Está na hora de falar sobre economia

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As vozes mais lúcidas da esquerda brasileira, o ex-governador Tarso Genro à frente, têm usado os poucos espaços que ainda dispõem na mídia para alertar a todos os nós para o processo acelerado de autoritarismo que se instalou no País e que nos ameaça com a volta aos tristes anos da ditadura militar.

Em vez da japona, temos agora a toga, invertendo o famoso comentário que fez o senador Auro Moura Andrade em 1964, ao defender as prerrogativas dos senadores face ao avanço dos miliares sobre os seus direitos.

Essa preocupação dos procuradores e juízes que pretendem varrer o País da corrupção, atropelando direitos e fazendo de cada suspeito um culpado, talvez merecesse mais uma interpretação psicanalítica do que somente política.

Essa ideia das mãos sempre limpas, inspiradas no exemplo dos juízes italianos, é totalmente incompatível com os processos capitalistas de geração de lucros.

Na Itália, o movimento dos juízes serviu para a destruição das duas maiores forças políticas nacionais, os comunistas e os democratas cristãos, abrindo caminho, no passado para o grande mafioso Berlusconi e hoje para políticos que fizeram nome na televisão e dizem abominar a política.

O controle da corrupção empresarial, inerente ao processo capitalista da produção, não pode ser feito apenas pela ação judicial, mas pela presença de partidos políticos comprometidos com os interesses da população.

Obviamente, não foi o que fez o PT, na totalidade dos seus membros, quando chegou ao Governo, mas certamente também não o fará os partidos que o sucederam no poder, principalmente o PMDB, historicamente comprometido com as práticas menos éticas da política.

Mas, não será destruindo o PT, onde ainda estão – junto com o PSOL e organizações sociais e sindicais – os bastiões de resistência ao avanço do autoritarismo antidemocrático, que o Brasil avançará.

Chegou a hora de deslocar as discussões das questões teóricas sobre a democracia e enxergar mais uma vez quais são seus pilares.

Talvez seja hora de se voltar um pouco para a ortodoxia marxista e lembrar que tudo é economia.

Ou quem sabe, relembrar a famosa frase de Thomas Carlville, o assessor de Clinton na campanha presidencial norte-americana contra Bush, pai, “é a economia, estúpido”, explicando porque a popularidade do candidato republicano, depois da vitória na invasão do Iraque, não foi suficiente para garantir sua reeleição?

Em seminário promovido pela revista Exame, Temer disse que o Brasil vive a maior crise da sua história e mencionou a inflação, que acelerou de 6% para 10% ao ano entre 2014 e 2015, e uma queda do investimento de 25%.
“Por trás desses dados estão homens e mulheres que pagam um preço inaceitável. Chegamos a quase 12 milhões de desempregados. E reitero que não foi culpa minha.”

Boa pergunta. De quem será a culpa? Quem sabe da Lava Jato, que a pretexto de moralizar o País, está destruindo a maior empresa nacional, a Petrobrás e colocando sob suspeita todos os grandes investimentos na infraestrutura feitos no País e que geravam milhares de empregos.

É preciso ter coragem de dizer que a economia capitalista brasileira está sendo destruída pela ação de um grupo de procuradores e juristas instalados em Curitiba, que todos os meses recebem religiosamente do Estado seus altos salários e que sonham com um capitalismo sem corrupção, como se isso fosse possível.

É essa destruição planejada e que no final serve a interesses econômicos internacionais, que agravou o quadro de crise econômica que o País vive e que precisa ser também denunciada.

Não se trata de defender a corrupção, mas de impedir que no seu combate se destrua também toda a economia nacional.


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5 pensamentos em “Está na hora de falar sobre economia”

  1. Alguns analistas políticos, certos magistrados e parlamentares , fartamente midiatizados sentem-se decepcionados com o capitalismo neoliberal, mas na realidade, o que sofrem é uma desilusão com o entusiasmo ético-político que não tem espaço no capitalismo ” normal “, o qual não respira nem sobrevive sem o oxigênio da corrupção endêmica que o alenta e lhe dá sobrevida.

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