O homem calamidade

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Em 2.014, José Ivo Sartori ganhou de Tarso Genro, no segundo turno das eleições para o Governo do Estado, somando 3 milhões e 800 mil votos, contra 2 milhões e meio, aproximadamente, do seu oponente.

Como Sartori tinha feito 2 milhões e 400 mil votos no primeiro turno e Ana Amélia Lemos, a terceira colocada,  1 milhão e 350 mil votos, obviamente a vitória no segundo turno se deu com a soma dessas duas votações.

Uma análise desses números, mostra que existiu uma divisão nítida entre os eleitores gaúchos da esquerda e da direita, comprovada pela radicalização dos debates no segundo turno.

Historicamente, o eleitorado gaúcho sempre se dividiu em dois grupos antagônicos, que se revezaram nas vitórias eleitorais. De um lado, a esquerda, representada sucessivamente pelo PTB, MDB, PDT e mais tarde, o PT. Do outro, à direita, com a Arena, PSD (hoje, PP) e PMDB.

As vitórias eleitorais de um ou de outro lado, sempre por escassas maiorias, eram frutos de decepções com o governo que terminava seu mandato, ou devido a causas fortuitas e passageiras.

Na eleição de Rigotto e agora de Sartori, quando a diferença para o perdedor do segundo turno, foi bem alentada, um novo fenômeno parece ter surgido: a repulsa do eleitorado à discussão política.

Na eleição de Rigotto, quando os dois favoritos – Britto e Tarso – se digladiavam com uma ampla defesa de suas ideologias – direita x esquerda – o vencedor foi quem se recusou a assumir qualquer posição.

A lição foi aprendida por Sartori que usou a mesma estratégia, só que levada ao extremo. Seu slogan de campanha – Meu Partido é o Rio Grande – teve uma forte conotação fascista, na medida que condenava as ações dos partidos, que pelo menos teoricamente, deveriam representar interesses opostos dos segmentos sociais de que se compõem a população gaúcha, em nome de uma falsa identificação de objetivos comuns.

Os votos que levaram Sartori ao Piratini não vieram apenas dos setores mais reacionários da sociedade e nem só daqueles que teriam a ganhar com sua eleição (empresariado e a classe média alta), mas uma boa parcela da população, que hoje está sendo diretamente prejudicada pelas medidas do seu chamado “pacote calamidade”.

Funcionários públicos, policiais, brigadianos, bancários e até mesmo professores, devem ter votado em Sartori e agora são os que terão a conta mais alta para pagar pelo equívoco.

Fala-se muito na interferência econômica nas eleições, o que é uma verdade, mas não se dá o peso merecido a ação deletéria dos meios de comunicação, no sentido de criar uma imagem positiva ou negativa para um dos candidatos.

Ao contrário dos financiamentos dos empresários aos candidatos que vão representá-los depois e que se esgotam terminada a disputa eleitoral ou se transformam em propinas para os eleitos, a ação dos meios de comunicação é permanente.

No caso do Rio Grande, a sistemática campanha de críticas da RBS, que domina a mídia local, no sentido de descontruir uma imagem do PT, foi fundamental para a vitória de Sartori.

O seu nefasto governo, administrado por políticos medíocres e incompetentes, não recebe uma repulsa ainda maior da população, porque é amparado e justificado pelo jornalistas e veículos que compõem o grupo da RBS, como está se vendo agora, quando Sartori assumiu publicamente a sua incapacidade como gestor da coisa pública.

Uma boa parcela da população gaúcha que votou em Sartori e agora vai ser diretamente prejudicada, está aprendendo dolorosamente, que um discurso apolítico ( do tipo Meu Partido é o Rio Grande) só interessa aos ricos e poderosos.

A sua neutralidade é apenas aparente. Na prática, ele é um discurso político. Não admitir que não existe um Rio Grande igual para todos, é uma forma de justificar uma divisão social injusta de classes.

Aos pobres e oprimidos, interessa a radicalização da discussão política porque o Rio Grande é uma abstração e o que existem no Estado são classes sociais com interesses quase sempre opostos.

 

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