Nós, os velhos e o poeta que faltou

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Quando o governo do PT lançou o programa Mais Médicos e as entidades de classe foram contra, um grupo de médicos de esquerda, aqui de Porto Alegre se uniu para defender a ideia num site.

Meu ponto de contato com eles era o Dr.Franklin, que além de médico é um escritor. A convite dele me integrei ao grupo e passei a colaborar no site. Quando ele acabou, continuamos nos reunindo para fazer a coisa que mais gostamos, discutir política.

Mensalmente, nos reunimos para isso. Ontem, a reunião foi em torno de uma paella e muitos vinhos. Alguém de fora poderia dizer que são burgueses, com a vida resolvida, discursando em favor de uma hipotética revolução socialista.

Até pode ser, mas isso não é tudo. Muitos dos que estavam ali sentiram na pele como foi aquela outra ditadura, a que começou em 64, e estavam ali para exorcizar o demônio que parece querer voltar sob o aplauso de um monte de alienados políticos.

Eu, sai reconfortado da reunião. Aqueles velhos, vamos assumir essa condição, têm uma qualidade que talvez falte em outros mais jovens: eles não se entregam. Pelo contrário eles resistem.

Devíamos ter terminado ( talvez façamos na próxima reunião) declamando juntos os versos de Carlos Drummond de Andrade, o nosso poeta maior: “O poeta / declina de toda responsabilidade / na marcha do mundo capitalista / e com suas palavras, intuições, / símbolos e outras armas / promete ajudar / a destruí-lo / como uma pedreira, uma floresta,/ um verme”.


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1 comentário em “Nós, os velhos e o poeta que faltou”

  1. Quado Pandora abriu a caixa que Zeus, via Epimeteu, lhe tinha doado, dela fugiram todos os males do mundo e no fundo só ficou a esperança, sem a qual não podemos viver.

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