Como cheguei voando aos braços de Anita

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Por razões óbvias, vamos chamá-la de Anita, deixando combinado desde já que esse não é o seu nome verdadeiro. Ela é minha vizinha, no andar debaixo, num prédio muito alto aqui na Zona Sul e motivo de desejo de todos os homens que circulam por aqui e acredito também de muitas mulheres.
Anita é linda, daquele tipo de beleza que é um insulto para a maioria das outras mulheres. Deve ter uns 30 anos, morena, alta, olhos verdes e como diria o Pinta, ela não caminha, flutua.
Vive com um cara que é professor de academia de ginástica e cujo braço tem a circunferência da minha perna. Nosso consolo é espalhar que ele é gay, obviamente tomando o cuidado de que ele não nos ouça.
Nessas últimas semanas, tenho vivido dividido entre duas fantasias, cair na cama da Anita e voar sobre a cidade, sem nunca ter me dar conta que a realização de uma, poderia ser o caminho para a conquista da outra.
Voar significa voar com as próprias forças, como fez o Ícaro, para os mais cultos ou o Super Homem,para a maioria.
Depois de uma longa pesquisa no Google, encontrei uma solução caseira para poder flutuar sobre Porto Alegre.
Usando centenas de sacos de supermercado (pelo jeito vou todos os dias no Zaffari) cheios de ar, fiz uma espécie de colchão, capaz de aguentar meu peso para um passeio aéreo que estimei em 30 minutos.
Tudo pronto, aproveitei o dia sem vento do sábado e me lancei ao espaço, a partir da janela do meu apartamento, no décimo quinto andar de um prédio aqui na Zona Sul.
E não é que a coisa estava funcionando. Movimentando alternadamente os braços, consegui dar alguma direção ao meu colchão voador.
Assim, cheguei próximo ao rio na região dos Jangadeiros e fui subindo até o Beira Rio, voei mais um pouco em direção à Praça da Harmonia e comecei a retornar até porque alguns sacos começaram a estourar.
Em cima da Assunção, me lancei direto em direção à janela do meu apartamento, quando me dei conta que a veneziana, mais uma vez tinha fechado sozinha
Já no desespero, dirigi meu colchão voador para a única janela que estava aberta, dois andares abaixo.
Não foi um pouso tecnicamente perfeito porque a minha nave ficou presa nas laterais da janela e eu fui jogado diretamente para a frente, indo cair, sabem aonde?
Exatamente na cama da Anita, que emocionada pelo risco que corri para encontrá-la, me acolheu nos seus braços, onde estou agora.
O único problema é que o marido dela avisou que está chegando e pela janela não pretendo mais sair.


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