O pacote misterioso

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No próximo dia primeiro de maio vou me livrar de uma responsabilidade que há exatamente 40 anos é um tormento na minha vida.. Nesse dia, estarei autorizado a abrir o envelope o que me foi entregue em 1978, na Rue de Chaligny, em Paris, às 9 horas da manhã e finalmente conhecer seu conteúdo.
Nesse dia, tentando me adaptar aos hábitos franceses, carregava uma baguete, comprada numa boulangerie do Boulevard Diderot, quando fui interpelado por um homem dos seus 50 anos, alto, barba cerrada, óculos de grau, falando um português com forte sotaque nordestino.
– Marino Boeira, de Porto Alegre?
– Sim
– Hospedado no hotel Citadines Bastille, Gare de Lyon?
– Sim
Então, ele tirou de uma pasta um grosso envelope em papel pardo e me disse com voz de quem estava acostumado a mandar.
– Pegue. Você deve levar este envelope para o Brasil e só abrir no dia primeiro de maio de 2018, às 10 horas da manhã, horário de Brasília, e ligar para o telefone que está escrito na primeira linha do documento. Apenas isso.
– E por que vou fazer isso, se nem lhe conheço e não sei o que este pacote contém. O senhor parece que não sabe que vivemos numa ditadura militar no Brasil, onde todo mundo é suspeito.
– Exatamente por isso, que você deve levar o envelope. Naquele curso sobre marxismo e na vivência no Partidão, não lhe disseram que é preciso se arriscar pela causa?
– Sim, mas de que vai servir o conteúdo desse pacote, se ele só poderá ser aberto em 2018, daqui a 40 anos.
– Acredite, as coisas poderão estar,então, piores do que hoje.
Parece que o meu misterioso personagem adivinhou o futuro. As coisas estão novamente muito ruins. Quem sabe a pessoa para quem devo telefonar, tenha uma solução.


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