Esquerda, direita, o simples e o complexo

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Toda a redução é burra. Quando uma pessoa infla o peito cheio de indignação e diz que todo o político é corrupto, esta pessoa está fazendo uma redução e mostrando a sua falta de inteligência para analisar um fenômeno social, no caso o comportamento de um segmento de agentes que atuam na política com as mais diversas motivações.
Nada é simples no mundo para quem quer realmente entendê-lo. As coisas, sejam elas a que áreas pertençam, são complexas, tem mil variáveis e sintetizá-las é sempre uma forma de empobrecê-las.
Ao tentar simplificar um fenômeno, por exemplo da área política, estamos fechando o caminho que pode nos levar, não à verdade absoluta, mas uma aproximação dela.
Ao defender a simplicidade na análise das situações que nos cercam, as pessoas estão fazendo o elogio da ignorância, porque têm medo de no final, em vez de chegarem às certezas que procuram, encontrarem apenas mais dúvidas.
As pessoas querem ter certezas, porque duvidar sempre é um processo de dor e não de prazer.
Por isso, o sucesso das religiões – sejam elas quais forem – porque elas oferecem certezas aos crentes e até prometem que o reino dos céus será dos simples.
Tenham fé, dizem todas as religiões. Não pensem, não peçam prova, não discutam, não duvidem, apenas acreditem.
Num mundo onde a comunicação, em muitos casos substituiu a escola e igreja como orientadora dos comportamentos sociais, é importante ver como ela se comporta. A comunicação publicitária, cada dia mais presente na vida das pessoas, é profundamente redutora e busca obnubilar o espírito crítico dos consumidores.
Sua cara é o slogan intrigante e a linguagem, o verbo sempre no imperativo: compre, faça, veja.
Já o jornalismo deveria ser o contrário. Por definição, ele deveria mostrar sempre os dois lados de qualquer fato que narra. Não se trata de ser isento, mas de ser honesto. Infelizmente não é o que acontece. O jornalismo se tornou mais maléfico para a inteligência das pessoas que a publicidade. A publicidade assume que quer apenas que você compre a sua proposta. O jornalismo diz que não está lhe vendendo nada, mas apenas mostrando o que tem para oferecer, mas não lhe mostra as alternativas ou se mostra, o faz desvalorizando as que não lhe interessam.
Na política, a direita é redutora.  Ela vive, como a publicidade, da qual copia o estilo, também de slogans que não buscam o diálogo com a inteligência das pessoas, mas sim fazer uma lavagem cerebral. Seu gênio inspirador é Joseph Goebbels, e sua máxima é: uma mentira repetida mil vezes vira uma verdade.
A direita é profundamente desumana. Ela não vê pessoas. Ela vê só objetos.
Ela grita histericamente: todo PT é corrupto; bandido bom é bandido morto.
Ela se diz democrata, mas detesta o diálogo. Grita ordens e quer ser sempre obedecida.
As palavras que mais admira são ordem e segurança. Ordem, para a direita, significa que os pobres devem se conformar com sua pobreza e segurança é ter uma polícia forte que mantenha os pobres conformados.
A esquerda, ao contrário, defende o diálogo, busca entender a complexidade dos acontecimentos, está sempre se dividindo porque as coisas são sempre diferentes dependendo do ângulo sob o qual são vistas.
Ela tem várias fontes de inspiração, começando com Marx, que são sempre revisadas. O que parece ser certo hoje, pode se mostrar errado amanhã.
Porque é profundamente democrática, a esquerda vive do diálogo e detesta qualquer forma de autoritarismo.
Em vez de ordem e segurança (não que não queira isso também) prefere paz e amor.
Se você leu este texto até aqui e concordou com tudo, você está mais para a direita do que para a esquerda.


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