Estou pondo fé nessa igreja

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Em respeito aos leitores do Sul 21, quase todas pessoas bem informadas politicamente, tenho usado meus espaços no site, para propor a discussão de temas atuais sobre a realidade brasileira, preocupado modestamente em provocar algumas dúvidas e reforçar outras certezas entre meus poucos leitores.

Hoje, aproveitando o clima descontraído de final de ano, vou falar de algo  diferente, objetivamente pouco sério, fruto de uma conversa com meu amigo, Roberto Pintaúde, que se diz, modestamente, o mais criativo e original homem de marketing do Rio Grande do Sul…por enquanto, segundo ele.

Preocupado com as minhas finanças, depois dos pacotes de maldades explicitas do Temer e do Sartori, pedi a ele que analisasse onde estavam as melhores oportunidades de mercado para que alguém que sonhasse em enriquecer rapidamente como eu, quando todos os investimentos na mega sena se revelaram um fracasso.

Ele foi rápido na resposta:

– Fora da política, a melhor alternativa continua sendo fundar uma igreja.

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Eu tinha lido que essa atividade tendia ao esgotamento, com a enorme quantidade de bispos e missionários em atividade e com a necessidade de grandes investimentos em templos suntuosos e uso da mais alta tecnologia de comunicação.

– É preciso, dentro desse grande nicho de mercado, encontrar um espaço ainda pouco explorado, disse o mestre, naquela linguagem precisa dos marqueteiros.

E, mostrando toda a minha ignorância, falei sobre uma igreja só para gays, embora soubesse pelo Aldo Jung, que essas igrejas já existem.

– Pode ser, disse o Pintaúde, desde que seja extremamente inovadora. Nas atuais, tudo é muito conservador. Os fieis – possivelmente gays – se vestem formalmente, todos engravatados, sem qualquer ultraje ao rigor das convenções.

Disse que já tinha desenvolvido um projeto para uma igreja gay, com, a cada semana, um personagem da vida política e social da comunidade, saindo do armário e assumindo seu lado gay. O grande palco onde fica o missionário, teria um armário num canto. O personagem da semana entraria no armário vestindo sua roupa social, ao ser chamado pelo seu nome civil. Por exemplo José da Silva Santos e Silva. Depois, de alguns minutos, e de uma peroração do missionário sobre a importância da transformação, seria chamado pelo novo nome de Dorothy Lamour, quando sairia saltitando do armário vestido de tanga e sarongue.

–  E por que não deu certo?

– Faltou um patrocinador.

Então, discorreu longamente sobre uma igreja ligada ao futebol.

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– Você já reparou como os jogadores de futebol falam sempre de Deus nas suas entrevistas no final do jogo?

“Graças a Deus ganhamos o jogo. A bola ia fora e então bateu no bunda do Geromel e sobrou fácil para mim. Bati de canela, mas foi Deus quem desviou a bola e a fez entrar mansinha no gol do Grohe. Deus é fiel”

Imagina então – falou o nosso marqueteiro – uma igreja baseada no futebol. A cada semana, o missionário ou pastor – seja lá que nome tiver, aparece com a camisa de um time diferente. É claro, todas menos a do grêmio, que é preciso alguma coerência.

Podíamos contratar um desses locutores enlouquecidos para colocar toda a sua emoção na transmissão do ritual. Um comentarista analisando os principais lances do culto, com direito a reprise dos melhores momentos. Repórteres de campo entrevistando os fiéis e um sujeito com o vozeirão do Cid Moreira lendo trechos da Bíblia, completariam o mise em scene.

Ao lado de cada estádio, um templo para comemorar as vitórias ou chorar as derrotas.

Acho que vou aproveitar esse clima de fim de ano, seguir a ideia do meu marqueteiro e arrumar um patrocinador para esta nova igreja, cujo nome imagino ser algo como a Santa Bola ou Igreja Futebol Universal.

Estou pondo muita fé nessa igreja do futebol

Amém.


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1 pensamento em “Estou pondo fé nessa igreja”

  1. Santa Igreja dos Últimos Dias do Rei Pelé seria sucesso imediato dentro desta nossa inovadora proposta; há uma demanda reprimida, Marino, que pede o lançamento imediato de tal instituição.
    Quanto a slogan, a gente, na caradura se apropriaria da apocalíptica sentença de Mendes Ribeiro (Pai) desferida em Estocolmo, em 1958, quando o Brasil sagrou-se pela primeira vez, campeão mundial desta merda chamada futebol: “Deus não joga, mas fiscaliza.”

    Santa Igreja dos Últimos Dias do Rei Pelé (Aqui vai dar imbróglio jurídico pelo uso indevido da marca, mas aí a gente suprime o acento do segundo e.
    Deus não joga, mas fiscaliza

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