandante das forças americanas no sul do Continente, a SouthCom, com sugestões ao Presidente  Trump  de como agir na Venezuela.

A matéria, publicada também pela edição portuguesa do site pravda.ru.  reproduz algumas das avaliações do militar americano sobre a Venezuela, tais como : «A ditadura venezuelana chavista como resultado dos seus problemas internos, da grande escassez de alimentos, do esgotamento das fontes de dinheiro externo e de uma corrupção desenfreada, que diminuiu o apoio internacional, ganho com petrodólares, e que o valor da moeda nacional dura pouco tempo e o poder aquisitivo da moeda nacional está em queda constante»

O plano vê nessa situação de crise a oportunidade para «intensificar a derrubada definitiva do chavismo e a expulsão do seu representante, minar o apoio popular ao governo e incentivar a insatisfação popular, aumentando o processo de desestabilização e de falta de abastecimento para garantir a deterioração irreversível do seu atual ditador».

Para isso, segundo, o Almirante Tidd , será preciso «exacerbar a divisão entre os membros do grupo do governo, revelando as diferenças das suas condições de vida e dos seus seguidores e, ao mesmo tempo, incitando-os a manter essas divergências num crescendo».

O documento assinado pelo Chefe do Comando Sul norte-americano defende a política de tornar o governo de Maduro insustentável, forçando-o a vacilar, negociar ou fugir, através de uma política que consiga «Incrementar a instabilidade interna para níveis críticos, intensificando a descapitalização do país, a fuga de capitais estrangeiros e a deterioração da moeda nacional, mediante a aplicação de novas medidas inflacionárias que incrementem essa deterioração».

Um dos objetivos previstos é «obstruir todas as importações e ao mesmo tempo desmotivar os possíveis investidores estrangeiros e contribuir para tornar mais crítica a situação da população».

Para atingir esses fins, o plano prevê «apelar a aliados domésticos, assim como a outras pessoas inseridas no cenário nacional, com o objetivo de gerar protestos, distúrbios e insegurança, pilhagem, saques, roubos, assaltos e sequestros de navios e de outros meios de transporte, com a intenção de cortar o abastecimento do país, através de todas as fronteiras e de outras maneiras possíveis, pondo em perigo à  segurança nacional dos seus vizinhos»”

O plano desce a detalhes, tais como «causar vítimas e apontar como responsável o governo da Venezuela ampliando, perante o mundo, a crise humanitária a que está submetido o país;  ligar o governo ao narcotráfico para desacreditar a sua imagem perante o mundo e os seus seguidores internos, além de promover o cansaço entre os membros do PSUV, Partido Socialista Unificado da Venezuela, incitando a discórdia entre eles próprios, para que rompam ruidosamente as relações com o governo e para que rechacem as medidas e restrições que também os afetam e torná-los assim,tão débeis quanto a oposição, criando fricções entre o PSUV e Somos Venezuela».

A proposta vai aumentando de tom como quando apela «estruturar um plano para lograr a deserção dos profissionais mais qualificados do país, para  deixá-lo totalmente sem profissionais, o que agravará ainda mais a situação interna e neste sentido culpar o governo»

Quanto às forças armadas da Venezuela, o plano propõe «utilizar os oficiais do exército como uma alternativa de solução definitiva e continuar endurecendo a situação dentro das Forças Armadas para levar a cabo um Golpe de Estado, antes que finalize 2018, se esta crise não levar a que a ditadura colapse, ou se o ditador não se decide afastar-se».

Caso isso não dê certo, o plano propõe a «continuar o fogo contínuo na fronteira com a Colômbia, multiplicar o tráfico de combustível e outros bens, o movimento dos paramilitares, incursões armadas e tráfico de drogas, provocando incidentes armados com as forças de Segurança da Fronteira; recrutar paramilitares principalmente dos campos de refugiados em Cucuta, La Guajira e Norte de Santander, áreas sobretudo habitadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e que agora retornaram, fugindo do regime que intensificou a desestabilização das fronteiras entre os dois países, usando o espaço vazio deixado pelas FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], a beligerância do ELN [Exército de Libertação Nacional (Colômbia)] e as atividades na área do Cartel do Golfo (paramilitares)».

Outra alternativa prevista no plano é  obter o apoio e cooperação das autoridades aliadas de países amigos (Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá e Guiana). Organizar as provisões das tropas, apoio logístico e médico desde o Panamá. Fazer bom uso das instalações de vigilância eletrônica e de sinais inteligentes; de hospitais e instalações existentes em Darién (selva panamenha), do equipamento de drones do Plano Colômbia, bem como dos terrenos das antigas bases militares de Howard e Albroock (Panamá), bem como as pertencentes ao Rio Hato,além do Centro Regional Humanitário das Nações Unidas, projetado para situações de catástrofe e emergência humanitárias, que conta com uma pista de aviação  e armazéns próprios».

Sob o ponto de vista militar, o Almirante, propõe «avançar no estacionamento de aviões de combate e helicópteros, veículos blindados, posições de inteligência e unidades militares de logística especiais (polícia, oficiais militares e prisões) e desenvolver a operação militar sob bandeira internacional, patrocinada pela Conferência dos Exércitos Latino-Americanos, sob a proteção da OEA e a supervisão, no contexto jurídico e mediático, do Secretário-Geral da OEA, além de coordenar o apoio da Colômbia, Brasil, Guiana, Aruba, Curaçao, Trinidad e Tobago e outros Estados frente ao fluxo de migrantes venezuelanos devido aos eventos da crise».

Além dos aspectos militares o plano assinado pelo Almirante Tidd trata da questão da mídia, quando apela para incrementar dentro do país, através dos meios de comunicação locais e estrangeiros, a disseminação de mensagens desenhadas e baseadas em depoimentos e publicações originadas no próprio país, fazendo uso de todas as capacidades possíveis, incluindo as redes sociais, e, por outro lado, «apelar através dos meios de comunicação para a necessidade de pôr fim a essa situação porque é, em essência, insustentável».+

Como um verdadeiro happy end (para os americanos) o plano pretende ”promover a necessidade do envio da Força Militar da ONU para imposição da paz, uma vez que a ditadura corrupta de Nicolás Maduro seja derrubada»

 


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