Falta o Barão para falar do Temer

“Este mês, em dia que não conseguimos confirmar, no ano 453 a.C., verificou-se terrível encontro entre os aguerridos exércitos da Beócia e de Creta. Segundo relatam as crônicas, venceram os cretinos, que até agora se encontram no governo”.
A frase é do inesquecível Barão de Itararé, foi dita muitos anos atrás, mas serviria muito bem para classificar os integrantes do governo golpista de Temer.
Pena que o Barão tenha morrido em 1971. Hoje, os malfeitos de Temer e companhia dariam muito assunto para ele.
Nascido na cidade de Rio Grande, em 1895, Aparício Torelly, adotou o nome de Duque de Itararé para ironizar a famosa batalha que não houve entre os partidários de Getúlio Vargas e os de Washington Luiz, em Itararé, São Paulo, na revolução de 30. Depois rebaixou seu título nobiliário para Barão, “por modéstia”.
Foi eleito vereador no Rio de Janeiro, então o Distrito Federal, em 1947 com o slogan de campanha – Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite – pelo Partido Comunista. Um ano depois, junto com mais 17 vereadores comunistas, teve seu mandato cassado. Não perdendo o bom humor, o Barão anunciou o fato com uma manchete no seu jornal, A Manha:
Um dia é da caça …os outros da cassação.
Em 1961, eu era repórter da sucursal de Porto Alegre do jornal Última Hora e meu primeiro trabalho foi entrevistar o Barão de Itararé, hospedado no Hotel Plaza, na Rua Senhor dos Passos.
Na portaria do hotel já foram me avisando
– O Barão está descansando e não quer receber visitas, mas você pode ligar para ele pelo telefone.
Ao atender, ele foi logo perguntando:
 – O que você quer saber?
Procurando colocar o pronome no lugar certo, disse o que queria saber:
– O que o trouxe a Porto Alegre?
– Isso eu posso responder pelo telefone: foi um avião da Varig.
Depois desse início um tanto quanto difícil, o Barão se compadeceu da minha condição de foca e convidou para conversarmos no seu apartamento.
Não só conversamos durante bastante tempo, como almoçamos juntos.
No final, ele insistiu em me dar por escrito as respostas às minhas questões. Voltei ao hotel no dia seguinte e ele me entregou 4 ou 5 folhas escritas num bloco de borrão sem pauta.
Infelizmente, acabei perdendo este precioso material. Algumas de suas citações podem, porém, ser encontradas no livro Máximas e Mínimas do Barão de Itararé, da Editora Record, que a agência de propaganda MPM distribuiu como brinde de final de ano em 1985.
Hoje, basta colocar seu nome no Google e lá estão algumas das melhores frases do Barão. O que se segue são apenas umas poucas e boas.
 Casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e outro religioso.
De onde menos se espera, daí é que não sai nada
Quem empresta…adeus
Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos
Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.
Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.

O fígado faz muito mal à bebida.

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