Ao vivo do Calvário

Um grande escritor pode escrever livros menos importantes, mas mesmo assim muito interessantes, caso do americano Gore Vidal (1925/2012).

Autor de obras clássicas, como Império, Washington DC e Burr, Gore escreveu um pequeno livro, cheio de ironias e que merece ser lido: ao Vivo do Calvário.Graças a um extraordinário avanço tecnológico, a rede de TV NBC conseguiu voltar ao passado e vai transmitir ao vivo a crucificação de Cristo.

Herdeiro de uma tradicional família americana, Gore Vidal começou cedo na literatura com o livro A Cidade e o Pilar (1948), que escandalizou a sociedade americana por falar abertamente sobre a questão do homossexualismo.

Gore, um gay assumido, foi o roteirista de Ben Hur (1959), dirigido por Willian Wyler e segundo contou depois, conseguiu colocar na relação de Ben Hur (Charlon Heston) com Messala (Stephen Boyd) um viés homossexual. Segundo ele, Heston, um machista assumido e presidente do Clube do Rifle, nos Estados Unidos, nunca se deu conta disso.

Oportunidade perdida.

As vezes dá vontade de dizer – viu, bem feito.

O PT esteve no poder durante 14 anos, mas teve medo de exercer o poder. Parecia pobre pedindo licença para se servir na mesa dos burgueses.

O Lula e a Dilma formaram o atual quadro do Supremo,onde o PT não tem voto. Deram poder aos Procuradores da República e à Polícia Federal, que em agradecimento denunciaram o Lula e vão prendê-lo.

Aí vêm com essa conversa mole de “postura republicana”.

Tiveram, como nenhum outro presidente, principalmente o Lula, um mandato popular para exercer o poder, mas se esconderam atrás de um discurso, dito republicano, coisa que o FHC, por exemplo, nunca fez.

Isso sem falar na Rede Globo, tratada a pão de ló pelo Lula e pela Dilma na hora de distribuir as verbas publicitárias que sustentam esse monstro.

Agora, não adianta reclamar

O homem que amava as mulheres


Ele morava sozinho num apartamento de um velho edifício perto da Usina do Gasômetro, na Rua Washington Luís, que ele insistia em chamar de Pantaleão Teles.
Quando perguntei porque esse saudosismo, ele disse que nem sabia quem era o tal Pantaleão, mas não gostava do Washington Luís, “aquele representante da elite paulista varrida pela Revolução de 30”.- Depois a Pantaleão era a rua de muitas mulheres, uma rua de meretrício, por isso mudaram o nome.
-Esses caras têm horror das mulheres.
Mulheres, era por isso que eu estava agora naquele apartamento. Ele soubera que eu havia escrito alguns livros – livros que a bem da verdade, poucos leram – e agora queria que eu escrevesse sua biografia.
E tinha até pronto o título do livro
O Homem que amava as mulheres.
Falei para ele que já havia o livro do Padura fazendo sucesso – O Homem que amava os cachorros – mas ele disse que não tinha lido e era de mulheres e não de cachorros que ele queria falar.
Disse também que havia um filme do François Truffaut de 1977, com este título.
-Eu vi esse filme. Acho que ele não vai se incomodar que eu aproveite seu título.
Como não tinha dinheiro para pagar meu trabalho, ofereceu em troca do meu trabalho sua biblioteca com centenas de livros e uma coleção de garrafas de uísque intocadas.
– Os livros, não posso mais ler porque estou quase cego e em relação a bebidas, só tomo vinho.
Essa explicação ele me deu, enchendo meu copo com um malbec argentino.
Passamos a tarde juntos.
Eu tinha levado o gravador e registrara suas histórias, prometendo que depois que escrevesse alguma coisa, voltaria para conversar com ele.
Nunca mais o vi.
Ou vi apenas nas páginas policiais quando encontrei a notícia de que um ancião que vivia sozinho num apartamento da Washington Luís, havia sido encontrado morto e seus vizinhos disseram que era um sujeito muito estranho.
O jornal o classificou de misógino. O jornalista imbecil que escreveu isso, deve ter pensado que o termo de origem grega significava um sujeito solitário, quando o significado verdadeiro era de um homem que odeia as mulheres.
Logo ele, que, acima de tudo, amava as mulheres.
Fui então procurar o velho gravador de pilha e comecei a relembrar as frases entrecortadas do seu depoimento.
O livro, não vou mais escrever, mas algumas das frases que ele disse, gostaria de dividir com vocês:
– O homem só existe por causa de uma mulher
– Mesmo quando não valem nada, elas são maravilhosas
– As mulheres me deram tudo, inclusive a vida.
– Amei centenas de mulheres. Muitas delas nunca ficaram sabendo. A maioria me traiu, mas nunca tive ódio delas.
– Amei desde as estrelas do cinema, até àquela menina de óculos que frequentava a missa das 10 na Igreja São João e nunca soube da minha existência.
– Sempre fui eclético nos meus amores cinematográficos. Sonhei com os seios da Jane Russel, no Proscrito, com aquelas italianas exuberantes como o Gina Lolobrigida e a Silvana Pampanini e as metidas intelectuais, todas francesas, como a Jeanne Moreau, a Michele Morgan e a Simone Signoret.
– Tem os que não gostam das mulheres. Tenho pena deles. Li uma vez que, quando o pai não consegue impor limites ao filho, que está literalmente grudado na mão, ele interioriza as características femininas da mãe, inclusive seu objeto de desejo, o homem. Seria um novo triângulo, pai passivo/mãe dominadora/ filho efeminado. Meio complicado isso. Prefiro o Analista de Bagé, daquele menino, o Luís Fernando, filho do Érico
– Amei mais de uma mulher ao mesmo tempo e fui fiel a todas elas nessas ocasiões. Elas, não.
– Vou confessar. Sou polígamo por natureza, mas gostaria que as minhas mulheres fossem monógamas. Bobagem. Elas são o que elas são.
– Traição? Nunca trai nenhuma. Claro que eu não falava da existência das outras. Mas quando estava com elas, não pensava nas outras. Elas, sim, pensavam em outros. Uma delas, uma vez, trocou meu nome numa hora bem imprópria.
– Chamou de quê?
-Acho que de Maicon, ou coisa que valha. Um nome americano, desses de cantor de rock. Logo eu que tenho um nome bem brasileiro.
– Vou te dar o nome de uma mulher famosa que conheci biblicamente. Na Bíblia é assim: David conheceu Sara e ela deu a luz a Jacó. Ou seja, na Bíblia, conhecer é sinônimo de transar.
_ Nome dela é ….
Vocês não vão acreditar, mas a fita se rompeu exatamente nesse momento e não vamos ficar sabendo que mulher era essa.
Acho que vou organizar todo esse material e ver se existe algum editor disposto a publicar. A meu pedido a Carmen Cecília já fez uma ilustração para o livro, porque ela, além de ser uma grande artista, acredita no amor.
Eu, depois de ouvir o que ficou no meu gravador, também começo a acreditar.

Tatuado

O dia 31 de dezembro de 2030 era a data limite.
Há muito, ele fora advertido que não poderia passar nem um minuto mais da meia noite do ultimo dia do ano sem cumprir as obrigações a que todas as pessoas que pertenciam à Nação estavam sujeitas.
Ele era então o único adulto, com mais de 18 anos, que ainda não tinha nenhuma tatuagem na pele.
Nas ruas, o chamavam de provocador.
Isso ele ainda era capaz de suportar, mas o que não podia aceitar é que sua recusa em fazer qualquer tatuagem em seu corpo era razão suficiente, pelas leis que vigoravam desde 2025, de que ele fosse expulso do cargo de professor da universidade e tivesse todos seus ganhos congelados.
Vivemos numa sociedade que cultua as tatuagens e sua recusa em aceitar uma tatuagem, por menor que seja no seu braço, é uma afronta à nossa cultura nacional, lhe dissera o reitor, tentando convencê-lo a aceitar o que era visto pelas autoridades como uma prova de adesão ao novo modelo comportamental do país.
Os poucos amigos que até há um ano atrás ainda resistiam ao seu lado, logo capitularam, deixando-o só.
Ou aceitas uma tatuagem ou serás enviado para um campo de reeducação, lhe dissera o Delegado Regional do governo em sua última carta-advertência.
Ao meio dia do último dia do ano, seu prazo fatal, ele tomou seu carro e dirigiu durante 10 horas, sem parar, em direção ao Chuí para entrar no Uruguai, onde segundo se dizia, a sociedade até aceitava os não-tatuados.
Foi detido no contorno de Pelotas por uma Patrulha de Costumes e enviado de volta a Porto Alegre, onde foi encaminhado para o Centro de Recuperação Social de Viamão.
Depois de resistir durante algum tempo a aceitar a prática, um boletim divulgado há uma semana pelo serviço de imprensa do Centro, informou que ele estaria disposto a experimentar uma tatuagem provisória feita de hena para ver como se sentiria.
Hoje, uma nova informação diz que houve uma regressão no estado do paciente, que depois de aceitar fazer uma tatuagem em hena, escreveu no braço esquerdo a frase EU RESISTO, considerada pelas autoridades como totalmente inadequada.
A nota diz que o paciente continua sob observação e as autoridades não perdem a esperança de que ela seja ainda recuperável e antes do fim do ano possa ser um novo tatuado, ainda que num primeiro momento, com apenas alguns rabiscos no braço direito.

Noticias do Brasil

1)E o Moro tinha razão. O Lula não é só dono do triplex, mas também do Taj Mahal, na Índia (os BRICs era só uma fachada para seus negócios), Versailles, na França (apenas uma parte, é lógico),o Quirinal, em Roma (uma triangulação com a OAS e o Papa), o Queluz, em Portugal (ele tem uso fruto com a Dilma e um português que para se disfarçar usa o cognome de Manuel Joaquim) e dizem que tem um apartamento em nome de um laranja no Kremlin, com vaga na garagem, que ganhou do Putin, embora nesse caso sejam apenas indícios. A informação de que teria comprado o Palácio do Catete, no Rio, com dinheiro desviado de um posto de combustível, não foi confirmada, embora a Globo insista que seja verdade.

2)Eleições sem Lula é fraude! Voto nele e se ele não puder ser candidato, voto em quem ele indicar. Só não sou PT. Nunca fui, porque o PT, como foi também o PDT do Brizola e até mesmo o PMDB em alguns momentos, são partidos que querem aprimorar o capitalismo, tornando-o menos selvagem, enquanto eu quero destruí-lo.

3)Como ateu, penso que as pessoas podem escolher a religião que quiserem para se consolarem das dificuldades que a vida apresenta para todos e apostarem numa solução mágica para continuarem depois da morte. O que me parece constrangedor é ver uma das mais altas funções do Estado, a de Presidente da Assembléia, ser confiada a uma pessoa que diz incorporar um médico alemão, que ninguém conhece e fazer operações com uma faca de cozinha, prometendo cura até o câncer, explorando a crendice popular para se eleger deputado. Marlon Santos, que já foi do PFL e hoje é do PDT, foi o terceiro mais votado na Assembléia e tem sua base eleitoral em Cachoeira do Sul, onde pratica a sua medicina”, pelo qual já foi preso e condenado em 1998. Em outubro, pretende concorrer a deputado federal, certamente para piorar ainda mais o nível cultural da nossa representação em Brasília.

4) Cem mil pessoas na Procissão dos Navegantes,em Porto Alegre, inclusive o Júnior. Isso me deixa com poucas esperanças de que um dia o Brasil possa ser um grande país.