Marlon Brando, “the fuck machine”

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Por favor, não leia esse texto, se você, não gosta de cinema, não sabe quem foi Marlon Brando e principalmente, se você tem algum tipo de preconceito, intelectual ou religioso, contra fofocas envolvendo gente famosa, pois é do que trata o livro “Marlon Brando – A Face Oculta da Beleza”

Caso você não se enquadre nos itens citados, não deixe de ler o livro de François Forestier (jornalista da revista Nouvel Observateur, romancista e biógrafo), traduzido para o português pela Editora Objetiva. São quase 200 páginas que você lê numa tacada só, porque o autor, além de tudo, escreve muito bem e está suficientemente documentado para contar as mil histórias de Marlon Brando, envolvendo tanto a sua vida de ator extraordinário, quanto a do grande amante que não distinguia seus interesses sexuais de mulheres e homens.

Brando – chamado de fuck machine – usou seu poderoso instrumento, como ele gostava de se referir ao seu pênis, com centenas de mulheres, das mais famosas atrizes de cinema às mais modestas funcionárias dos estúdios, mas se submeteu aos pênis de muitos amigos, dos quais os casos mais duradouros foram com o ator e diretor de cinema francês Christian Marquand e com o também ator Wally Cox, que o acompanhou desde que era quase um desconhecido no seu início em Hollywood.

Quase no final da vida, ele diria que não tinha vergonha de ser também homossexual, mas são as mulheres famosas do cinema que emolduram sua história Sua lista é imensa e dela fazem parte Marilyn Monroe, Ava Gardner (da qual desistiu depois que alguns mafiosos a mando de Frank Sinatra o ameaçaram de morte), Shelley Winters, Sondra Lee, Marie Saint Just, Anne Ford, Juliette Greco, Gene Tierney, Lauren Bacall, Ann Sheridan. Ana Maria Pierangeli, Anna Magnani, Ursula Andress,Loreta Young Grace Kelly (essa, sujeita a confirmação) e dizem até, Doris Day.

Vivien Leigh, a inesquecível Scarlet O´Harra de E o Vento Levou, fez com Brando, Blanche DuBois, em Uma Rua Chamada Desejo e teve com ele um caso de amor para o desespero e o ciúmes do marido Laurence Olivier, que disputava com o Brando o título de “o melhor ator do mundo.

Vivian Leigh é uma das poucas mulheres que mereceram um capítulo especial de Forestier. Suas brigas com o marido Olivier ficaram famosas e também seus casos com amantes famosos, como Brando e Peter Finch. Drogada e ninfomaníaca, costumava sair do teatro Old Vic, em Londres e se fingir de prostituta no Soho. Morreu sozinha, já completamente alienada mentalmente, aos 54 anos.

Além das mulheres, cada uma delas com passagens curtas pela sua vida, Marlon Brando foi casado durante algum tempo e teve filhos com Anna Kashfi, Josanne Mariani-Berenger, Movita Casteneda (a mais duradoura), Maria Cristina Ruiz e Rita Moreno.

Sua vida pessoal sempre foi cercada de tragédia. O pai, que Marlon odiava, batia sistematicamente na mãe, que era alcoólatra e se prostituía; a filha Cheyenne se suicidou e o filho Christian, drogado desde a juventude, foi preso por assassinar um cunhado e morreu aos 49 anos.

Quem se interessa mais pelo cinema, do que pelas aventuras sexuais de Brando, vai encontrar narrativas saborosas dos filmes em que participou (foram dezenas), algumas obras primas e outros deslavados comerciais que ele fazia apenas para ganhar dinheiro.

Brando sempre dizia que detestava seu trabalho e em muitos filmes infernizava a vida dos diretores e atores, fingindo que esquecera suas falas, mudando o roteiro, rindo quando devia chorar e fazendo caretas para desconsertar seus companheiros de cena. É famoso o fato de mastigar alho antes de cenas de amor, quando não simpatizava com a parceira. Além de tudo, não costumava tomar banho e o cheiro do seu corpo invadia o set.

Poucos diretores eram respeitados por Brando – Kazan (Sindicato de Ladrões) Huston(O Pecado de Todos Nós) Coppola (O Poderoso Chefão), Manckiewcz ( Júlio Cesar), Fred Zinnemann (Espíritos Indômitos) Bertolucci (O Último Tango em Paris) – e com eles fez seus melhores filmes.

Como coroamento de uma vida cheia de escândalos, Marlon Brando se envolveu num caso que até hoje daria o que falar,  a famosa cena de sodomia com Maria Schneider do filme O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci.

O filme provocou espanto no mundo inteiro.  Forestier diz dele: “Para os hipócritas, o filme é insuportável. Para os militantes da causa sexual, é tímido demais. Norman Mailer se exalta: o filme começa com duas palavras de Brando,  fuck God. Se Bertolucci quer foder Deus, precisaria ser mais claro”.

Maria Schneider, a heroína do filme, diz: “Brando e eu temos algo em comum. Somos bissexuais”

O grande diretor sueco Ingmar Bergaman tem outra visão: “É a história de dois homossexuais. Esqueçam os seios da jovem, ela é como um garoto. Há no filme um profundo ódio às mulheres, mas se o virem como uma história entre um homem e um menino, entenderão tudo”.

Marlon Brando morreu no dia primeiro de julho de 2004, aos 80 anos, sozinho, assistindo o programa que mais gostava de ver, as velhas comédias de Abbott & Costello.


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