Quando a vida imita o cinema

Compartilhe este texto:

 

Quando trabalhei no Departamento de Jornalismo da TV Piratini, o chefe Lauro Schirmer dizia sobre um apresentador de notícias, que ele tinha a burrice estampada na face.

Essa ideia de que você pode definir o caráter de uma pessoa pela sua cara, pode ser totalmente infundada sob o ponto de vista científico e profundamente reducionista, mas é tentadora como uma forma de simplificar nossas avaliações sobre os outros.

O cinema sempre se valeu desse artifício para ajudar os espectadores a entender de cara (literalmente) o comportamento dos personagens.
O cinema é a arte da imagem. Enquanto na literatura, o que conta é a palavra escrita e o teatro privilegia a fala, o cinema só existe por causa da imagem de atores e atrizes e nesse sentido é extremamente maniqueísta.

O ator e a atriz devem mostrar, principalmente nos closes o que lhes vai na alma. Por isso, o sucesso dos filmes realmente importantes se deve aos seus grandes atores. Sem eles, mesmo o melhor diretor, seria incapaz de transmitir aos expectadores a emoção de um grande amor ou de um ódio profundo.

Imagine Casablanca sem o carisma de Humphrey Bogart ou O Pecado Mora ao Lado sem a sensualidade de Marylin Monroe, mesmo que os diretores – Michael Curtiz e Billy Wildner – fossem os mesmos.
No dia em que algum diretor brasileiro pretender fazer um filme sobre a história do impeachment de Dilma, dois personagens deverão ter um papel de destaque; Janaína Paschoal e Deltan Dallagnol

Quem curte o cinema norte-americano vai lembrar uma atriz e um ator em que os dois personagens da trama golpista de Brasília poderiam ter se inspirado.

Em 1987, Adrian Lyne dirigiu Atração Fatal, com Glenn Close e Michael Douglas e ninguém que viu o filme pode esquecer até que ponto a frustração de um amor pode levar uma pessoa a atos desesperados.
Glenn Close compõe uma mulher que alterna olhares de ternura, com outros de profunda ódio, na medida em que se sente abandonada pelo amante. Seu histerismo parece de certa forma um sentimento convincente e verdadeiro, de alguém que acredita no que está fazendo.

Na sua loucura, ela é autêntica e não se detém nos limites do razoável. Ela se expõe, se entrega totalmente aos sentimentos que lhe vão na alma. Chora, ri e grita quase ao mesmo.


Sua causa, sua vingança é tudo que pretende da vida.
Não sei se Janaína Paschoal viu este filme, mas no set do Senado, ela parecia ter incorporado o papel

 

O outro personagem é Anthony Perkins, que fez o Norman Bates, no grande filme de Alfred Hitchcock, Psicose, rodado em 1960.
Ele é simpático, agradável, asséptico, mas por trás dessa aparência angelical se esconde um “serial killer”, angustiado por sérios problemas psicológicos.

Deltan Dallagnol nem era nascido quando o filme foi feito, mas ele como Norman Bates de Psicose, nos mostra que, por trás daquele seu ar de menino bem comportado, existe uma pessoa sedenta por algum tipo de vingança.

A Operação Lava Jato já gerou um filme – A Lei é para todos – mas parece que ainda há muitas histórias que poderão ser contadas e dependendo de quem contar,podemos ter filmes épicos ou comédias do tipo pastelão. Daqui alguns anos, quando for feito, aquele que será apresentado como a versão definitiva da Lava Jato, possivelmente uma superprodução norte-americana, quem servirá de inspiração para o papel do juiz Moro?

Uma boa sugestão seria o Sylvester Stallone na sua caracterização do juiz Joseph Dredd, em “O Juiz” (1995) Num futuro sombrio e ultra violento, ele acumula os cargos de polícia, juiz, júri e executor na megalópole Mega City One


Compartilhe este texto:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *