Quem será o candidato da Lava Jato em 2018?

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A Lava Jato é a mais coerente, organizada e eficiente campanha de assalto ao poder que o Brasil viu nas últimas décadas.

Provavelmente, este conluio de Procuradores da Justiça Federal e agentes da Polícia Federal na perseguição a possíveis corruptos e corruptores, teria se esgotado na esfera jurídica, senão aparecesse um juiz, suficientemente informado e audacioso, para transformar esses casos policiais no grande divisor de águas na política brasileira.

A partir da Lava Jato, o foco das discussões políticas, que se centrava, até então, em questões fundamentais como a democratização das instituições, formas de desenvolvimento do país, o combate à pobreza e outros grandes temas institucionais em que se dividiam os políticos e partidos, se concentrou de forma maniqueísta numa só opção: quem é a favor ou contra a corrupção.

Essa única e exclusiva questão, sobre a qual discutem quase em tempo integral a população, a mídia e os políticos, tem um poder decisório singular, o juiz Sérgio Moro.

Ao transferir os casos de corrupção para a esfera política, a Lava Jato e seus condutores, se deram conta de que têm todas as armas na mão para interferir diretamente nas eleições presidenciais, agindo acima dos partidos e da vontade popular.

Esse quadro assustador ganhou contornos mais claros a partir do momento em que os partidos se preparam para a disputa de 2018.

A dúvida hoje é qual o candidato de preferência da Lava Jato.

Caso a eleição se transforme num plebiscito entre esquerda e direita, parece claro que ela usará seu arsenal de armas jurídicas (prisões preventivas, busca e apreensão de documentos, depoimentos coercitivos, grampos eletrônicos e vazamentos seletivos para a imprensa) para desestabilizar a esquerda, seja qual for seu candidato.

O principal nome da esquerda, o ex-presidente Lula, embora conserve intata boa parte de sua popularidade, jamais será aceito pela Lava Jato, que irá manter sobre ele, de forma permanente a Espada de Dâmocles (definição do Gogle: uma expressão que significa perigo iminente) pronta para cortar sua cabeça se o PT investir em sua candidatura.

Contra Lula, se aplica aquela velha assertiva de Carlos Lacerda sobre Getúlio Vargas: “não pode ser candidato; se for, não pode ganhar: se ganhar, não pode assumir: se assumir, precisa ser derrubado”

Outra opção seria o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, já lançado candidato pelo PDT, mas que para se viabilizar, dependeria de um apoio do PCdoB e fundamentalmente, do PT. Embora tenha simpatias das correntes gaúchas do partido, o núcleo dirigente em São Paulo dificilmente abriria mão de um candidato próprio, dividindo mais uma vez a esquerda.

O PSOL certamente terá candidato próprio (quem sabe Luciana Genro, de excelente desempenho nos debates de 2014?) para ajudar na consolidação do partido.

Ou seja, aparentemente a esquerda tem poucas possibilidades de chegar ao poder em 2018, mantendo-se as atuais tendências políticas.

E quem será o candidato da Lava Jato?

Embora alguns até imaginem que o próprio Sérgio Moro possa ser o candidato, certamente ele não estará disposto a enfrentar um debate eleitoral despido das garantias e do poder que tem hoje.

Para limpar o terreno para um candidato da direita que represente sua visão da política, os representantes da “República de Curitiba” precisam primeiro afastar Michel Temer, que como se viu na entrevista da Roda Viva, está totalmente dedicado a construir sua candidatura.

As denúncias seletivas da Lava Jato, que destroçaram o PT, se voltam agora contra o PMDB, com o amplo apoio da mídia, e devem corroer as lideranças do partido, podendo chegar – se for necessário – até ao próprio Temer.

A partir daí, restariam duas opções nas quais a Lava Jato,  como grande força de manipulação política, poderia investir: um candidato saído do PSDB, até agora totalmente poupado pelas investigações, embora tenha ficado claro que o processo de corrupção na Petrobrás começou no governo tucano de Fernando Henrique, o que representaria uma opção de centro direita, mas ainda formalmente democrática ou, na opção mais radical, um candidato da extrema direita, tipo Bolsonaro, que seria um passo em direção ao fascismo explicito.

Essa decisão representa um grande teste para o poder da Lava Jato.

Até agora ela se sustenta no apoio total da mídia e de uma parte da população, formada basicamente por uma classe média ressentida contra os ricos e alienada politicamente.

A opção pelo PSDB, com seus indefectíveis Aécio, Alckmin ou Serra, embora tenha a simpatia do capital internacional, dos grandes empresários e da mídia, dificilmente poderia ser aceita pelos eleitores como um voto na honestidade e na renovação de costumes, que a Lava Jato diz defender.

A opção por um candidato como Bolsonaro, poderia mobilizar políticos e eleitores ligados às igrejas pentecostais, mas certamente não seria de agrado da mídia, principalmente a Rede Globo, nem do empresariado que não gosta de radicais espalhafatosos, experiência que teve com Fernando Collor.

Não é de todo errado, também, especular que as duas principais estrelas da Lava Jato, o juiz Moro e o procurador Dalagnol, possam, nessa hora decisiva, seguir por caminhos diferentes, o juiz optando pelo PSDB, numa linha mais conservadora e o procurador, por um caminho mais radical, com Bolsonaro.

Vamos, então, continuar de olho no partido da Lava Jato.


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