Um novo Lula em 2018

Lula perdeu três eleições, a primeira para a Collor, e as duas seguintes para FHC, quando foi candidato com um projeto radical de esquerda e ganhou a quarta, quando fez uma composição com o centro e a direita.

Como Presidente, por dois mandatos, seu projeto reformista retirou da miséria milhões de brasileiros, mas foi incapaz de construir na população uma consciência de classe que ajudasse o seu governo e posteriormente o governo de sua sucessora, Dilma Rouseff, a enfrentar os anos de turbulência econômica que a crise geral do capitalismo provocou no mundo inteiro.

Dilma, por sua vez, sem o carisma de Lula, rompeu a já tênue aliança com a população mais pobre e montou seu segundo governo numa aliança espúria com a direita, enfraquecendo suas bases de apoio.

O governo Temer, que chegou ao poder através de um golpe parlamentar, com a anuência do judiciário e o apoio declarado da mídia, mal consegue sustentar o arremedo de democracia em que vivemos e todos os sinais indicam que talvez não consiga completar seu mandato e se conseguir será com concessões cada vez maiores aos interesses do capital internacional.

A cortina de fumaça, levantada pela onda de um moralismo típico da classe média, através das operações espetaculosas da Polícia Federal, dos Procuradores da República e do Juiz Moro, não consegue esconder que, deliberadamente ou não, essas operações estão destruindo a base industrial que os governos do PT conseguiram construir no Brasil, começando pela Petrobrás.

Dentro desse cenário, surge como uma luz no fim do túnel, a declaração de Lula, essa semana na Paraíba, onde ele foi para receber do povo nordestino seus agradecimentos pela importante obra de transposição das águas do Rio São Francisco, que Temer, de uma forma grotesca, tentou assumir a autoria.

Mesmo descontado o tom de bravata, que Lula gosta de assumir, o que ele disse em Monteiro, no meio de um grande manifestação popular, nos faz pensar : “eles,(os golpistas) peçam a Deus que eu não seja candidato, porque se eu for é para ganhar”.

A ala jurídica do golpismo perdeu o timing (como ela gosta de dizer) para prender Lula. Hoje, isso – se ainda for possível – vai virar um escândalo nacional e internacional. Sua estratégia, me parece, será usar toda a força da mídia para colar em Lula a imagem de corrupção, mesmo que não tenha nenhum fato concreto para apontar.

E Lula, só será candidato para ganhar, se radicalizar seu discurso, até mesmo porque os partidos de centro abandonaram de vez o seu barco, começando pelo PMDB.

Em 2018, teremos, então, finalmente, uma eleição entre dois projetos: o de Lula, apoiado pela população pobre do país e alguns segmentos mais informados da intelectualidade e do outro, seja qual for o candidato escolhido, o projeto da direita,apoiado pelo empresariado associado ao capital estrangeiro e segmentos da nossa classe média, medíocre e alienada, com o apoio fundamental da mídia.

Será a grande revanche daquela disputa de 20 anos atrás entre Lula e Collor, na ocasião, decidida pela ação deletéria da Rede Globo a favor de Collor, com grandes chances de uma vitória da esquerda.

O único receio é de que os golpistas de hoje, sabendo que podem perder em 2018, não permitam que o povo seja chamado a decidir.

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