Na cama com a grande estrela de Hollywood

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Vou contar o milagre, mas não vou dar o nome do santo, ou melhor, da santa.

Por volta do final dos anos 80, eu era ainda um publicitário com um razoável destaque na área. Na época, ia frequentemente  ao Rio e São Paulo para acompanhar a produção de filmes comerciais.

Naquele dia de outubro, uma terça-feira, eu estava no Rio e tinha programada  uma reunião na produtora de filmes para aprovar um copião, no fim da tarde.

Quando cheguei, havia um grande movimento de pessoas na produtora.  O Edgar, que era meu contato,  foi logo me avisando que eu só poderia revisar o copião no dia seguinte,  porque o estúdio e as ilhas de edição estavam ocupados por um pessoal americano que viera ao Brasil para filmar algumas cenas  com a famosa atriz de Hollywood.. .e aí me disse o nome da santa milagrosa que não posso revelar.

Eu tinha lido no jornal que ela estava no Rio para completar as imagens de um filme de espionagem que começara por Nova York, passara por Paris, Londres e Moscou e terminava no Brasil.

Ela era a atriz do momento em Hollywood e seu casamento com um famoso produtor, fora considerado o casamento do ano por todas as revistas especializadas.

Diziam que além de extraordinariamente bonita, ela era também uma excelente atriz, candidata ao Oscar do ano.

Segundo o Edgar ela havia rodado várias cenas em pontos turísticos do Rio, mas o diretor de fotografia não havia ficado satisfeito com os closes da atriz e por isso arrendaram todas instalações da produtora para filmar os closes no estúdio, onde a luz poderia ser melhor controlada.

Quando cheguei, esse trabalho tinha terminado e o pessoal de Hollywood se preparava para ir embora para o hotel.

De longe, pude ver que a grande estrela estava no meio de um grupo e parecia irritada com o assédio das pessoas e com a demora para chegar o carro que a levaria embora.

O Edgar havia pedido o fusca da produtora para me levar para o hotel

Chovia muito nesse momento no Rio, o que aumentava a confusão.

O meu carro chegou antes do dela e quando abri a porta para entrar no banco traseiro do Fusca, a grande estrela se adiantou e perguntou

– Pode ser uma carona?

Nem esperou a resposta e aproveitando a porta aberta entrou. Rapidamente também entrei e sentei ao lado dela.

– Vamos sair daqui, disse ao motorista, enquanto olhava pela janela de trás e via o espanto dos acompanhantes da grande estrela.

Ela sabia uma meia dúzia de palavras em português e eu mais meia dúzia em inglês e com essa dúzia de palavras, acertamos nosso roteiro.

Ela não queria voltar para o hotel porque aquele pessoal que a acompanhava era muito chato –  – boaring  – e estava louca para viver um pouco como uma carioca.

– Que tal umas caipirinhas na beira da praia – on the beach – ?

Foi assim que fomos parar num bar em Copacabana, onde derrubamos várias caipirinhas com pastel de queijo e linguicinhas.

Obviamente, ela me disse que apesar de bela e rica, era uma mulher infeliz a procura de um grande amor, como seria previsível num desabafo de uma estrela do cinema.

Sem querer adiantar muito a história, decidimos, ela decidiu, que deveríamos passar a noite juntos e não seria no Copacabana  Palace, mas no hotel de três estrelas na Nossa Senhora de Copacabana que a produtora tinha reservado para mim

A vantagem é que ele ficava a uma quadra do bar. Romanticamente – just like the movie singing in the rain- como ela disse, corremos  no meio da chuva e chegamos na portaria do hotel.

O cara da recepção ficou surpreso, não tanto porque estávamos bem molhados, mas porque ele reconheceu a estrela famosa.

– É ela?

– É muito parecida, mas não é ela, respondi enquanto pegava a chave.

Já no quarto, vendo ela se despir, me dei conta que era ainda mais bonita do que no cinema.

Foi quando, incorporando o grande amante latino, me preparava para chegar ao clímax da história,  que ela tomou um rumo inesperado para o papel que eu deveria fazer.

Seja por causa das caipirinhas em excesso ou pela emoção do momento, a coisa desandou literalmente

Em vez de tentar oferecer alguma alternativa sexual para o aumento (quem sabe o sexo tântrico?) me baixou uma profunda depressão e pus a chorar compulsivamente.

Ela então me tomou nos braços e meigamente disse  easy my dear friend. Dont cry.

Não lembro bem do restante, só que acordei quando o sol já entrava pela janela. Estávamos os dois nus e abraçados, quando o espírito do amante latino baixou (literalmente) com toda a força e fiz o que se esperava de um verdadeiro amante latino  – a true latin lover .

Horas depois, fomos embora, ela num taxi para o Copacabana Palace e eu de volta à produtora.


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3 comentários em “Na cama com a grande estrela de Hollywood”

  1. Abaixo dos 40 anos, cerca de 10% dos homens sofrem de oligospermia e/ou de azoospermia.
    Acima dos 50, cerca de 15 a 20 % e acima dos 70, mais de 50% têm baixa produção de espermatozóides. As causas não vêm ao caso como diria um certo ministro do STF. mas é fantástica a quantidade de espermatozóides contados e contidos numa só ejaculação com cerca de 3 ml: 300 milhões !!! Sabendo-se que, em geral, só um fecunda um óvulo, pergunta-se o que fazem os outros 299.299.299?
    Levando-se o tamanho de um espermatozóide e a distância que ele tem que percorrer entre e vagina e a trompa de Falópio onde acontece a fecundação, pode-se dizer que este trajeto corresponde a uma maratona humana de 10 kms. Então, as múltiplas causas que não proporcionem a eles uma vitalidade biológica perfeita, dificultará a quantidade e a mobilidade dessas células germinais destinadas à fecundação de um só óvulo.
    Na verdade, em cerca de 50% dos casais inférteis, somam-se as deficiências reprodutivas do parceiro e da parceira,isto é, azoospermia mais anovulação.
    Conduta: o primeiro exame a se fazer num casal que tem dificuldade em procriar é um espermograma e só se este for normal em quantidade e qualidade é que se está autorizado a iniciar a pesquisa na mulher.
    Penso mais: antes mesmo de se solicitar uma contagem de espermatozóides, deve-se conhecer a qualidade da vida sexual do casal, isto porque uma das causas atuais mais frequentes dos casais que tem dificuldade em ter filhos é o que se chama de” impotencia coeundi “.
    E nesses casos, um singelo e sadio mecânico, vale mais do que dois sofisticados intelectuais da elite cultural do nosso meio.
    Com minhas efusivas saudações ao amigo e excelente escritor, Maino Boeira.
    Franklin Cunha

  2. O comentário anterior é válido para os casais referidos pelo Marino.
    No caso da estrela americana, pergunto se ela depois engravidou?
    FC

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