Os competentes

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Em 15 de janeiro de 2009, depois de levantar voo do aeroporto La Guardia, em Nova York, o Airbus da US Air Ways, teve suas turbinas atingidas por um grupo de pássaros e precisou voltar em emergência para o aeroporto.

Ao se dar conta de que, com os dois motores apagados, não conseguiria retornar ao aeroporto, o piloto Chesley Sullenberger, Sully, conseguiu descer no Rio Hudson, salvando todos os 150 passageiros e os 5 tripulantes.

Sully conseguiu esse feito extraordinário da aviação, porque era, acima de tudo, um profissional extremamente competente naquilo que estava fazendo.

Sua história está sendo contada agora no cinema por Clint Eastwood, com o excelente Tom Hanks fazendo o papel de Sully.

Trata-se de um bom filme, porque Clint é também um excelente diretor.

Numa sociedade dividida por classes, onde as oportunidades não são iguais para todos, chegar à excelência, as vezes partindo de posições sociais inferiores, é sempre um feito digno de aplausos.

Mais comuns no esporte, onde parece ser um dom pessoal e não algo conquistado com muito esforço, mesmo assim é preciso ressaltar o talento natural de Pelé, Maradona, Michael Jordan, Neymar, Messi, Serena Willians, Usain Bolt, Le Brown Jones e Emil Zatopeck,  todos excelentes naquilo que fazem ou fizeram.

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Como corredor de longas distâncias, o tcheco Zatopeck, chamado “A Locomotiva Humana” é considerado um inovador. Antes da preparação científica comum hoje entre os atletas profissionais, ele intuitivamente já se preparava para as corridas usando um método que depois foi chamado de “intervail training”.

Com este método, ele ganhou a medalha de ouro nos 10 mil metros e de prata, nos 5 mil, nas Olimpíadas de Londres em 1948. Quatro anos depois, na Finlândia, ele se tornou o único atleta até hoje receber a medalha de ouro nas provas de 5 mil, 10 mil e a Maratona.

Em 1953, ele esteve no Brasil, correndo e ganhando com facilidade a prova de São Silvestre,em São Paulo.

Fazer bens as coisas e mais do que isso, buscar a excelência nos seus trabalhos, deveria ser a meta de todos nós. Conheço muitos exemplos dessa excelência, alguns bem perto de mim. Meus filhos são excelentes naquilo que fazem, o Alexandre como juiz de direito, a Tatiana, como defensora pública e o Conrado, como o vestibulando que tirou o primeiro lugar para Ciências da Computação da PUCRS.

Agora, imaginem uma sociedade socialista onde as oportunidades sejam iguais para todos, quantos novos gênios em suas áreas de atuação poderiam surgir.

Ao contrário do capitalismo, onde a chamada meritocracia tem muito a ver com as oportunidades de estudo que a maioria não tem, a construção de uma sociedade socialista se fundamenta num conceito quase utópico de uma democracia, onde todos têm os mesmos direitos de acesso à educação e a saúde e as habilidades e o esforço pessoal de cada um é que farão a diferença no final.

Fazendo uma comparação com uma corrida de 100 metros, no capitalismo alguns têm equipamentos de corridas melhores e ainda saem 20 metros na frente. No socialismo, todos terão o mesmo equipamento e começarão a corrida juntos.

Só nesse último caso é que se poderá dizer que os melhores são os que vencerem.

Saindo da teoria para a prática: depois de tentar inutilmente durante um bom tempo desenrolar a persiana que travara, acabei chamando um biscateiro que resolve pequenos problemas (para mim era um problema imenso) no prédio onde moro.

Em segundos, ele resolveu o problema, pelo qual não quis nem aceitar pagamento. Antes que me chamem de sovina, informo que paguei pelo trabalho.

Disse que vive de biscates como ganha pão da família e se prontificou a resolver qualquer outro problema hidráulico ou elétrico que surgisse. Nunca estudou além do primário, porque cedo teve que trabalhar para ajudar a mãe.

Uma história certamente igual a milhares de outras de grandes talentos (o meu biscateiro poderia ser um exímio engenheiro), que se perdem porque numa sociedade capitalista, a ideia é preservar o domínio de uma classe privilegiada sobre as demais através do acesso seletivo à educação.

Quando alguém das classes mais baixas consegue romper esse círculo vicioso proposto pela classe dominante, o fato é usado como uma prova de que todas as competências são reconhecidas, quando se trata da figura clássica da exceção à regra.

 

 

1 pensamento em “Os competentes”

  1. Muito competentes foram Hitler e Stalin. O primeiro reconstruiu e depois destruiu a Alemanha, o segundo transformou a União Soviética de uma país agrícola atrasado na segunda potência industrial e cultural do mundo, além de ter quebrado a espinha dorsal da poderosa máquina de guerra nazista e de ter iniciado e colaborado com 24 milhões de cidadãos soviéticos mortos e de seu próprio filho com as vitória dos Aliados sobre as pretensões imperialistas da Alemanha.
    Outras pessoas muito competentes:
    Einstein, Robert Oppenheimer, Fermi, Werner von Braun, Edward Teller, criaram e produziram sob o nome de Projeto Manhattan a primeira bomba atômica ,( ironicamente chamada de Little Boy) que, para quem não lembra, em dois dias torrou 140mil pessoas civis em Hiroshima e Nagasaki.
    Todos eles, técnicos apolíticos e muito competentes.

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