Mais presídios, menos escolas.

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Há muito tempo aprendi que há duas maneiras de ler uma notícia: a obvia, que é aquela factual que se o prende apenas ao seu enunciado e outra, a que procura entender o que está por trás do que foi dito ou escrito.

Um exemplo: Rosane Oliveira (sempre ela) em ZH, elogia a iniciativa de empresários gaúchos que doaram 14 milhões de reais para a compra de equipamentos para a polícia e pretendem arrecadar mais 300 milhões.

Obviamente, esses empresários não fazem isso sem pensar nas vantagens que terão. E o que esperam? Acima de tudo, mais segurança pública para tocar seus negócios.

Hoje, numa sociedade onde a pobreza é cada vez maior, e as oportunidades de emprego escasseiam, segurança pública significa manter todo esse contingente de deserdados da fortuna conformados com a enorme injustiça social da qual são vítimas.

É para isso que os empresários estão investindo em segurança pública e não por um sentimento de cidadania, como diz a jornalista. O Estado abre mão das suas funções de cuidar de uma verdadeira segurança pública e a deixa nas mãos de quem olha para os pobres como inimigos.

Uma pergunta: por que esses empresários, tão preocupados com a cidadania, não investem na educação, ajudando o Estado nessa área. O magnifico prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha, quase em ruínas, na Avenida Osvaldo Aranha, não mereceria atenção dessa gente?

Certamente que não. Os empresários gaúchos querem mais presídios e não mais escolas.


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1 comentário em “Mais presídios, menos escolas.”

  1. Concordo. Estes figurões estão sinalizando preocupação com o caldeirão social em ebulição. Segundo a opinião limitada destes seres, a saída é aprisionar os que não se submetem ao azarado destino. Falta tanto dinheiro no mundo… Ah, mas vá carpir um lote. Tem é dinheiro de sobra, falta é sensibilidade e visão. Digamos, por exemplo, que os tais 300 milhões fossem destinados à Educação. Poderíamos dar um salto de qualidade aqui mesmo no nosso esquecido estado do RS. Quem diria, mas vou dizer: Brizola faz falta, em comparação com os que estão por aí. Foi o que mais se preocupou com a Educação, dentre os políticos influentes aqui em Bifaland.

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