O motel dos gaúchos

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Vivemos uma época de contradições: ansiamos pelo novo, mas gostamos de cultivar o passado. O segredo está, me parece, em misturar os dois, sem preconceitos, sem parti pris.
Sei que parti pris pode ser traduzido por preconceito, mas estava procurando um jeito de usar esse galicismo e aproveitei a oportunidade. Aliás, galicismo também há muito estava na lista das palavras que queria usar.
Bom, vamos adiante.
Motel ainda é uma instituição nova ou já virou museu?
Vamos supor que ainda seja nova.
Já cultivar tradições gaúchas, com todo o respeito, é coisa do passado.
O que estou propondo então é misturar esses dois elementos.
Há anos, quando o Luis Fernando Veríssimo cedia seu espaço em Zero Hora, nas sextas feiras, para seus colegas da MPM, já escrevi sobre isso, trazendo algumas confusões para o dono da coluna, porque alguns leitores desavisados confundiram o interino com o dono.
Hoje, como não existe mais esse risco, retomo a proposta, endereçada agora ao famoso publicitário Roberto Pintaúde, cuja agência de propaganda tem a conta de uma rede de motéis em Porto Alegre.
Por que, Pintaúde, não criar o motel dos gaúchos?
Podes aproveitar a idéia, ou como dizem os publicitários, podes chupar a idéia.
Um enorme galpão, com cobertura de palha santa fé, bem rústico, no meio de um descampado protegido apenas por uma cerca de arame farpado.
Nos quartos, em vez de camas redondas, grandes e macios pelegos.
Nas suítes, no lugar da piscina, uma sanga de água corrente.
Como música ambiental, velhos sucessos do Teixeirinha.
Para os sado masoquistas, uma sala especial com arreios, chicotes e esporas.
Para os nostálgicos da adolescência, barrancos ao ar livre.
Os mais modernos poderão participar do suingue à moda da Fronteira, onde se pratica sexo numa roda de chimarrão.
A equipe de atendimento do motel deverá ter um patrão, capatazes, mucamas e piás de recado.
A cozinha terá fogão de chão e panelas de ferro. No cardápio, rabada e tripa grossa com quibebe.
Embora sejas um especialista em dar nomes as coisas, Pintaúde, sugiro Estância dos Prazeres para esse motel.
Mas nada de neon nos letreiros. Apenas o nome gravado a fogo numa madeira, na porteira de entrada.
O que te parece guasca velho?


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1 comentário em “O motel dos gaúchos”

  1. Amigo e colega carioca, sexólogo refinado, quando de um congresso médico em Pelotas deram-lhe um legítimo regalo gaudério: uma cuia, bomba e um quilo de erva da Palmeira.
    A partir dai, em sua sofisticada clínica de Copacabana, diante de suas e seus clientes e colegas, passou, diariamente a chupar mate.
    Quando lhe perguntavam, o que era e porque adotara aquele hábito, respondia que tratava-se apenas de uma nova técnica sexual que os gaúchos lhe ensinaram.
    Só que, ao sentir o verdoso líquido muito quente e amargo, adicionava à erva umas gotas de adoçante e um pouco de água mineral. Com gás.

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