Feminismo ou socialismo?


Nada como uma boa disputa sobre posições políticas ou comportamentais, onde você assume posições radicais para estimular o seu oponente a sair da defesa e também atacar.
Ainda que pequena, minha militância política, mais teórica do que seria desejável, tem me colocado em confronto com posições de grupos segmentados (mulheres, negros e gays) que transformaram suas lutas contra o preconceito e o racismo em objetivos de vida.
Minha posição, ainda que discutível, no caso é simples: essas lutas, ainda que justas, quando não entendidas claramente como partes de uma luta maior contra a sociedade capitalista e em favor de uma revolução social, canalizam grandes energias para objetivos menores e suprema ironia, podem ser usados para amortecer a luta maior.
Basta um simples olhar sobre como os grandes meios de comunicação, hoje sustentáculos de uma sociedade de classes, tratam questões como o racismo e a homofobia.
Tomamos, como exemplo, a Rede Globo e suas novelas e noticiários. Quem foi mais eficiente do que ela ao desmistificar o preconceito contra a comunidade gay, quando inseriu em suas novelas o famoso “primeiro beijo gay na televisão”? Ela deve ter feito mais pela aceitação da diferença sexual que todos os tratados sociológicos já publicados.
Quando a “mulher do tempo” no Jornal Nacional foi vítima da imbecilidade ululante de alguns telespectadores, a Globo aproveitou para uma cruzada nacional, extremamente eficiente, contra o preconceito de cor.
Agora, jamais vamos ver a Globo usar seus poderosos meios de comunicação para uma campanha pelo fim da pobreza. Pelo contrário ela se promove defendendo a permanência do status quod em que vivemos através de campanhas filantrópicas como Criança Esperança, por exemplo.
A tarefa de lutar por uma sociedade socialista é de todas as pessoas que já se deram conta, como diz Meszáros que a outra opção é a barbárie.
Somente uma sociedade de pessoas socialmente iguais é que será capaz de eliminar os preconceitos de raça, cor e sexo.
A Revolução Soviética, com todos seus erros, foi a única capaz de criar uma sociedade onde as mulheres, realmente foram igualadas em direitos e deveres aos homens, inclusive em algo que ainda hoje não é aceito no Brasil, como, por exemplo, o direito ao aborto.
Como o acesso das mulheres à plena igualdade de direitos e deveres em relação aos homens passa pela construção de uma nova sociedade, também o fim do racismo só é possível integralmente no socialismo.
Frantz Omar Fanon (1925/1961), o grande intelectual, filósofo e ensaísta francês, negro, nascido na Martinica, disse “eu me encontro no mundo e reconheço ter um único direito: o de exigir dos outros um comportamento humano”.
Fanon criticou mais de uma vez um pensamento comum entre os negros, de reivindicar uma cultura original negra para se opor aos brancos, dizendo: “ Não sou um escravo da escravidão que desumanizou meus ancestrais. Seria de enorme interesse descobrir uma literatura ou arquitetura negra do século III a.C. Ficaríamos muito felizes em saber da correspondência entre algum filósofo negro e Platão. Mas não conseguimos ver, de modo algum, como esse fato iria mudar a vida de garotos de oito anos de idade trabalhando em plantações de cana-de-açúcar na Martinica ou em Guadalupe.
Minha síntese, ainda que imperfeita, é de que a única luta que vale a pena é pelo socialismo.

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