Amor e ódio num apartamento da Azenha

Deu na página policial do Diário Gaúcho.

O sujeito se chamava Alcebíades, tinha 25 anos e estava casado há seis meses com a Maria Madalena, 21 anos.

Naquele dia quente de janeiro, caiu uma tempestade na cidade, faltou luz no escritório, na Rua 7 de Setembro e os computadores da financeira só voltariam a funcionar no dia seguinte.  Por isso, os funcionários foram dispensados.

Antes de voltar para casa, o Alcebíades resolveu fazer uma surpresa para a Maria Madalena e passou no mercado, onde comprou meia dúzia de quindins, que ela adorava.

Quando abriu a porta do pequeno apartamento na Rua Botafogo, na Azenha, logo ouviu os gemidos que vinham do quarto. Percebeu na hora do que se tratava. Pôs os doces sobre a mesa e abriu a gaveta do armário onde guardava o revólver 32, que ganhara do pai e nunca usara.

Entrou no quarto e mandou aquele sujeito todo tatuado arrumar suas coisas, se vestir e dar no pé. Explicou num bilhete que a polícia encontrou depois, que ele não tinha nada a ver com a história.

O sujeito, que soube-se depois, chamava-se Arnaldo Cesar, saiu quase correndo e foi direto na delegacia.

Enquanto isso, o Alcebíades  não disse uma palavra. Deu dois tiros na Maria Madalena, ainda nua sobre a cama.

Depois sentou junto à uma mesinha e escreveu um bilhete, dizendo que não aceitava a traição, mas também não podia viver sem aquela mulher, a única que conhecera na vida, e que muito amava, como deixou escrito. Em seguida, deu um tiro na cabeça.

A delegada  Elvira Eneida, titular da Décima Nona Delegacia,  contou todo o caso para a jornalista Yvanilda Quadros, que assinou a matéria no Diário Gaúcho, sob o título “Morta após uma tarde de amor”.

Ao contar a história a jornalista concluiu com aquela frase que  tinha ouvido na televisão, dita  Globo num programa da Fátima Bernardes : “quem ama, não mata”.

Realmente, a televisão simplifica tudo. A vida é muito mais complicada. Amor e ódio são irmãos siameses. Por isso andam sempre juntos, principalmente quando são muito intensos.

1 pensamento em “Amor e ódio num apartamento da Azenha”

  1. Eu que, volta e meia entro aqui pra criticar, tiro meu chapéu para a crônica…de fato, a vida é muito mais complexa que frases feitas..ainda mais pinçadas desse programéco nojento…

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