Discordando de Tarso Genro

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Pode-se concordar ou não concordar com o que pensa e escreve o ex-governador Tarso Genro. Pode-se até mesmo criticar seu estilo empolado, cheio de citações de autores que poucos conhecem. O que não se pode é deixar de admitir que ele é hoje um dos poucos políticos que consegue sair do lugar comum das discussões eleitoreiras, sempre rasteiras e pobres de conteúdo.
Na sua coluna no Sul21, a partir da recente polêmica entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso, Tarso relembra as semelhanças entre a República de Weimar na década de 1930 e o Brasil de hoje e adverte que podemos estar caminhando também para o fascismo como ocorreu na Alemanha.
Diz Tarso: “Menos que festejar este dissenso, embrutecido pelo não reconhecimento respeitoso das diferenças de opinião, entre os próprios contendores, creio que devemos alertá-los que a movimentação fascista, que emerge dos porões da crise econômica e moral do país, pode ser letal para o nosso futuro democrático. E que, mesmo com todas as mazelas, dissensos, limites e impropriedades do Supremo, nos últimos tempos, mesmo que alguns partidos recuperem, ou melhorem – segundo alguns – seus padrões de autenticidade na representação política, se o Supremo – que é composto por mulheres e homens do Direito – não repactuar um clima de respeito e tolerância, entre os seus integrantes, ao invés dele ser o homologador de uma saída democrática, ele poderá tornar-se o coveiro da democracia, no curto espaço que nos separa das eleições presidenciais de 2018”
Mesmo sem as informações de que dispõe Tarso, me atrevo a levantar algumas questões sobre o que ele escreveu.
Primeiro, não acho que nos encaminhamos para o fascismo, pelo menos não o semelhante ao modelo alemão, porque não interessa ao imperialismo impor aos países sobre sua influência, no caso o Brasil, um sistema de extrema coerção política. O arremedo de democracia em que vivemos é o modelo ideal e para sustentá-lo basta a força da mídia.
A democracia, que Tarso teme que seja destruída, existe apenas para pequenos segmentos da nossa sociedade e sua existência plena e para todos, só seria possível através de uma conquista revolucionária, que tanto ele, como todos nós, enxergamos como uma meta quase utópica.
Resta a sua esperança, que o Supremo possa ser o “homologador” de uma saída democrática para o Brasil, o que parece ser uma concessão de Tarso a um discurso conciliador, porque ele certamente sabe muito bem que esse não é o papel da instituição, transformada há muito tempo na “homologadora” do atual sistema de exclusão social do País.
Pensar que o avanço da democracia possa ser uma tarefa das instituições que existem para garantir o status quo vigente, é um grande equívoco, que infelizmente parece afetar até mesmo um pensador tão lúcido quanto o Tarso.

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1 pensamento em “Discordando de Tarso Genro”

  1. O Stf atual,com exceção dos ministros Gilmar Mendes,Celso de Melo,Marco Aurelio e o último nomeado por Temer,foi todo ele fabricado,moldado,realizado pelo PT;O ministro Joaquim Barbosa,festejado pela midia,também.
    Nenhum deles,por notório saber jurídico.Talvez pelo republicanismo infantil dos nossos amigos petistas,que cada vez mais sustentam a tese do professor Darcy Ribeiro:O pt é a esquerda que a direita gosta.
    Quanto ao notorio saber jurídico …Morreu junto com o
    Professor Hermes Lima.

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