Verdade ou mentira

Um amigo reclamou que muitas histórias que conto na minha página no Facebook, ou no meu blog, parecem puras fantasias.

As vezes são mesmo.

Eu expliquei a ele que era uma forma de dramatizar determinado fato em busca de uma verdade mais profunda e exemplifiquei com o filme “A Chinesa” (La Chinoise) de Jean Luc Goddard.
Na época, começavam as maiores divergências entre os partidos comunistas da URSS e China (1967). Estudantes chineses que estudavam em Moscou, convocaram a imprensa ocidental para denunciar que foram espancados pela polícia russa quando faziam uma manifestação em favor de Mao Tse Tung.
O porta-voz dos estudantes tinha o rosto coberto de ataduras.
Quando terminou seu relato, tirou as ataduras e todos perceberam que seu rosto não sofrera nenhum arranhão. Quando os jornalistas começaram a gritar – fraude…fraude – ele explicou que realmente não fora ferido, mas as ataduras eram apenas um recurso para dramatizar sua narrativa e assim lhe emprestar mais realismo.
É o que eu, modestamente, tento repetir.


Em abril, devo visitar a Rússia e fiquei imaginando o que o Presidente Putin estaria pensando sobre minha próxima visita e escrevi sobre isso.
Quando soube que eu iria à Rússia em abril, me ligou o Putin. Queria que eu levasse uma camisa do Inter (diz que é vermelho desde criança) e um pacote de mariolas de Santo Antônio. O pior é que ele quer marcar um jantar no Kremlin para que eu cozinhe o meu famoso “camarão ao catupiri”. Não posso me negar para não criar um incidente internacional.
Essa história do telefonema e a próxima que falo de um passado encontro com Gorbachev ,você acredita se quiser.

A viagem à Rússia, Moscou (Moskva) e São Petersburgo (Leningrado), porém, é rigorosamente verdadeira.

Quando estive pela última vez no Kremlin, quem pensava que mandava no País, era o Gorbachev.
Não mandava em lugar nenhum. Na Rússia, o bam-bam-bam era o Ieltsin e em casa, a Raísa.

O Putin ainda era da KGB, mas eu avisei ao Gorba: cuidado com esse cara que ele vai longe. O Gorba achava que o Putin só queria saber de lutar caratê. Respondi que ele ia dar um ypon em todo o mundo. Não deu outra.
Eu também avisei o Gorba: para que parasse com aquelas frescuras de perestroika e glasnost, senão os americanos iriam tomar conta de tudo.
Ele não quis me ouvir e foi o que aconteceu. Hoje, os russos podem comer no Mac Donalds e tomar Coca Cola,mas a vida só melhorou para poucos.
Agora, o Putin está tentando recuperar o terreno perdido, más não consegue agradar todo o mundo.
Algumas das minhas amigas,por exemplo, reclamam que ele é, as vezes, um pouco machista e querem que eu lhe entregue um abaixo assinado das mulheres gaúchas, que começa com aquela famosa frase do Guevara “hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás”, assim mesmo em espanhol.
Não sei se o Putin vai entender e se entender, vai gostar.

Em todo o caso, como não sou nenhum machista, vou levar o abaixo assinado e entregar ao Putin logo que desembarcar em Moscou.

Todas essas fantasias ficam pequenas diante do que aconteceu na noite de 30 de outubro de 1938, quando um programa radiofônico da CBS nos Estados Unidos foi interrompido por uma edição extraordinária de notícias anunciando que a Terra estava sendo invadida por marcianos, gerando pânico nas grandes cidades americanas, principalmente New Jersey e New York, de onde a transmissão estava sendo feita.

A ideia, produção e apresentação foram de Orson Welles, que fez uma radiofonização de um livro de Herbert Wells, Guerra dos Mundos, usando recursos do rádio jornalismo, como reportagens externas, entrevistas com testemunhas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emoção dos supostos repórteres e comentaristas.

A CBS calculou, na época, que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade o sintonizou quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radio- teatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditou ser um fato real. Dessas, meio milhão teve certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico, sobrecarregando linhas telefônicas e tentando fugir das cidades que estariam sendo atacadas.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *