Com Lula, mas com um pé atrás

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Caso deixem o Lula ser candidato em 2018, não só voto nele, como prometo fazer campanha e até voltar a agitar aquela velha bandeira do PT, ainda que nunca tenha pertencido formalmente ao partido.
Mas, voto com um pé atrás.
Os últimos discursos do Lula (“eu sei fazer o que o povo precisa”, “a Petrobrás vai voltar a ser nossa”, “a Caixa será a Caixa novamente) tem um viés um pouco ingênuo, como se fosse possível voltar ao passado.
Sei que de ingênuo, o Lula não tem nada. É um animal político, como não tivemos mais no Brasil desde Getúlio e Brizola.
Ingênuo é quem acredita nessa possibilidade e fica cultivando um “sebastianismo” (crença mística, propagada em Portugal logo após o desaparecimento de D. Sebastião 1554-1578, segundo a qual este rei, como um novo messias, retornaria para levar o país a outros apogeus de glórias e conquistas) ultrapassado.
As elites dirigentes do País, que ganharam mais com o governo Lula do que a população pobre do País, não vai mais se arriscar permitindo o retorno de um governo reformista que deu ao povo o gostinho de provar algumas delícias do capitalismo, até então reservadas à elite e alguns segmentos da classe média alta.
Os tempos são outros.
Os golpistas, que assaltaram o poder depois de uma bem urdida campanha moralista, e que a mídia acabou por tornar uma reivindicação política de boa parte da população, não vão permitir a repetição da experiência reformista de Lula e Dilma.
Ou pelo menos, vão tentar não permitir.
As manifestações do dia 28, com a mais formidável Greve Geral que o Brasil já viu, abalaram, porém esta presunção das elites de tudo poder.
E se de repente, o povo insistir e participar do jogo político?
E se for possível avançar na direção de uma ruptura nos velhos métodos de fazer política?
E se uma forte ação popular, criar condições para uma eleição antecipada que seja um verdadeiro plebiscito que possa sepultar esse falso modelo democrático em que vivemos?
Caso isso seja possível, Lula é o único político brasileiro, com todas suas vacilações e compromissos que já assumiu, capaz de liderar esse movimento.
Empurrado por uma exigência popular, ele pode se encaminhar para a esquerda radical.
Lembramos da história recente. Getúlio Vargas, o político conciliador na sua ditadura de 15 anos, se transformou no presidente nacionalista, levado ao suicídio no seu segundo governo.
Deixando de lado o fim trágico que escolheu, quem sabe Lula possa imitar Getúlio?
Mas, primeiro, com sua imensa capacidade de sobrevivência política, precisa superar as pedras que a mídia, o Moro e até mesmo o Palocci possam colocar no seu caminho.
Então, em 2018, ainda que com o pé atrás, estaremos nas ruas, gritando LULA PRESIDENTE


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