Máximas e mínimas do Barão.

Nascido em Rio Grande, em 1895 e falecido em 1971, no Rio de Janeiro, Apparício Torelly adotou o nome de Duque de Itararé para ironizar a famosa batalha que não houve entre os partidários de Getúlio Vargas e Washington Luiz, em Itararé, São Paulo, na Revolução de 30. Depois rebaixou seu título nobiliário para Barão, “por modéstia”.

Em 1961, eu era repórter da sucursal de Porto Alegre do jornal Última Hora e meu primeiro trabalho foi entrevistar o Barão de Itararé, hospedado no Hotel Plaza, na Rua Senhor dos Passos.

Na portaria do hotel já foram me avisando – o Barão está descansando e não quer receber visitas, mas você pode ligar para ele pelo telefone. Ao atender, ele foi logo dizendo – “o que você quer saber?” Procurando colocar o pronome no lugar certo, perguntei :” O que o trouxe a Porto Alegre?”.  “Isso eu posso responder pelo telefone: foi um avião da Varig”.

Depois desse início difícil, o Barão se compadeceu da minha condição de “foca” e convidou para conversarmos no seu apartamento. Não só conversamos bastante tempo, como almoçamos juntos. No final, ele insistiu em dar por escrito suas respostas às minhas questões. Voltei ao hotel no dia seguinte e ele me entregou 4 ou 5 folhas escritas num bloco de borrão sem pauta.

Infelizmente, acabei perdendo este precioso material.

Algumas das suas citações podem, porém, ser encontradas no livro Máximas e Mínimas do Barão de Itararé, da Editora Record, que a agência de propaganda MPM distribuiu como brinde de final de ano em 1985.

O livro “*Entre sem bater”A vida de Apparício Torelly, da Casa da Palavra, escrito por Cláudio Figueiredo, também registra alguns dos aforismos do Barão

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”

“Quem empresta…adeus”

“Quando pobre come frango, um dos dois está doente.”

 “Banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente, se a gente apresenta provas suficientes de que não precisa de dinheiro”

Casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e outro religioso.”

“Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma”

“Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta”

“Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único”.

“Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.

‘Quem não muda de caminho é trem”

  • O título do livro “Entre sem bater” é uma referência a um cartaz que o Barão mandara colocar na porta da redação do jornal A Manha, no Rio, frequentemente invadido pela polícia, que costumava quebrar os móveis e bater nos jornalistas.

1 pensamento em “Máximas e mínimas do Barão.”

  1. Marino
    Como , nos dias de hoje, nos faz falta o Barão de Itararé, O Brando, como ele se intitulava. Foi oportuno citares algumas de suas máximas. Aquela de “quem dá aos pobres , adeus”, é uma paráfrase da máxima cristã: ” Quem dá aos pobres empresta a Deus que o Barão , modificou para: ” Quem dá aos pobres e empresta, adeus “.
    Outra. Caminhava ele com amigos pela rua da Praia depois de um almoço no Dona Maria. Um deles lhe fez um desafio. Barão, dizem que és um emérito trocadilhista, duvido fazeres um até chegarmos ao próximo poste.

    ” Então aposte “, respondeu o Barão.

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