Algumas verdades sobre Israel que precisam ser ditas

 

Dificilmente você irá ler essa matéria em jornais brasileiros. Trata-se de um texto dos jornalistas Arturo Hartmann e Bruno Hubermann, publicado no site IC Arabe e reproduzido pela edição eletrônica em português do jornal russo Pravda, sobre o conflito na Palestina e tem como ponto de partida a visita de políticos e artistas brasileiros (Gregório Duvivier, Marcelo Crivella, Jean Willys, Jair Bolsonaro, Kátia Abreu, Humberto Costa e Jorge Viana) a Israel.

Como o texto é bastante longo, vamos transcrever aqui apenas alguns parágrafos. A versão completa pode ser lida no site port.pravda.ru.

“Escrevemos aqui para revelar o que o discurso sionista, em especial, aquele auto-intitulado de esquerda, escamoteia, confunde e omite questões importantes para o leitor. Quando dizem que são contra a ocupação israelense nas terras palestinas, a que estão se referindo? E o que não se menciona? Omite-se que o Estado de Israel foi criado, em 1948, por meio de uma limpeza étnica do território, que provocou a expulsão forçada de 800 mil nativos palestinos e a demolição de 615 cidades e vilarejos palestinos [1] em um processo que deixou um rastro de massacres e expulsões forçadas: Deir Ayyub, Khisas, Balad al Shayk, o bairro de Wadi Rushmiyya (em Haifa), Lifta, Sa’sa, Qastal, Deir Yassin, Qalunya, Saris, Beit Surik, Biddu, Safad, Tantura, Lydd e Ramla. Que os territórios de Cisjordânia e Gaza foram ocupados militarmente, em 1967, por meio de novas expulsões e massacres – fatos que se repetem cotidianamente até hoje. Que a propriedade privada palestina tem sido sistematicamente expropriada legal e ilegalmente pelas autoridades israelenses, que constroem cada vez mais colônias, muros e rodovias para segregar e inviabilizar a vida palestina em todo o território – seja dentro de Israel ou nos Territórios Palestinos Ocupados. Importante observação: tudo isso realizado diretamente ou com apoio de dirigentes do sionismo de esquerda. Entendemos, portanto, que é fundamental que a opinião pública compreenda o que significa atualmente a proposta de dois Estados para a sustentabilidade desse projeto político.

Significa não respeitar o direito de retorno dos mais de seis milhões de palestinos espalhado pelo mundo – as pessoas ou os parentes daqueles que foram expulsos em 1948; muitos, inclusive, encontram-se no Brasil, alguns em seu segundo refúgio. Aliás, esses refugiados palestinos, nascidos no exílio na Síria, no Líbano, no Iraque ou na Jordânia, nunca puderam conhecer o vilarejo da sua família, colocar os pés na Palestina, pois o Estado de Israel não permite a sua entrada no país. Como vemos, o sionismo tornou-se uma forma de colonialismo: para o sionismo real, a realização de um Estado majoritariamente judaico na Palestina, como resposta à perseguição aos judeus na Europa, teve e tem que recorrer a práticas colonialistas, de uma sistemática expulsão e segregação dos palestinos. O retorno dos milhões de palestinos para as suas casas afetaria decisivamente o balanço demográfico do território, fazendo dos judeus uma minoria, o que contraria a visão de qualquer sionista, até mesmo aqueles de esquerda”.

“O debate, portanto, não é sobre este ou aquele governo israelense, mas sobre o regime de Israel, moldado pelo sionismo, que se fortalece pelos ganhos militares, ganhos econômicos e a indiferença da comunidade internacional em relação às violações israelenses. O processo de paz, como disse Edward Said, foi a rendição palestina. O que os presidentes Donald Trump e Bibi Netanyahu fizeram na semana passada, ao por fim ao processo de paz, foi apenas enterrar uma farsa iniciada por Yithzak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat. O projeto de Estado Nação sionista está acima das nuances entre os partidos e as forças políticas israelenses. Nosso argumento é que há uma convergência de agendas entre a esquerda e direita israelense para a manutenção do Estado judaico com uma ampla maioria judaica. E isso tem implicações relevantes. Nas palavras do historiador Ilan Pappe, o fato de a limpeza étnica realizada na Palestina entre 1947 e 1949 não ser colocada a sério no cotidiano é, no mínimo, “desconcertante”. Segundo ele, existe um “grande abismo entre a realidade e a representação” no caso da Palestina.”+

“Mais recentemente, outro herói da esquerda sionista, o falecido Shimon Peres, quando presidente, em 2009, foi aos EUA vender colônias no deserto israelense do Negev, que segregariam e desocupariam os beduínos palestinos que ali vivem, para a classe dominante judaica dos EUA com a promessa de “fazer alyah [o processo de imigração de judeus para Israel] e viver com estilo” em condomínios com pistas de golfe, piscinas olímpicas e casas elegantes com ar condicionado central. E não fica por ai. Peres foi também o garoto propaganda da indústria armamentista israelense no Brasil. Quando o país foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, Peres veio ao país como representante de corporações envolvidas em diversos crimes na Palestina, como os ataque à civis em Gaza e na construção do Muro na Cisjordânia”

“Como bem expôs o jornalista Andrew Fishman, diferente do discurso de um sionista conservador, o liberal “quer convencer que não existe um lado correto e um lado errado, é apenas ‘um conflito’ ou, melhor ainda, ‘uma situação complicada’ com gente boa e gente ruim nos dois lados. Só que um lado tem todo o poder e privilegio e o outro vive cada vez mais apertado e violado”. Israel tem o completo controle vertical e horizontal de todas as fronteiras do território (terra, água e ar), do fornecimento de água, da moeda e do recolhimento de impostos, tem uma das Forças Armadas mais bem equipadas do mundo, instituições fortes e uma economia desenvolvida; enquanto os palestinos não tem controle sobre a sua própria terra, não possuem Forças Armadas, mas apenas uma polícia despreparada, instituições fracas e uma economia subdesenvolvida e dependente da israelense”.

“Não achamos que a militância de esquerda sionista é falsa, achamos sim que é hipócrita. Ela pode ter sido relevante quando se mobilizou nas ruas entre os anos 1980 e 1990 para apoiar um acordo de paz que, não sabiam ainda, se seria manipulado para perpetuar a ocupação. Mas é hipócrita ao se posar como ativista pró-palestina ao mesmo tempo em que rejeita o direito de retorno dos refugiados que foram expulsos. Ao fazer assim estão consentido, implicitamente, com a máxima de que a Força cria o Direito. Assim como denunciou Norman G. Finkelstein, ao revelar que existem judeus que lucram como falsas vítimas do Holocausto, os militantes da paz da esquerda sionista”

Caso você tenha ficado interessado no assunto e queira continuar lendo sobre o assunto, além das versões pró-Israel, recomendamos os livros “A Invenção do Povo Judeu”, de Shlomo Sand, Professor de História da Universidade de Tel Aviv; “A Indústria do Holocausto”, do professor americano, filho de sobrevivente de Auschwitz, Norman Finkelstein e o clássico sobre as questões do Oriente Médio, “A Grande Guerra pela Civilização”, do jornalista inglês, Robert Fisk.

5 pensamentos em “Algumas verdades sobre Israel que precisam ser ditas”

  1. A verdade sobre o conflito entre Israel e Palestina precisa vir à tona. As versões correntes, de regra repercutidas e defendidas pelo jornalismo reacionário, dão sempre conta de um “Israel vítima do terrorismo árabe”. Por isso reconheço o exercício do verdadeiro jornalismo nesta matéria. Parabéns!

    1. Verdadeiro jornalismo? Por favor os eternos palestinos coitadinhos se fazendo de pobres coitados e ao mesmo tempo recebem milhares e milhares de dólares em doações. O que fazem destas doações? Compram armas e constroem túneis por favor chega de ladainha anti semita e anti sionista. O desenvolvimento sócio econômico doi muito para os invejosos e pseudo comunas tupiniquins brasileiros. Os nomes dos deputados e senadores mencionados nesta que giram visitar Israel são dignos de repúdio e de pena. Quem é essa pseudo esquerda hipócrita brasileira? Um lixo!

    2. a sua verdade e a do escritor nem sempre é a verdade propriamente dita. o que é verdade para vc pode não ser a verdade para outros e assim sucessivamente. esses comentários forem tecidos sob qual finalidade? vc sabe o que se esconde atrás das palavras do comentarista, vc sabe se ele não tem rancor ou inveja ou transpira ódio em suas palavras?

  2. É impressionante como os antisemitas distorcem os fatos. Limpeza étnica quando na criação do estado judeu, ocorreu por parte dos países árabes com a expulsão de novecentos mil judeus com a roupa do corpo. Os árabes jamais devolveram os bens desses judeus deportados do mundo árabe e ninguém jamais cita o fato. Nunca houve uma limpeza étnica por parte de Israel, apenas refugiados árabes ocasionados pela total destruição de suas aldeias provocadas pelos exércitos da Síria, Jordânia, Egito, Iraque e Líbano quando atacaram Israel no momento de sua criação. Tanto não houve limpeza étnica que 20% da população israelense é árabe, que tem representação no Kneret (parlamento). Enquanto isso, não há judeus vivendo em países árabes, com exceção do Irã. Na maior parte do mundo árabe a Bíblia é proibida. O território que o mundo anti-semita chama de Cisjordânia chama-se de fato, historicamente, Judea e Samaria. O povo judeu jamais deixou de viver em Israel, não invadimos nada que não fosse historicamente nosso. Não havia e nem há população indígena expulsa de suas terras, os únicos expulsos foram os judeus a 2000 anos, e nem todos o foram. Já não se pode dizer o mesmo do Brasil que ainda hoje expulsa e mata suas populações indígenas. E ninguém questiona a legitimidade do Brasil. Antisemitas, tenham vergonha na cara e admitam que o seu ódio é contra judeus, não só contra o Sionismo. Deixem de ser covardes!

  3. E os milhares de judeus que foram expulsos dos países árabes após a segunda guerra mundial, como Marrocos, Turquia, Libia e etc? (Árabes saíram de Israel por livre vontade, a mando do presidente do Egito, prometendo jogar os judeus ao mar)
    Quase todos países do Oriente médio assim como Israel foram formados após a primeira e segunda guerra (Palestina nunca existiu, filisteus eram gregos), o problema é que muçulmanos não aceitam outras culturas. Árabes vivem em Israel, mais se judeus viverem do lado árabe sem proteção são mortos ou tomados como reféns (Cristãos também são perseguidos, hoje são apenas 1% da população do lado árabe). Na Primeira guerra, Cristãos Armênios foram massacrados na Turquia (Já foi cidade cristã), antepassados meus que eram judeus tiveram que vir para o Brasil. Líbano entrou em guerra civil pois muçulmanos não aceitam presidentes de outra religião. Judeus viviam em Gaza e foram expulsos e após Israel devolver gaza choveram foguetes. Quem não quer paz são os árabes. Se quisessem seguiriam o exemplo de Gandhi. Enquanto a cruzada cristã ocorreu em torno de 60 batalhas a jihad islâmica e invasões contra infiéis ocorreram mais de mil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *