É preciso ser feliz, custe o que custar

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É Natal, então tudo vale para que a gente possa se sentir feliz, ou no mínimo, fingir que se está feliz para não estragar a felicidade dos outros.

É hora de esquecer o Temer, o Sartori, o Inter na série B e todas as desgraças que nos atingiram durante o ano.

Não é hora de lembrar que os termômetros marcam quase 40 graus e a árvore de Natal (o pinheirinho, quase desconhecido em boa parte do Brasil) está enfeitada com flocos de algodão imitando a neve.

Logo Papai Noel, que pode ser um velho tio ou mesmo a boa mãe de todos os dias, estará chegando, suando às bicas em seus trajes acolchoados feitos para enfrentar os invernos da Lapônia, e com aquela voz que a propaganda padronizou (hou…hou..hou), distribuindo os presentes que vão ser pagos depois em 10 suaves prestações no cartão de crédito.

Poderíamos saudá-lo abrindo muitas garrafas de Coca Cola. Estaríamos com toda a justiça prestando uma homenagem aos inventores da figura do Papai Noel.

Em 1931 a Coca Cola lançou uma grande campanha publicitária usando a figura do Papai Noel, vestido com a sua tradicional roupa vermelha, criada pelo cartunista Thomas Nast, há quase 100 anos antes para a revista Harper`s Weeklys.

Desde então, periodicamente a Coca Cola retoma o símbolo do Papai Noel para vender seu refrigerante.

Essa comercialização do Natal, em que muitos enxergam uma transformação perversa de uma festa com origem religiosa, devia ser vista como a epifania do capitalismo vencedor: todos os sentimentos podem ser traduzidos por algum objeto. Quanto mais valioso esse objeto mais importante é o sentimento que queremos transmitir.

Além desse significado pessoal, o Natal é importante porque aumenta o consumo de produtos totalmente dispensáveis, mas que sem o seu estímulo, permaneceriam nas prateleiras, impedindo com isso que os empresários tivessem aquilo que é tão fundamental para a estabilidade social do país: os seus lucros.

Vamos por tudo isso, festejar o Natal, de preferência ao som do seu hino oficial, o Jingle bels, caprichando no nosso inglês do colégio e cuidando para que nenhum gaiato resolva cantar aquela velha paródia (jingle bels, jingle bels, não tem mais papel, não faz mal, não faz mal, limpa com o jornal).

Tem uma música brasileira de Natal, que se ouve muito em supermercados nessa época, que poderia ser usada, em homenagem a nossa brasilidade, se não quisermos pagar royalties aos americanos

Como é que Papai Noel

Não se esquece de ninguém

Seja rico ou seja pobre

O velhinho sempre vem

Seja rico ou seja pobre

O velhinho sempre vem

Na situação de pobreza em que vive hoje boa parte da nossa população, parece não ser a escolha mais adequada, ainda mais se formos daquela classe média sempre ameaçada de cair na pobreza.

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Uma outra opção seria buscar uma canção composta pelo grande Assis Valente, mas esta seria quase uma provocação ao símbolo natalino de paz e amor.

Eu pensei que todo mundo

Fosse filho de Papai Noel

Bem assim felicidade

Eu pensei que fosse uma

Brincadeira de papel

 

Já faz tempo que eu pedi

Mas o meu Papai Noel não vem

Com certeza já morreu

Ou então felicidade

É brinquedo que não tem

Assis Valente (1911- 1958) realmente não é uma figura a ser lembrada com o bom humor que deve cercar as festas de fim-de-ano. Grande compositor da música popular brasileira (Brasil Pandeiro, Cai, cai, balão, Boneca de Pano e Good Bye,Boy) tentou se matar 3 vezes. Na primeira cortou os pulsos e foi socorrido a tempo; na segunda se jogou do Corcovado, mas teve a queda amortecida pelas árvores e na terceira, tomou formicida e morreu.  As razões foram sempre as mesmas: dívidas que ele não conseguia pagar.

É melhor então, ficar com o Jingle Bels e feliz Natal para todo o mundo.

 

 

 


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