Os tubarões estão de volta

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No passado, as pessoas chamavam de tubarões, os comerciantes que roubavam no peso, colocavam água no leite e “esqueciam” de lançar alguns ganhos em seus livros-caixa. Eram tubarões pouco agressivos, se analisados pelos critérios atuais.
Hoje, eles não são chamados mais de tubarões. São grandes empresários, que dispõe de equipes de advogados e economistas para encontrar brechas nas leis que lhes permitam pagar menos impostos e investir mais nas bolsas do mundo inteiro.
Patrocinam programas de aperfeiçoamento nas empresas, criam fundações com seus nomes para descarregar impostos que não querem pagar, são considerados benfeitores nas suas cidades, mas – muito além dos antigos comerciantes – são grandes tubarões, predadores do dinheiro público.
Como têm grande influência nos meios de comunicação, no parlamento e até no judiciário, em vez de condenados, são muitas vezes condecorados e transformados em exemplos de bons cidadãos.
Embora se conheçam os nomes de muitos deles, apontá-los é sempre um risco porque em torno deles existe uma grande rede de proteção e para defendê-los está sempre a postos um exército bem pago de advogados, publicitários e jornalistas.
Quando morrem, depois de uma longa e bem gozada vida, diferente em benesses do que a da maioria das pessoas comuns, viram nomes de rua e até de escolas e se transformam em exemplos para as próximas gerações.
Mas, como grandes predadores, eles acabam sempre deixando rastros que se tornam visíveis para quem estiver interessado em descobrir.
Segundo o Sindicato dos Técnicos Tributários da Receita estadual, que investiga estes rastros, a sonegação do ICMS no Estado já chegou a 4 bilhões e meio de reais apenas nos oito primeiros meses do ano.
Para que a população possa acompanhar como está sendo lesada, um painel chamado “sonegômetro” foi instalado no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, com a computação do dinheiro que o Estado deixa de arrecadar e que poderia ser usado para aumentar a segurança nas ruas e pagar melhor os professores.
No Brasil, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda, a sonegação já chegou a este ano a 340 bilhões de reais e a tendência é que chega 500 bilhões até o fim do ano.
E quem sonega são sempre os grandes empresários e não mais aquele dono boteco do bairro.
Os alienados que saem as ruas, batendo panelas e protestando contra a corrupção de alguns poucos, esquecem de conferir os números que poderiam orientar melhor sua indignação.
Um deles, de uma fonte insuspeita, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP, diz que o custo médio da corrupção no Brasil, em valores de 2013, foi de 67 bilhões de reais.
É só comparar e ver quem faz mais mal ao Brasil.
Corrupção: 67 bilhões de reais
Sonegação: 500 bilhões de reais
Enquanto isso, Temer e seu Ministro da Fazenda pretendem fechar as contas da União arrochando salários e aumentando a idade das aposentadorias.

Faz sentido, já que um dos objetivos do golpe que levou Temer ao Palácio do Planalto é impedir de vez qualquer ideia que ponha em risco os ganhos dos nossos grandes tubarões.

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