Querem transformar o Brasil num imenso presídio

Compartilhe este texto:

Nas últimas eleições, até mesmo nas municipais, praticamente todos os candidatos colocaram como suas propostas de campanha educação, saúde e segurança para a população.

Nas próximas, é bem possível que os candidatos vitoriosos serão aqueles que prometerão apenas segurança.

Numa sociedade dividida por classes com interesses que deveriam ser conflitantes, a mídia transformou a reivindicação fundamental da burguesia e da classe média por segurança a qualquer preço, no objetivo de toda a sociedade.

Em nome dela, os governos estão sendo autorizados a deixar de lado os investimentos em saúde e educação para se concentrar na questão da segurança, vista simplificadamente como a necessidade de construir mais e mais presídios.

As matanças em presídios no norte do País, que no fundo a classe média aplaudiu, servem como justificativa para essa política.

O ideal, para os que defendem essa posição, é que cada cidade tenha o seu, de preferência construído longe dos locais onde vivem os ricos e a classe média e próximo das vilas populares, de onde certamente sairão os seus ocupantes.

Educação e saúde ficarão por conta da iniciativa privada e quem não puder pagar por elas, vai acabar se tornando um candidato em potencial a habitar os novos presídios.

Essa paranoia parte da visão maniqueísta de que o mundo está dividido em pessoas honestas, aí incluindo os empresários que sonegam impostos, os políticos corruptos , os defensores da violência contra as minorias, os adeptos da tortura, os fascistas de todo o tipo, os padres pedófilos, os novos pastores mercenários da televisão, alguns juízes de grande notoriedade, ministros e altos dignitários da Nação, jornalistas que usam seus espaços na mídia contra os interesses populares e até muitos dirigentes de clubes de futebol que enriqueceram de maneira suspeita, de um lado e de outro lado, os bandidos.

Como a classe média brasileira olha sempre como exemplo os Estados Unidos não custa lembrar que a maior população carcerária do mundo está lá. São 2,3 milhões de pessoas. O país tem 5% da população mundial e 25% de todos os presos, a maioria negros (37%) e hispânicos (22%). São números extraordinariamente grandes talvez porque em muitos estados americanos, as penitenciárias foram privatizadas. Mesmo assim, periodicamente, os Estados Unidos são assombrados com chacinas em escolas, clube e até mesmo em aeroporto, como aconteceu há pouco na Florida, o que mostra que nem o maior complexo penitenciário do mundo é capaz de impedir a violência, característica de todas as sociedades capitalistas.

A nossa classe média tem pelos presos uma raiva incontida, descrê de qualquer tentativa de ressocialização deles e vive dizendo que sustenta com os impostos que paga (quando não sonega) a ociosidade deles. Seria, então, bom lembrar o maior exemplo histórico de transformação de prisões em campos de trabalho forçado se deu na Alemanha Nazista.

De 1933, quando foi criado o Campo de Dachau, próximo de Munique e o de Sachsenhausen, em 1936, junto de Berlim, os nazistas criaram cerca de 50 campos até 1945, a maioria na Alemanha e depois, com o início da guerra nos países ocupados. A exceção dos campos criados na Polônia, voltados quase que exclusivamente para o extermínio de judeus, poloneses e ciganos, a maioria dos outros tinha como objetivo gerar trabalho escravo para as grandes empresas alemãs.

Recomenda-se as pessoas que hoje sonham em transformar o Brasil num grande sistema prisional, talvez semelhante ao dos Estados Unidos ou que sonhem com o modelo nazista de exploração do trabalho dos presos, que leiam o conto O Alienista, de Machado de Assis.

Nele, o personagem, o Dr. Simão Bacamarte, consegue construir em sua cidade, Itaguaí, um imenso manicômio, a Casa Verde, para onde vai encaminhando os que, no seu entender, não podem participar do mundo das pessoas normais. Em determinado momento, 75% da população da cidade estava internada.

 

Será que os defensores dos presídios em massa sonham com o mesmo futuro para o Brasil?

 

 


Compartilhe este texto:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *