Como fundir a desordem com a ordem?

Jesus Cristo, um personagem cuja existência histórica é ainda hoje discutível, nasceu, segundo os apóstolos que contaram sua fantástica história mais de 100 anos depois da sua presumível morte, em Belém e falava o aramaico nas suas pregações pela Palestina ocupada pelos romanos.
Lendo o que escreveram seus biógrafos, Mateus, Marcos, Lucas e João, vemos que Jesus gostava de se expressar por parábolas.
Uma delas, poderia ser retomada nos dias de hoje.
Segundo Mateus, um grupo de fariseus tentando obter de Jesus uma crítica aos romanos lhe perguntaram:
– É licito pagar o tributo a Cesar, ou não?
Jesus, porém, reconhecendo a malícia da pergunta, pediu que lhe mostrasse a moeda do tributo e então perguntou
– De quem é esta efigie e esta inscrição?
– É de Cesar
– Então, dai a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus
Dizem que Deus é brasileiro. Então Jesus, pela maneira como recusou a se comprometer no desafio dos fariseus, deveria ser mineiro.
Segundo o folclore político, os políticos mineiros, de Benedito Valadares a Tancredo Neves, se especializaram em nunca se comprometer escolhendo definitivamente um lado em qualquer disputa política.
Possivelmente ficaram traumatizados com o que aconteceu com Tiradentes e juraram nunca mais fechar qualquer porta ou romper em definitivo com seus adversários.
É o que o vulgo chama de ficar em cima do muro.
Hoje, no Brasil, o muro está cheio de políticos prontos para saltar para o lado que lhe dê mais vantagens.
Aliados incondicionais de Lula e Dilma de ontem, subiram no muro num primeiro momento e agora estão saltando alegremente para o lado dos inimigos do PT.
Entre os que nunca subiram nesse hipotético muro está o ex-governador Tarso Genro, que com extrema lucidez vem apontando nos artigos que publica no seu blog no Sul 21 alguns dos mais ilustres traidores.
No último texto que escreveu, Tarso, que parece sempre querer se afastar da mediocridade cultural dos políticos brasileiros, cita professores, filósofos e até poetas, brasileiros e europeus, vivos e mortos ( o professor da UPS Gilberto Bercovi, o professor alemão Carl Schmidt, e o filósofo e também poeta simbolista francês Paul Valery) para descrever a situação atual do Brasil.
Diz ele: “A mídia oligopólica se apropriou da agenda política do país e fez um novo governo O capital financeiro global se apropriou do Estado e vai, gradativamente, eliminando as suas funções públicas. Se a ordem e a desordem são ambas problemáticas, temos que fundi-las num novo processo constituinte, para que elas possam reinaugurar o seu convívio dentro da república.
Como leitor da obra de Karl Marx, Tarso certamente não esqueceu aquele apelo do Manifesto Comunista no sentido de que os filósofos, que sempre explicaram o mundo, deveriam começar a dizer agora como muda-lo.
Como um político que nunca se omitiu de escolher um lado, Tarso deve começar a mostrar agora quais os passos que precisam ser dados para fundir a ordem e a desordem. Lembrando a citação que faz de Paul Valery de que na desordem, perdemos a coerência e caímos na confusão e na ordem nos petrificamos, Tarso precisa nos dizer quem ou o quê, representa a ordem e quem ou o quê, representa a desordem e como fazer para se chegar a esta síntese política.

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