O cristão novo

Ele está por todos os lugares, fala sobre tudo, mas acima de tudo, forma com outros iguais um grupo muito atuante na política, é o Cristão Novo.

Devem existir também entre os defensores da direita, onde talvez sejam até a sua maioria, mas, como não frequento estes grupos, os encontro com mais assiduidade na esquerda.

Não perdem seu tempo lendo Marx, Lenin ou Trotsky.

Para que, se eles já sabem tudo.

No passado, eles eram mais encontrados no Partidão, onde ditavam a lei e “cagavam” regras. Caso você manifestasse um interesse menos ideológico e mais físico pela sua camarada de ativismo político, você estava tendo um desvio de comportamento que logo o enquadrava na condição de burguês.

Hoje, eles estão no PT e no PSOL, mais ainda no segundo, que pretende recuperar a pureza de comportamento que os petistas perderam ao longo de sua vida, felizmente.

Outro dia, escrevi um artigo sobre a necessidade de defender a candidatura de Lula em 2018, mas “mantendo um pé atrás”.

Como, com um pé atrás, reclamaram alguns, indignados?

Devemos ter os dois pés pra frente, disseram,aproveitando a minha metáfora para uma leitura diferente.

Não adiantou explicar que era uma forma de cobrar do Lula que ele faça alguns arranjos  necessários para governar, mas não tantos como ele e a Dilma fizeram no passado.

Talvez, eles tenham razão.

Que a hora seja de união total.

As diferenças, resolvemos depois.

Unidos, venceremos.

Difícil discutir com os cristãos novos.

Estava quase concordando com eles, quando leio o novo lema pregado por Slavoj Zizek, na introdução do seu livro Problema no Paraíso – Do Fim da História ao Fim do Capitalismo – Divididos Venceremos.

Que os cristãos novos não nos ouçam, mas eles, com a ânsia que têm em obter uma unidade de pensamento entre todos, certamente se dariam mal nos primórdios da Revolução Soviética, quando todos brigavam com todos e continuaram assim durante os primeiros anos da URSS.

Talvez, o problema tenha sido, não essas discordâncias ferozes entre os revolucionários (Trotsky, Kamenev, Zinoviev, Kirov, Stalin) mas a vitória da unanimidade conseguida a ferro e fogo por Stalin.

Uma velha piada diz que as esquerdas só se unem na cadeia. Talvez, em vez de um demérito, seja a sua grande força.

Exija o impossível

A nova amiga me estende a mão e diz

– Muito prazer, eu sou anarquista.

Eu respondo

– Muito prazer, eu sou comunista.

Ela então completa

– Ótimo. Estaremos juntos contra os fascistas. Depois nos matamos.

Ela obviamente, como era uma pessoa de boa cultura, estava lembrando a Revolução Espanhola, quando comunistas e anarquistas combatiam os fascistas, mas também entre eles.

É uma contingência histórica: os que combatem o status quo se unem em determinados momentos, para se separar em mais tarde, quando alguns acham que os objetivos buscados foram atingidos, enquanto outros querem seguir adiante.

Em 1917, na Rússia, mencheviques e socialistas revolucionários, achavam que derrubar o Czar e instalar uma democracia burguesa era suficiente por ora. Lenin e os bolcheviques queriam ir em frente e foram, instaurando o primeiro regime verdadeiramente socialista no mundo.

Setenta anos depois o sonho acabou, destruído por um complô que reuniu o presidente americano, Bush pai, o Papa polaco Karol Wojtyla e os traidores russos Yeltsin e Gorbachov. É claro, também com os erros da burocracia soviética.

Será preciso começar tudo de novo, talvez desde o início do “comunismo utópico” de um possível Cristo, adaptando os ensinamentos de Marx e Lenin aos novos tempos de Zizek, Badiou  e Meszaros.

Impossível?

Os jovens revolucionários franceses de 1968 escreviam nos seus cartazes: Seja realista, exija o impossível.

O capitalismo levou 500 anos para chegar ao estágio em que se encontra hoje, passando do mercantilismo e do colonialismo, até  chegar a este modelo puramente financeiro.

Para chegar até aqui, promoveu guerras, genocídios, destruiu civilizações e escravizou milhões de homens.

Mas ele não e o fim da estrada, como pensou Fukuyama. Ainda há muito caminho a percorrer.

Para o Brasil, inclusive

Em 2002, 2006, 2010 e 2014, os brasileiros elegeram governos do PT e eles trouxeram imensos benefícios às populações mais pobres.

Mas não era a revolução. Lula e Dilma chegaram à Presidência, mas nunca tiveram o poder real nas mãos. Sempre tiveram que negociar com os verdadeiros donos do poder (os empresários, os banqueiros, a mídia) para oferecer algumas compensações aos mais necessitados.

O golpe refez a coerência política que sempre existiu no Brasil: poucos mandam e muitos obedecem.

Agora, se abre a oportunidade de recomeçar novamente. Vamos estar todos juntos para tentar eleger Lula em 2018., se deixarem ele concorrer

Depois, talvez tenhamos que nos separar novamente, alguns achando que isso será suficiente e outros, como nós, querendo ir adiante.

Tomara que a lição que tivemos com o golpe do ano passado, faça com que, os pretendam ir adiante, sejam a maioria.

Central – um documentário sobre o capitalismo selvagem.

 


Caso alguém esteja interessado em saber como funciona o capitalismo em seu estado puro, não deve deixar de ver o documentário Central, sobre o presídio de Porto Alegre, a partir de um roteiro do jornalista Renato Dornelles e com direção de Tatiana Sager

Os grupos que dominam as galerias, reproduzem o sistema capitalista sem qualquer mediação ou freios da sociedade, transformando cada preso num gerador de lucros, situação da qual ele não se livra nunca mais, mesmo quando saia da cadeia.

Usando imagens tomadas dentro do presídio por uma câmera profissional, mesclada com imagens feitas pelos próprios presos, entremeadas de entrevistas com o juiz da vara de execuções criminais (Sidney Brzuska) , um promotor ( Gilmar Bortoloto),um sociólogo ( Marcos Rolim), vários policiais militare, presos e ex-presos, o documentário,mais do que uma reconstituição da vida num presídio, onde vivem em condições subumanas quase 5 mil pessoas, é uma denúncia do descaso da nossa sociedade com a vida humana.

Ironicamente, quando o grande clamor dessa sociedade é mais segurança, exigindo que a polícia seja mais rigorosa nas prisões, o testemunho dos participantes do documentário é de que ao, entrar no Central, em vez de ser ressocializado, o preso, para poder sobreviver, precisa se associar a uma das facções criminosas que domina o presídio, vínculo que ele nunca mais poderá quebrar.

Como o sistema funciona como uma engrenagem que só visa o lucro dos que comandam a facção criminosa, o preso, querendo ou não, se transforma num soldado dela e precisa cumprir a missão que lhe for destinada dentro ou fora das grades.

O promotor sintetizou a situação desse modo: o sujeito entra como um guri chorão e sai como um bandido frio e capaz de todas as maldades.

Um dado estatístico confirma isso: apenas 10 por cento dos presos cumprem pena pela acusação de assassinato ou tentativa de assassinato. A grande maioria é pelo tráfico de drogas e muitas vezes, apenas pelo consumo de drogas já que a polícia e a justiça, nem sempre estão interessadas em fazer essa separação.

Como disse o juiz, o Estado controla o presídio apenas do lado de fora das grades. Lá dentro, o domínio é das facções, que funcionam como uma instituição que legisla, julga e executa e por incrível que pareça, esse acordo tácito entre as autoridades e os presos é que assegura a tranqüilidade na prisão, sem motins e praticamente sem mortes.

Essa transferência do poder do Estado para os presos fica claro nesse exemplo: dentro do presídio existe uma cantina, administrada por particulares, que pagam um aluguel para o Estado a fim de usar esse espaço (40 mil reais por mês, segundo o juiz), que vende desde refrigerantes até camisas de futebol. Só que não são todos os presos que podem freqüentar o local. O Plantão de Galeria, um homem de confiança da facção, designa quem pode ir e o que pode trazer. As compras são então revendidas pela facção aos demais presos com um valor altamente inflacionado.

O grande lucro dessas facções provém, porém, do tráfico de drogas, que apesar da vigilância policial, é trazida pelas chamadas mulas para dentro do presídio e então comercializadas a um custo exorbitante. Como existe um grande percentual de viciados, eles acabam se endividando e para pagar essa dívida, e com isso sobreviver, são obrigados a cumprir tarefas, dentro e fora do presídio, como assaltos e assassinatos de rivais.

O acordo não escrito entre a polícia e os presos, que dividiu as atribuições de poder dentro do presídio, se gerou uma certa tranqüilidade dentro do Central, transferiu para o semi-aberto e mesmo para as ruas da cidade, os ajustes das contas não pagas dentro do presídio.

Ou seja, o Central não é apenas um calabouço indigno de receber um ser humano, criminoso ou não, como é o grande gerador da violência nas ruas da cidade.

 

Churchill, Stalin e os vinhos do Cáucaso

A coletivização forçada da agricultura na União Soviética, na década de 30 do século passado tem sido apontada pelos críticos do comunismo, ao lado dos julgamentos políticos de 1937, como os grandes “crimes”de Stalin.

A versão, que mesmo fontes de esquerda costumam divulgar, é que a coletivização forçada provocou milhões de mortes pelo frio e pela fome e que Stalin por isso, poderia ser comparado a Hitler e suas políticas de extermínio.

Obviamente não é uma comparação séria. A política de Hitler, a par de sua pretensão em  extinguir ou escravizar as raças não arianas, tinha como objetivo reduzir em um terço as populações da Polônia e Ucrânia para que sobrassem mais alimentos para os alemães.

Stalin, ao contrário, independentemente de que sua política tenha sido certa ou errada, pretendia erradicar a fome na União Soviética que periodicamente matava milhões de pessoas.

No seu livro de memórias, Winston Churchill, que a par de suas qualidades como governante, nunca escondeu seu anti-comunismo militante, relata o seu primeiro encontro com Stalin, em Moscou, no Kremlin, em 1942, durante a guerra, quando, para provocar o líder soviético, ironizou as dificuldades que os russos enfrentavam na sua política agrária, perguntando quanto ela estava custando.

A resposta de Stalin está registrada por Churchill em suas memórias.

“Dez milhões de pessoas. Foi assustador. Durou quatro anos. Era absolutamente necessário para a Rússia, para evitarmos os ciclos periódicos de fome, que a terra fosse arada com tratores. Precisávamos mecanizar nossa agricultura. Quando demos tratores aos camponeses, todos se estragaram em poucos meses. Só as fazendas coletivas, que tinham oficinas, conseguiam lidar com os tratores. Tivemos o maior cuidado de explicar isso aos camponeses. Mas não adianta discutir com eles. Depois que você diz tudo que pode a um camponês, ele diz que tem que ir em casa conversar com a mulher e consultar seu cão pastor. Depois de conversar com eles, ele volta e responde que não quer participar da fazenda coletiva e prefere ficar sem o trator. Foi tudo muito ruim e difícil, mas nós, não só aumentamos largamente o abastecimento de alimentos, como melhoramos consideravelmente a qualidade dos grãos.”

Em suas memórias, Churchill diz que a reunião teve momentos tensos e outros mais descontraídos.

Os tensos ficaram por conta da reiterada exigência de Stalin que os aliados abrissem a segunda frente na Europa, enquanto que Churchill pretendia usar as forças inglesa e o apoio norte-americano para defender suas colônias na África e impedir o acesso dos alemães ao Canal de Suez.

Os aliados tinham prometido abrir a segunda frente, desembarcando tropas na Normandia, ainda em 1942, mas só foram honrar esse compromisso em junho de 1944, quando a Alemanha já estava praticamente derrotada pelo Exército Vermelho.

Os  momentos descontraídos ficaram por conta das inúmeras garrafas de vinho do Cáucaso, que Stalin, Churchill,  Molotov, o chanceler russo e Alexander Cadogan, vice-ministro do exterior, inglês, consumiram.

Segundo disse Cadogan, o encontro só terminou por volta das 3 horas da madruga, com seus participantes muito alegres e cordiais.

 

A Revolução Russa, 100 anos depois

O chamado Estado do Bem Estar Social, que garantiu alguns direitos aos trabalhadores, principalmente em países europeus, foi uma concessão do empresariado, temeroso da influência da Revolução Russa de 1917 sobre as massas trabalhadoras.

Essa constatação, foi um dos pontos centrais expostos pelos debatedores do seminário sobre os 100 anos da Revolução Russa, que começou segunda-feira no teatro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e que deverá se estender por mais cinco encontros.

Apesar da escassa divulgação feita pelos meios de comunicação, o seminário foi um sucesso de público, mostrando que o tema é ainda bastante atual. Desde o final da semana, as inscrições para os 150 lugares do teatro estavam fechadas e mesmo assim, um grande número de pessoas se aglomerou diante da sede do Instituto, na Rua Riachuelo, à espera de alguma desistência de última hora.

A primeira noite reuniu os historiadores Augusto Buonicore, da FMG; Ana Lúcia Danilevicz e Luís Dário, os dois da UFRGS.

Os três debatedores concordaram que além da influência direta que provocou nas questões sociais, a Revolução Russa, pelo seu exemplo prático, é responsável pela divulgação na Europa e nos Estados Unidos dos direitos de igualdade das mulheres, do fim do preconceito racial e da luta contra o anti semitismo.

A professora Ana Lúcia chamou a atenção para o exercício da plena liberdade que a Revolução trouxe para o povo russo, ao por fim a séculos de um sistema autoritário e mostrou que, até o fim da União Soviética, existia um sistema democrático extremamente capilarizado,  com eleições para todos os tipos de direção.

O professor Buonicore deu outro exemplo de influência da Revolução Russa, até mesmo nos Estados Unidos: a Suprema Corte dos Estados Unidos só considerou inconstitucional a existência de escolas separadas para brancos e negros, quando foi alertada pelo governo que essa divisão favorecia à pregação dos comunistas americanos.

O professor Luis Dario, lembrou como na União Soviética as mulheres eram tratadas com igualdade total em relação aos homens, dizendo que enquanto nos Estados Unidos e Inglaterra, elas apenas substituíam os homens que foram para a guerra, na URSS, elas, além disso, participavam diretamente dos combates, lembrando o exemplo da famosa atiradora de elite, que quando perguntada quantos soldados inimigos havia matado, respondeu: Nenhum. Matei 300 fascistas.

Na sua fala, o professor Luis Dario ressaltou que no mundo capitalista, temos cada vez mais uma democracia representativa,ao contrário da URSS, onde ela era basicamente participativa .

Mais adiante, ele fez algumas provocações à platéia, chamando a atenção de que foram os ensinamentos da Revolução Russa que permitiram que se criassem modelos diferentes de  socialismo, como nos casos do Vietnam e da China e dizendo que o modelo de comunismo chinês seria uma versão bem sucedida do NEP*, de Lenin.

Para o professor Luís Dario , o Partido Comunista Chinês detém um controle muito rígido da economia e que isso permitiu transformar o país da grande potência econômica do mundo.

Finalmente, lembrou que apesar de ser motivo de brincadeiras no Ocidente, a força militar da Coréia do Norte é que garantiu, até agora, que o país não se transformasse numa nova Líbia ou Iraque, dominado pelos americanos.

Na última fala da noite, a professora Ana Lúcia colocou nos movimentos sociais de 1960, na França, o início de um processo de enfraquecimento da causa do socialismo, com a convergência das energias para reivindicações importantes, mas que enfraquecem a visão maior pelo qual deve se lutar, chamando a atenção para a valorização da identidade individual em detrimento da identidade coletiva, da realização pessoal em vez da solidariedade de classe.

*NEP – Nova Política Econômica, criada por Lenin em 1921 para fazer frente à resistência dos agricultores em aceitar uma forma coletiva de produção. A idéia era se ter dois sistemas econômicos – o socialista e o capitalista – durante algum tempo. O NEP foi cancelado por Stalin em 1927, quando iniciou a coletivização de toda a agricultura.

O que está por trás da notícia

Uma empresa de comunicação, como o próprio nome está a indicar, é um negócio sujeito às regras e os valores da sociedade capitalista.

Seus dirigentes são participantes de entidades empresarias e defendem os interesses de sua classe na disputa que se faz dentro de uma sociedade onde impera a democracia formal.

Assim como os empresários que fabricam automóveis defendem a construção de mais rodovias e menos ferrovias; que os empresários da construção civil queiram juros mínimos para os seus financiamentos imobiliários; que os empresários do ensino privado sejam contra investimentos na educação pública e os empresários dos planos de saúde não queiram um SUS mais eficiente, os empresários da comunicação são contra um controle social da comunicação que valorize os programas culturais e defenda a regionalização dos conteúdos divulgados.

Muitas vezes os interesses desses segmentos da classe empresarial são conflitantes entre si, mas no plano mais geral eles têm objetivos comuns,  que basicamente são: defesa intransigente da livre iniciativa, mesmo quando ela colida com os interesses sociais e participação mínima do Estado na vida social e econômica.

Até mesmo a segurança pública, no pensar dos setores mais radicais dessa teoria privativista, poderia ser passada para a iniciativa privada. Não é a toa que existam cada vez mais empresas de segurança que agem à margem dos governos, enquanto alguns defendem, inclusive, que os presídios sejam novas fontes de lucro para os empresários.

Nesse contexto, as empresas de comunicação não vendem produtos fisicamente mensuráveis, mas outros tipos de mercadorias, cada vez mais importantes na sociedade moderna: a informação, o entretenimento, a cultura, a formação de opinião.  Todo esse pacote é embrulhado em imagens coloridas e oferecido diariamente à população através dos seus veículos como a televisão, o rádio e os jornais.

Como integrantes de uma classe, cabe aos empresários de comunicação o importantíssimo papel de dar sustentação teórica aos seus grandes objetivos, que como foi dito, poderia ser resumido em livre iniciativa e participação cada vez menor do Estado na esfera pública.

Numa sociedade onde impera uma ditadura de classe, a força coercitiva é exercida de forma autoritária e policialesca. Numa sociedade onde existe democracia formal, o papel de policia, ainda que importante, perde em valor para a coerção exercida suavemente pelos meios de comunicação, que transferem para a classe social dos trabalhadores, com suas diversas matizes, os valores da classe dirigente.

Somente por isso é possível ouvir pessoas que vivem, e mal, do seu trabalho, enaltecer valores dos que estão no ócio permanente; de ouvir pregações em favor do individualismo em grupos sociais sem qualquer chance de conquistas materiais e finalmente, de ver eleitores votando em candidatos e partidos que defendem políticas públicas objetivamente contrárias aos seus interesses.

Enquanto o processo de alienação social é praticado de uma maneira suave e envolvente pela televisão, através das suas novelas, com uma vida de faz de conta, seus programas humorísticos e agora os reality shows, onde qualquer imbecil tem seus momentos de fama e a chance de ganhar algum dinheiro, cabe aos jornais o papel mais árduo e direto. É através dele, que os meios de comunicação cumprem seu papel de partido político.

Para muitas pessoas, os jornais têm ainda aquela imagem de um local onde pessoas dotadas de um grande senso de investigação, se reúnem para buscar noticias e transmiti-las para a população dentro de uma ótica de imparcialidade e busca da verdade.

Primeiro, os jornais há muito deixaram de ter essa característica romântica que, de alguma maneira tiveram no passado. Aquelas folhas mal impressas, muitas vezes rodadas em mimeógrafos numa garagem, já não existem mais.

Hoje, os jornais modernos exigem investimentos de grande porte. São empresas que empregam centenas de pessoas, incluindo jornalistas, fotógrafos, gráficos, programadores visuais, digitadores e um sem número de pessoas envolvidas com equipamentos de última geração. É um negócio milionário, só acessível a poucos investidores. É acima de tudo, um negócio que objetiva, como toda a empresa, a ter lucros.

Segundo, não existem pessoas imparciais, muito menos jornalistas. Todos nós temos, ou devíamos ter, uma opinião sobre as pessoas e entidades que fazem a vida numa sociedade. Essa opinião é forjada nas nossas casas, nas escolas, nas igrejas quando é o caso e no contato com outros grupos sociais. Tem muito a ver com os livros que lemos ou deixamos de ler.

Enfim, todos têm uma opinião, seja sobre um clube de futebol, um partido político ou um hábito social. Alguns são gremistas, outros, mais felizes, colorados. Alguns são do PT e outros são contra o PT. Alguns são moderados, outros radicais.  Alguns têm hábitos liberais e outros são homofóbicos e até racistas.

Por isso, quando tomamos alguma posição política – no sentido de que a política abrange todas as relações entre as pessoas e as instituições de uma sociedade – não podemos ser imparciais. Ainda bem. Somos aquilo para o qual nossa formação social nos encaminhou. Assim, quando algum jornalista se diz imparcial, esqueça. Ele é tão parcial como todos nós somos.

Dentro da estrutura de um jornal, podemos ter jornalistas gremistas e colorados, petistas ou anti-petistas, moderados ou radicais, liberais ou homofóbicos e até racistas, que poderiam no seu conjunto construir uma composição mais ou menos equilibrada. Um tipo de comportamento daria equilíbrio ao outro, contrário. Só que, acima dessas idiossincrasias, existe um valor maior que a é a linha editorial do jornal.

Num grande veículo de comunicação e aí vamos tomar o caso da Zero Hora para exemplificar, cabe a presença de jornalistas e colunistas dos mais variados matizes, o que não impede que hegemonicamente o jornal atue como partido político – talvez o maior e mais coerente do Estado – na defesa de estratégias e táticas que interessam aos seus donos ou acionistas.

Agora que se desenha no horizonte a perspectiva de novas campanhas políticas para o Governo do Estado e a Presidência da República, o jornal vai participar delas ajudando os candidatos que melhor se enquadrem na sua visão do Estado e do País.

Como nas eleições passadas, a Zero Hora vai agir dentro de um projeto que visa assegurar que seus interesses e da classe social que representa, sejam preservados.

Isso significa escolher um candidato, que as pesquisas mostre que seja viável e tratar de ampará-lo, ao mesmo tempo que, vai lentamente tentando desconstruir  seus oponentes, como fez com tanto sucesso nas eleições passadas.

Dizem que a ex-funcionária do jornal e atual senadora, Ana Amélia Lemos, seria mais uma vez ungida como a candidata escolhida ao Governo do Estado.

Resta ao jornal saber quem seria o seu principal oponente para começar mais um trabalho de sapa.

Papa Chico, uma marqueteiro

 

Outro dia, fui numa reunião de velhos amigos de esquerda e estavam todos embevecidos com as posições do Papa, que chamavam carinhosamente de Chico.

Fiquei pensando em como ele tem um enorme talento para o marketing político.

Ninguém como o Francisco tem sido tão habilidoso na condução da sua igreja frente aos problemas maiores da humanidade. Pena que ele não abandone nunca este jogo de faz de conta. Não tivesse o atual emprego de Papa, argentino  Jorge Mario Bergoglio bem que podia se candidatar a marqueteiro de nossos políticos.

Em declarações publicada nos jornais do mundo inteiro ele disse: “Deus criou os humanos e permitiu que se desenvolvessem segundo leis internas que deu a cada um”. Os jornais viram na declaração uma afirmação que sustenta que a evolução é compatível com Criação. A menos que tenha havido um novo problema de tradução, como naquela história da aceitação do homossexualismo , quando o tal apoio ao casamento de gays não era bem assim, a nova declaração do Papa não tem nada a ver com a evolução das espécies.

A teoria darwinista, a grosso modo, diz que a evolução das espécies começa com a primitiva ameba até terminar com o ser humano. Se o Papa tivesse dito que Deus criou a ameba, ainda teria alguma lógica, mas tendo criado o homem e não a ameba primitiva, Ele teria feito a sua intervenção quando o processo estava quase finalizado.

Tentar conciliar o inconciliável pode dar manchete simpática nos jornais, mas não ajuda em nada à razão científica.

Tinha mais lógica um velho professor da Faculdade de Filosofia da URGS, quando, para não atropelar a ciência que ele ensinava, dizia que o homem tinha sofrido todo um processo de evolução e quando ele chegara ao estado atual, Deus tinha lhe presenteado com uma alma imortal.

Para o Bergoglio o que importa é estar em evidência, chamando a atenção para as práticas da sua igreja. Com isso, ele vai espalhando prestígio pelo mundo inteiro nessa época de comunicação instantânea.  Nota dez, como divulgador da Igreja Católica Apostólica Romana.

Essa não foi a primeira grande jogada dele. Há alguns meses atrás, ele conseguiu juntar os presidentes da Autoridade Palestina e de Israel para plantarem a “Árvore da Paz” nos jardins do Vaticano. Ganhou manchetes no mundo inteiro, De prático, nada. Os israelenses continuaram tomando as terras dos palestinos e contra isso, não se ouviu nenhuma palavra do Papa.

Outra especialidade dele é dar palpites sobre futebol, porque sabe que nenhum assunto interessa mais as pessoas no mundo inteiro do que este jogo. Para os argentinos, junto com o tango e o assado de tiras, o futebol é a sua grande paixão. Então, Bergoglio dá palpites sobre os jogos e diz que tem até um clube do coração, o San Lorenzo.

Outra jogada de mestre na área do marketing. Como na Argentina, ou você é Boca ou é River, o Papa não quer se comprometer. Ele é San Lorenzo.  Ninguém é contra o San Lorenzo.

Quando o Brizola foi governador do Estado, para não desagradar a colorados e gremistas, ele dizia que torcia para o Renner.  Ora, aqui no Rio Grande, só se torce para Inter ou grêmio.  Renner, São José, Nacional ou Força e Luz são ou eram na maioria dos citados, times pelos quais se tinha alguma simpatia, mas dos quais, ninguém era torcedor.  Por uma questão de justiça, vamos dizer que algumas pessoas em Pelotas torcem realmente pelo Brasil.

O Papa faz o mesmo. Diz que é San Lorenzo e fica bem com o xeneizes (torcedores do Boca) e os milionários ( torcedores do River).

Estão dizendo agora que, indiretamente, através da CNBB, ele mandou apoiar a greve do último dia 28, no Brasil.

Quem sabe ele sai de cima do muro, deixe de falar por metáforas e apóie o Lula?

O mais provável, porém, como mestre no marketing político que é, o Papa Chico, não abra tão cedo o seu jogo.

Eu não posso ser cremado

Uma voz suave de mulher pergunta ao telefone pela Maria.

Explico que não tem nenhuma Maria, nesse número.

A voz suave pergunta então quem está falando ?

Marino, respondo eu, sem me dar conta que estava sendo uma vítima de uma nova estratégia de marketing telefônico.

– Marino (já está intima de mim) podemos falar sobre vantagens da cremação?

Desligo rapidamente por razões que vou explicar a seguir.

Antes quero deixar claro que sei que as pessoas hoje são classificadas por idade, sexo, preferências políticas e sexuais para gente que quer nos vender coisas, desde um livro até o processo de cremação.

Ou seja, na sociedade capitalista, somos nomes apenas num grande cadastro de vendas.

Mas, vamos as razões porque não tenho nenhum interesse em processos de cremação.

Como todos sabem, tenho me dedicado à divulgação dos benefícios para a inteligência da pessoas as práticas do ateísmo, tanto no meu blog (blogdomarinoboeira.sul21.com.br) quanto na minha página no facebook.

Certamente, em função disso, outro dia, recebi uma comunicação do Vaticano de que o Papa estava disposto a derrubar minhas teses sobre o ateísmo e me propunha um desafio – me levar à presença do Todo Poderoso e sua corte – com a condição de que na volta eu proclamasse que Deus existe, os anjos, os santos, etc,etc, tudo que está na Bíblia.

Sei que o Edgar Ferreti, que vive se gabando de conhecer um mundo de pessoas famosas, vai morrer de inveja porque duvido que ele conheça o Papa.

Mas, o que vou fazer. É a força das mídias sociais que todo mundo fala.

Perguntei ao enviado de Sua Santidade (estou começando a me acostumar com as normas da etiqueta católica) porque, ele tinha me escolhido e não um ateu famoso como o Richard Dawkins.

Me explicou o enviado papal, que Dawkins é inglês e o Papa ainda cultiva aquela bronca histórica  com os anglicanos que vem desde os tempos do Henrique VIII.

Além disso, o Brasil está tão por baixo desde o golpe do Temer e o rebaixamento do Inter para a série B, que ele resolveu dar uma força para os brasileiros, me escolhendo.

Ficou combinado que quando eu morrer,  serei levado de corpo e alma para o céu, onde deverei passar uns tempos, o que no calendário celestial pode significar alguns séculos.

Por isso, deve-se evitar a cremação, que dificultaria minha transposição (na linguagem das histórias de ETs, eu serei abduzido), com todas minhas partículas, inclusive aquele joanete, para o céu.

Os versados em histórias bíblicas sabem que existem antecedentes nesse sentido.  Jesus Cristo e Maria, sua mãe, é certo que estão no céu de corpo e alma. Dizem que o profeta Elias, também.

A conferir.

Disse ao enviado papal que via dois problemas nesse processo: primeiro, quando o  meu corpo, na companhia da minha alma, desaparecesse, o que diriam as pessoas? Como elas explicariam essa ausência total aos meus poucos amigos, ex-mulheres e leitores do meu blog?

O enviado papal (um cara que me lembrou o Renan Calheiros) disse que bastava divulgar o fato no meu blog e no face book e todos estariam informados.

É o que estou fazendo.

Segundo, como eu voltaria à terra,  se for confirmada minha viagem aos céus,o que ainda duvido?

O cara parecido com o Renan Calheiros, mas que obviamente não era de ele, que ele continua lá no Senado,disse que eu tinha três possibilidades de escolha: voltar como um filósofo esloveno, um pastor checheno ou deputado federal do DEM pela Bahia.

Ainda estou na dúvida soabre qual a alternativa que vou escolher.

Tenho tempo ainda, espero.

O certo é que não devo ser cremado em hipótese alguma e que ninguém deve ter grandes preocupações com o futuro desaparecimento do meu corpo

Economiza-se no velório, nas flores e no enterro e quem sabe eu possa voltar com grandes novidades.

Socialismo, uma utopia? O que diz a História.

.No momento em que as opções políticas que possam substituir o atual caos em que vive o Brasil, seria totalmente irreal colocar na mesa de discussões a opção pelo socialismo?

Fruto de décadas de lavagem cerebral, hoje a ideia de um caminho socialista para o Brasil parece algo extremamente distante. Os partidos que poderiam erguer esta bandeira, nem inscrevem mais esta proposta em suas plataformas.

O antigo Partido Comunista deu origem ao PPS, uma das siglas mais fisiológicas do espectro político brasileiro, embora uma pequena facção ainda guarde o antigo nome.

O PC do B, que durante o regime militar foi inclusive para a luta armada, hoje se alia com partidos do centro e até da direita nas disputas eleitorais.

O PSB, de socialista só tem o nome.

O PDT, de forte atuação nacionalista e anti-imperialista durante a época do Brizola, foi transformado num partido mais fisiológico do que ideológico.

O PT, que ao chegar ao governo caminhou em direção ao centro, embora de todos eles, seja o que abriga o maior número de políticos com uma visão mais crítica do capitalismo.

E finalmente o PSOL, atuante na denúncia das mazelas do capitalismo, mas que parece ainda sofrer do que Lenin chamou de ”a doença infantil do comunismo”, o esquerdismo.

Mas, nem sempre foi assim. Quando terminou a segunda guerra mundial, as grandes vitórias da União Soviética, responsável maior pela derrota do nazismo, difundiram no mundo inteiro as idéias de igualdade e de solidariedade do comunismo.

Embora o grande esforço americano de valorizar a sua atuação e a dos ingleses na segunda guerra, a verdade histórica é que a Wehrmacht  foi destruída pelo Exército Vermelho em memoráveis batalhas.

O famoso Dia D, com o desembarque dos aliados na Normandia, em junho de 44,cantado em prosa e verso pelo cinema americano, foi feito quando os alemães já estavam praticamente vencidos e ele só ocorreu porque ingleses e americanos temiam que os russos, na sua ofensiva contra a Alemanha pudessem chegar a libertar toda a Europa Ocidental.

Churchill e Roosevelt adiaram quanto puderam a abertura de uma segunda frente na Europa, calculando que a continuidade da guerra entre russos e alemães exauriria os dois lados, deixando o campo livre para americanos e ingleses assumirem a liderança do mundo com o fim da guerra.

Em 1945, a imagem da União Soviética e do caminho socialista de governo eram extremamente simpáticos à maioria das pessoas no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Um bom exemplo disso era o nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, um homem extremamente conservador nas questões políticas, que assim cantou a vitória dos soviéticos em Stalingrado:

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades.

O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

Outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,

E o hábito selvagem da liberdade

Dilata os seus peitos, Stalingrado,

Seus peitos que estalam e caem

Enquanto, outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.

Os telegramas de Moscou repetem Homero.

Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo

Que nós, na escuridão, ignorávamos.” 

Mais adiante Drummond é ainda mais claro na sua opção política

O poeta

Declina de toda a responsabilidade

Na marcha do mundo capitalista

E com suas palavras, instituições, símbolos e outras armas

Promete ajudar

A destruí-lo

Como uma pedreira, uma floresta

Um verme

        

Não importa que depois o próprio Drummond tenha mudado de opinião. Naquele momento ele refletia a opinião de milhares de brasileiros.

Nas eleições de 1945, Luís Carlos Prestes, talvez o político brasileiro de mais prestígio na ocasião, preferiu não arriscar-se na disputa pela presidência, e indicou o desconhecido Yedo Fiúza, prefeito de Petrópolis, para concorrer em seu lugar, pela legenda do PCB.

Fiúza fez mais de 570 mil votos, contra 3 milhões e pouco de Dutra, que foi eleito e 2 milhões do brigadeiro Eduardo Gomes. A estratégia do PCB foi de formar bancadas numerosas nas Assembleias Estaduais, na Câmara Federal no Senado, o que de fato ocorreu.

Para combater a imagem de que o caminho socialista era uma alternativa viável, os Estados Unidos desfecharam uma imensa campanha publicitária no mundo inteiro; investiram milhões de dólares na transformação da Alemanha Ocidental numa vitrina colorida diante da cinzenta Alemanha Oriental; refizeram alianças com adeptos do fascismo, como Franco na Espanha e Salazar em Portugal e usaram a força armada quando essas alternativas não eram mais possíveis, como na deposição de Mossadeh, no Irã e na divisão da Coréia.

O cinema foi a grande arma para vender no mundo inteiro o famoso “american way of life”, onde todos os sonhos eram possíveis, em oposição ao socialismo dos soviéticos, onde o “Estado dizia o que cada pessoa devia fazer no seu dia-a-dia”.

Até mesmo a pintura, uma arte aparentemente não politizável, foi utilizada para vender o conceito de liberdade dos americanos. O pintor abstracionista Jackson Pollock confessou que ele mesmo não entendia seu prestigio, já que se considerava um artista de entendimento difícil pára os leigos. A explicação veio mais tarde, quando se descobriu que suas exposições no mundo inteiro tinham o patrocínio do governo americano, que via no seu abstracionismo uma resposta libertária à pintura figurativista dos russos, que seria fruto de uma determinação do Estado.

Mesmo aqui em Porto Alegre foi possível assistir-se de graça no auditório da reitoria da Universidade Federal a grande orquestra sinfônica de Nova York, regida por Dimitris Mitropoulos. Certamente não foi a reitoria quem pagou seus cachês.

Essa grande ação de mídia, enaltecedora das virtudes da sociedade capitalista, era combinada com uma forte repressão interna para quem ainda sonhasse nos Estados Unidos com o ideal socialista. A famosa comissão liderada pelo senador Joseph McCarthy acusou de comunistas e interrompeu as carreiras de importantes nomes das artes nos Estados Unidos, principalmente no cinema, que era a ponta de lança da divulgação dos chamados “ideais americanos”. Além de Charles Chaplin, o mais famoso de todos, foram processados os escritores Arthur Miller e Dashiell Hammett, a cantora e atriz Judy Holliday, o diretor de cinema Edward Dmytryk, e o roteirista Dalton Trumbo, entre outros.

A acusação de serem espiões dos russos, levou à cadeira elétrica os cientistas Julius e Ethel Rosemberg.

Este enorme esforço de convencimento das pessoas no mundo inteiro conseguiu transformar em poucos anos a imagem da União Soviética e por, extensão, a proposta socialista de organização social, de libertadora dos povos na segunda guerra naquilo que Churchill chamou de “a cortina de ferro”.

Mesmo assim, todo esforço não seria suficiente para liquidar com a experiência socialista no leste da Europa, se além dele e também dos reconhecidos erros dos dirigentes soviéticos, não tivesse a União Soviética tentado acompanhar a corrida armamentista desencadeada no governo Reagan e com isso exaurido sua economia, tornando cada vez mais difícil atender as necessidades das suas populações.

O fim da União Soviética não é, porém, como afirmam os defensores do capitalismo, o fim do ideal socialista. A cada dia fica mais claro que as nações européias, depois que viram secar as possibilidades de exploração colonial na África e na Ásia, nunca mais recuperaram seu antigo esplendor e vivem hoje atreladas às decisões norte-americanas.

Os Estados Unidos, por sua vez, só fazem funcionar sua economia levando a guerra aos confins da terra, como nos casos do Iraque e do Afeganistão. Mas essas soluções cobram sempre um custo posterior muito alto.

Quando as crises sistemáticas, provocadas pelo beco sem saída que o sistema capitalista gerou no mundo, são cada vez mais seguidas, com a destruição de riquezas e empobrecimento das populações, não há como não pensar na alternativa do socialismo, mesmo para o Brasil.

 

Ainda que restritos ao mundo acadêmico, no mundo inteiro pensadores como Zizek, Badiou e Meszaros, entre outros.discutem a possibilidade de uma alternativa socialista.