Socialismo ou barbárie

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Todo mundo conhece a história do elefante solto dentro de uma loja de cristais. Ele destrói tudo, não porque é mau, mas porque é um elefante e está num lugar inadequado para sua força e tamanho.

A analogia com o sistema capitalista é óbvia. O capitalismo destrói todos os valores humanos em sua volta, não porque é intrinsicamente mau, mas porque é incompatível com a ideia de civilização.

Ele provoca guerras, a pobreza e a destruição da natureza e reintroduz a barbárie nas relações humanas.

Hoje, ele existe como uma entidade globalizada capaz de usar os antigos estados nacionais apenas como instrumentos para aumentar seu poder.

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Em termos geopolíticos podemos dizer que o capitalismo, hoje, está dividido em dois grandes centros de decisão, um localizado nos Estados Unidos e outro na China.

No primeiro caso, seus interesses se confundem em certos momentos com a velha política imperialista norte-americana, enquanto no segundo, ele funciona sob um controle rígido do Partido Comunista, que aparentemente ainda tem o poder de usá-lo na execução de seus projetos políticos.

No modelo chinês, ele é sustentado por um regime autoritário e pode se expandir livremente, sem quaisquer contestações.

O ocidental, teoricamente, deve respeitar determinadas regras democráticas, embora em caso de necessidade, essas regras possam ser sempre flexibilizadas.

O capitalismo ocidental, que nos diz mais respeito, não olha para a geografia mundial com os mesmos olhos de quem examina um mapa.

Ele não enxerga países.

Ele enxerga mercados.

Mercados produtores e mercados consumidores.

Seu único objetivo é o lucro acima de tudo.

E para alcançá-lo não existem mais barreiras nacionais.

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Sua bandeira é o livre comércio. Todas as fronteiras abertas, não para facilitar a circulação das pessoas, mas para garantir a compra e venda de bens de consumo.

Quando alguns países teimam em resistir e procuram defender suas riquezas em proveito de seus povos, os meios de persuasão vão de guerras comerciais às guerras reais.

O Iraque não aceitou as condições das grandes companhias internacionais para explorar o seu petróleo e para puni-lo, criou-se a fantasia de que dispunha de armas atômicas e o governo dos Estados Unidos, como o principal representante desse capitalismo belicoso, praticamente destruiu o País.

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Quando se precisou prejudicar as economias da Rússia e do Irã, baseadas na produção e exportação do petróleo, se forçou a baixa no preço do produto nos mercados internacionais, prejudicando por tabela a economia da Venezuela.

Mas não é apenas pela ação armada, que se calam os que resistem a esse capitalismo internacional e ainda sonham com um outro modelo de economia.

Veja-se o caso da América do Sul. Depois de derrubar os governos do Paraguai e Honduras com golpes parlamentares, os interesses imperialistas se voltaram para a desestabilização dos governos dos dois principais países sul-americanos, Argentina e Brasil.

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No caso da Argentina, com uma ampla campanha de denúncias através de uma mídia corrupta e venal, foi possível se chegar ao poder por via eleitoral e liquidar o projeto populista dos governos do casal Kirchner e colocar no poder um político sensível aos interesses imperialistas.

No Brasil, houve uma conjugação de forças entre um parlamento extremamente corrompido, o judiciário e a mídia, para afastar uma Presidente que, de alguma maneira, não seguia todos os pontos do modelo neoliberal que interessa ao capitalismo internacional.fora-cunha-impeachment

 

Não é coincidência, que o processo de desestabilizou do Governo Dilma tenha se iniciado através de um assalto a Petrobrás, que com a descoberta do pré-sal se tornara uma forte concorrente ás grandes empresas petrolíferas internacionais.

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Em 2013, Edward Snowden, ao divulgar alguns documentos secretos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), mostrou que esse serviço espionava há algum tempo o trabalho da Petrobrás.

 

 

Agora, o alvo principal na América do Sul é a Venezuela, que teve sua economia abalada pela queda fabricada nos preços internacionais do petróleo

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A mídia internacional (na Zero Hora existe um jornalista com uma obsessão quase doentia de falar mal da Venezuela), com o apoio de lideranças políticas golpistas internas, procuram derrubar um governo constitucional usando todas as armas possíveis.

Apesar disso, com o apoio da população mais pobre, o Governo da Venezuela resiste e continua executando sua política de melhorias sociais no País. Embora isso não seja publicado na mídia golpista, o governo do Presidente Maduro aprovou para 2017 a aplicação de 73% do orçamento nacional, estimado em quase 850 milhões de dólares em projetos sociais, principalmente em educação e saúde.

A médio prazo, as experiências com governos reformistas, no Brasil, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Bolívia e Equador, nascidos a partir de inéditas mobilizações populares, estão condenadas a ser sepultadas pelas novas exigências do capital monopolista internacional, cada vez menos produtivo e mais financeiro._b3ee5d1dbe3128f9470dd8c2601a218dff13ed04

A longo prazo, a única meta pela qual vale a pena lutar é a busca de uma sociedade socialista, pois como diz Istvan Meszaros sobre o capitalismo no século XXI, a opção continua sendo a mesma citada por Rosa Luxemburgo, há quase 100 anos: socialismo ou barbárie.

 

 

 

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