O capitalismo do bem

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Existe um capitalismo do bem?

Desde que Marx lançou as bases da sua visão histórica sobre o desenvolvimento das sociedades ocidentais, ficou claro que um sistema econômico, como no caso o capitalismo, não é bom, nem mau.

Ele é necessário em determinado momento, quando age como força do progresso econômico, e se torna supérfluo, quando começa a ser um entrave para este desenvolvimento.

Dito assim, parece fácil identificar em que momento ele se encontra hoje.

Mas não é o ocorre. O próprio Marx advertia para isso. Formas passadas – feudais, escravistas, etc – se misturam com os elementos mais modernos do capitalismo e perturbam o julgamento.

Outra questão é que ele não é um só. Num mundo globalizado, o sistema capitalista se mistura com interesses nacionais, ora se completando, ora gerando hostilidades entre seus componentes.

Outra questão é que ele não existe apenas como um sistema teórico que está acima da vida normal das pessoas.

Ele é envolvido por questões ideológicas e políticas, que oram ressaltam seus aspectos positivos, ora apontam para o que tem de negativo.

Dentro dessa perspectiva, como analisar sua presença no Brasil?

Até que ponto podemos falar num modelo capitalista brasileiro, com algum grau de autonomia em relação a um sistema internacional baseado na interação e ao mesmo tempo conflitos entre os mais diversos parceiros mundiais?

A primeira observação é que as recentes mudanças políticas no Brasil, com o afastamento de um governo que, mal ou bem, tinha determinados compromissos com uma versão nacionalista da economia, está facilitando o desmonte de um sistema construído à duras penas a partir da na segunda metade do século passada e cujo maior símbolo é a Petrobrás.

O desmanche da grande estatal brasileira, responsável pela criação de uma teia de negócios que asseguraram, nesses últimos 60 anos o grande crescimento econômico do País, é o  objetivo crucial do movimento golpista que levou Temer ao poder.

Um simples olhar nas cidades brasileiras do presente e uma comparação com o que eram em 1950, mostra quanto avançamos em progresso e, é claro, em sua contrapartida, quanto crescemos também em exclusão social e na criação de verdadeiros guetos habitacionais.

O capitalismo brasileiro gerou um progresso extraordinário, mas como é de sua essência, fez isso promovendo um verdadeiro apartheid social.

Mas, essa, ainda que extremamente relevante, não é a questão que este texto pretende discutir.

O que se pretende, é saber se este modelo capitalista brasileiro, com todas as suas distorções, trouxe algum tipo de vantagens para o povo brasileiro.

Caso quiséssemos um registro visual desse avanço, talvez pudéssemos comparar algumas fotos de cidades brasileiras de 1966 e 2016.

O que mudou em 50 anos?

Veríamos então grandes avenidas, viadutos, prédios, shoppings e novas zonas residenciais que mudaram a cara das cidades. Veríamos rodovias modernas ligando estas cidades, pontes superando os obstáculos que os rios representavam no passado e imensas hidrelétricas gerando energia para o País inteiro.

Esqueçamos por alguns segundos o aspecto material dessas obras e pensamos nos milhões de empregos que elas geraram.

Vamos pensar nos trabalhadores e suas famílias, que antes na miséria, tiveram a oportunidade de ter algum tipo de ascensão social.

São homens e mulheres arrancados da condição de quase escravos para assumir um degrau a mais na escala social, como trabalhadores assalariados.

Quem fez isso no Brasil?

As grandes empreiteiras, a OAS, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e tantas outras, cujos nomes hoje figuram com destaque na crônica policial do Lava Jato.

Por que fizeram?

Por algum tipo de preocupação social?

Claro que não.

Por puro interesse comercial.

Para ganhar dinheiro.

E como é da essência do sistema capitalista, fizeram isso sem qualquer tipo de preocupação ética, roubando e corrompendo.

Ao destruí-las, como está sendo feito agora, a quem beneficiamos?

Como naquela velha piada, será que ao jogarmos fora a água suja da bacia depois do banho, não estaremos jogando também fora o bebê?


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