Vivendo em Reykjavick, Islândia

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Cada dia fico mais impressionado com os mistérios da tecnologia moderna.Um exemplo: este computador onde escrevo agora e este programa de relacionamento social que participo.

Aparentemente, estou muito próximo dos meus amigos.
Ontem postei uma foto com o Roberto Pintaúde, antigo, mas cada vez mais criativo publicitário gaúcho, em frente a um painel na Casa do Estudante Gaúcho, na Rua Riachuelo, centro de Porto Alegre, Brasil, mas há um ano vivo na Islândia, em Reykjavik, uma cidade de 323 mil habitantes, quase dois terços da população total do País.
Como é possível isso? Não sei. Talvez porque eu tenha me transformado num cidadão do mundo. Alguém que vive nesse calor selvagem de Porto Alegre, no sábado, e nesse frio de “renguear cusco” aqui em Reykjavik, no domingo.
Aliás, tentei traduzir essa expressão gaudéria – “renguear cusco” – para a língua local, com o auxílio do Curryland, uma linda nativa que funciona como minha tradutora, mas nem ela entendeu.
O pessoal aqui fala Islandês, mas desde pequeno estudam e falam fluentemente inglês, além do dinamarquês. Eu, é que do inglês sei apenas aquele célebre expressão, “the book on the table” e olhe lá.
O que faço aqui?
Este mês, nada, porque está muito frio, as ruas estão cheias de neve e então fico em casa com a Curryland, treinando o meu islandês, fazendo “otras cositas mas” e eventualmente, aparecendo em Porto Alegre para tomar um trago com o Pintaúde.
Quando esquenta um pouco e fica aquela maravilhosa temperatura de zero grau, treino uma equipe de futebol feminino de uma escola da cidade.
Treinador de futebol ?

Você nunca fez isso no Brasil vão dizer.

Caluda, bico calado, eles acham que eu sou o Antônio Carlos Zago e eu não desminto. Nunca disse que era o Zago, mas quando cheguei, o cara da Alfândega, que era vidrado em times italianos, (acho que o Zago jogou na Itália) , foi dizendo que vira na televisão que o Zago iria treinar o time de futebol feminino da escola, que é também a seleção nacional e eu fiz que sim com a cabeça, mesmo não entendendo nada do que ele disse.
Como faço para treinar as meninas?
Simples, a Curryland me ajuda um pouco, embora agora tenha inventado que eu teria tido um caso com a zagueiro central, a Astrud, uma loira de quase dois metros de altura, bateu a porta e me deixou sozinho no vestiário.
Não foi das piores coisas da vida, conviver com aquelas moças tão desinibidas que ficam peladas na minha frente sem constrangimento nenhum.
Eu é que encabulava um pouco nas primeiras vezes. Agora já me acostumei.
Dou minhas instruções, enquanto a Curryland continua emburrada, cheia de ciúmes, usando apenas mímicas, vou explicando o que quero: marcação alta, triangulaçao, bola no ponto futuro.
Acho que alguma coisa elas entendem.
Outro dia, ganhamos da seleção das Ilhas Faro por 13 a 11 e fui cumprimentado até pela primeira ministra.
Acho que era primeira ministra, ou presidenta ou no mínimo, a diretora da escola.
Como cheguei aqui?
Simples. Depois de 20 anos de casado, minha mulher (agora ex-mulher) também 20 anos mais nova do que eu, me mandou embora.
Eu tinha envelhecido e ela não.
Não só me mandou embora de casa, mas foi bem enfática.
– Fique o mais longe possível de mim.
Bem, eu achei então que Reykjavick fosse um lugar bastante longe para ela.
Se não for, ainda tem a Groenlândia, um pulo daqui.


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2 pensamentos em “Vivendo em Reykjavick, Islândia”

  1. Bah, você é uma inspiração prá mim… E deve ser um sujeito bem merecedor de ver um monte de garotas peladas na sua frente (por favor, pergunte se a loira de 2 metros de altura não está à fim de conhecer um baixinho pardo…). Olha, acredito que é bem melhor estar aí à 0 graus ou menos do que aqui, um calor de rachar o melão, cidade suja e violenta. Parabéns! Abraço! Obs. Moro na Riachuelo, nem pertinho desse mural…

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