O racismo na sociedade americana

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Os recentes episódios de violência racial em Charlotte, na Carolina do Norte e em Baltimore, com a polícia disparando contra manifestantes negros desarmados, mostram que os Estados Unidos estão longe de ser a democracia que muitos acreditam que deveria servir como um modelo para todo o mundo.

Para os que colocam como ideal de vida o chamado “american way of life”, não custa lembrar que a abolição real da escravatura nos Estados Unidos só se deu oficialmente com as decisões do seu Congresso em 1964 e 1967, que asseguram o fim de leis racistas estaduais e o direito de todos ao voto.

Obviamente, o fato do racismo ter sido proscrito oficialmente, não significa que ele deixou de existir na sociedade norte-americana, como provam os constantes distúrbios raciais que costumam sacudir periodicamente as principais cidades americanas, opondo manifestantes negros à repressão, sempre violenta da polícia.

O apartheid racial, que gerou inclusive a grande Guerra da Secessão, de 1861 a 1865 nos Estados Unidos, tem, como não poderia deixar de ser, um componente de luta de classes.

Por trás da discriminação contra os negros, inicialmente e hoje contra hispânicos, árabes e asiáticos, está a defesa do status quod dos ricos, brancos não por acaso.

O preconceito contra os negros, mais por razões econômicas do que raciais, está escrita na famosa Constituição dos Estados Unidos, de 4 de julho de 1776.

Na declaração de independência das 13 colônias americanas da dominação inglesa, assinada por Thomas Jefferson, Benjamim Franklin, Roger Scherman, John Adms e Robert Livinsgton, está escrito que “todos os homens são criados iguais e que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, como os direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade.

A declaração é uma cópia do que escreveu o filósofo inglês John Locke (1631/1704) em sua obra Ensaio acerca do Entendimento Humano.

Locke, considerado o principal artífice da derrubada do absolutismo na Inglaterra, colocou entre os direitos inalienáveis do ser humano, o direito à vida, à liberdade e à propriedade.

Como os redatores da Declaração de Independência Americana eram grandes proprietários de escravos, não quiseram garantir nenhum direito à propriedade para seus escravos e por isso trocaram esse direito por um vago “direito à busca da felicidade”.

6 pensamentos em “O racismo na sociedade americana”

    1. O racismo é sem dúvida um problema sério pois leva à discriminação e criminilização baseadas exclusivamente na cor pele. É um crime que fere diretamente os direitos do ser humano, amado e criado por Deus à sua imagem e semelhança. Sobretudo para nós cristãos, negar a quem quer que seja um tratamento digno e respeitoso em função da cor de sua pele é uma grande ofensa ao Criador. José Francisco de Medeiros

  1. Bem apanhado, Marino, parabens. Convém reparar que o racismo – com todas essas características – não é prerrogativa da sociedade americana.

    1. Cama
      Obrigado pelo elogio. Certamente não é só na sociedade americana. A minha tese é de que, mais do que o componente racista, o que pesa é a diferença de classe. Há um livro muito interessante do Sartre, chamado a Questão Judaica, onde ele diz que entre operários, não existe nenhum preconceito contra um colega que seja judeu. Eles se identificam como operários e não como judeus e não judeus.

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