A Clau e a Mari estão grávidas

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Claudete, que todos chamavam Clau, estudava História na UFRGS.

Marinês, que todos chamavam Mari, estudava Ciências Sociais na UFRGS

Marivaldo, que todos chamavam Mariva, estudava Direito na UFRGS

Klaus, que todos chamavam mesmo de Klaus, estudava Filosofia na UFRGS

Os quatro se conheceram no Centro Acadêmico  F.D.Roosevelt, quando do movimento Diretas Já e ficaram amigos inseparáveis.

Tão inseparáveis que resolveram viver juntos. Como eram pessoas sem preconceitos, decidiram que formar uma espécie de união estável a quatro.

Quando, Clau e  Mari, dois anos depois, decidiram que queriam ser mães, surgiu o problema, quem seria o pai do filho de quem.

Nessa altura, Mariva, com a sua banca de advocacia ficara muito rico, enquanto Klaus, professor de Filosofia do Estado, ganhava um salário mínimo, o mesmo que Clau e Mari, também professoras.

Embora sempre houvesse aquela brincadeira de que os nomes deveriam aproximar os dois casais, ou seja,  Klaus com Clau e Mariva com Mari, decidiram democraticamente, que a parceira do Mariva seria escolhida por sorteio.

Deu a Clau,

Mariva e Clau foram morar no tríplex que ele comprara em Higienópolis, enquanto Klaus e Mari continuaram no quarto e sala da Lima e Silva.

Um ano depois, nem Clau, nem Mari conseguiram engravidar.

Resolveram então fazer uma nova combinação: Mari foi morar com Mariva, enquanto a Clau veio para o apartamento da Lima e Silva, com o Klaus.

Tentaram mais um ano e nada.

Foi então qu , numa noite em que falavam sobre os melhores poetas brasileiros,  Klaus recitou aqueles versos do Drummond:

João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria, que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém. / João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, / Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes / que não tinha entrado na história.

– Aí está a solução. Precisamos encontrar o J. Pinto Fernandes, disse a Clau

De início, os outros três não compreenderam, até que o Klaus sacou

– Precisamos encontrar o J. Pinto Fernandes para engravidar a Clau e a Mari.

No resto da semana ficaram procurando o candidato ideal. Vários nomes foram aventados e postos de lado – um por causa da idade, outro que parecia pouco saudável e um até mesmo porque era eleitor confesso do Júnior.

Finalmente, o candidato vencedor foi o Jorjão , que trabalhava como mecânico numa oficina no Cristal e inclusive era operário com consciência política, já que inclusive comandara uma greve que lhe causara a perda do emprego como soldador da GM em Gravataí.

O fato de ser casado e com muitos filhos não foi visto como problema. Ele não iria querer prolongar a relação e acima de tudo era uma prova de sua fertilidade.

O Klaus levantou algumas objeções, mas não teve coragem de dizer que lhe incomodava o fato do Jorjão ser um negro retinto e foi voto vencido

Foi a Clau que convenceu o Jorjão da importância da sua tarefa.

Durante uma semana, o Jorjão compareceu diariamente, pela manhã com a Clau e de tarde com a Mari.

Um mês depois veio a notícia, aliás, as noticias, a Clau e a Mari estão grávidas e o Mariva e o  Klaus vão ser papais.


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