Deus não joga, mas fiscaliza

Compartilhe este texto:

Os narradores de futebol, no rádio e na televisão, cansaram de dizer que Deus era brasileiro. Na última Copa do Mundo não foi assim. Nitidamente, Deus estava de birra contra a nossa seleção. É claro que o Felipão e os jogadores ajudaram bastante. Para a próxima parece que as coisas também não estão se encaminhando muito bem. Talvez, até por isso mesmo, a CBF trocou o Dunga, que nunca pareceu muito crente, pelo Tite, que não perde oportunidade de mostrar sua fé.
Nessas eliminatórias, teremos que enfrentar o Paraguai e Deus tem uma série dívida com o país, que Ele abandonou naquela guerra contra a Tríplice Aliança. E olha que o Paraguai foi uma criação dos jesuítas que sempre tiveram muito prestígio junto ao Grande Chefe Branco. Não será a hora do Todo Poderoso pagar a dívida?
E no Campeonato Brasileiro, será que Ele já escolheu suas cores favoritas?
Quem acompanha os jogos pela televisão já viu centenas de vezes jogadores e até juízes fazendo o clássico sinal da cruz, quando começa o jogo, quando os atacantes fazem gols ou quando o goleiro defende um pênalti. Deve ser um aviso para o público e os telespectadores: “olha aí, o Homem está comigo”.
No final dos jogos, os jogadores – os vencedores, claro – são mais explícitos: “Deus me iluminou e saímos vencedores”.
Os perdedores não cobram nada, tipo “que sacanagem, a gente contava Contigo, fez promessa e tal, e nada deu certo”. Certamente não querem incomodar o Homem e perder totalmente a confiança Dele. Afinal o campeonato é longo.
Uma coisa é obvia: Ele está de marcação contra o Internacional. Deve ser algum problema por causa do vermelho da camiseta.
E outra coisa: Ele sistematicamente tem ajudado o grêmio, obviamente pelo fato do time ter a cor azul, que lembra o seu paraíso.
Quem viu os jogos do grêmio, já percebeu a sua sutileza nesse apoio extra- campo ao time, quando ele está perdendo ou empatando. Ele não age diretamente. Em vez disso, usa um representante, o juiz, para dar uma mãozinha ao grêmio, ora marcando faltas inexistentes, ora espichando o tempo de jogo até que surja golzinho salvador.
Fora nessa obviedade de azul x vermelho, deve ser complicado para Deus escolher o lado vencedor, tantos são os pedidos dos concorrentes. É como nas guerras antigas, onde cada lado levava seus estandartes e seus capelães e dizia defender a causa divina. Quando, por exemplo, era uma guerra entre cristãos – tipo Alemanha contra França – devia ser muito difícil para Deus se posicionar. A menos, que ele fizesse opção pela maioria católica (França) contra maioria protestante (Alemanha). Nas cruzadas, era mais fácil. O inimigo era sempre Alá.
 Mas, voltando ao futebol: Como ficamos então? É só futebol, onde ganha o melhor ou que pelo menos tenha um Neymar no time, ou tem a ver com milagres e demonstrações explicitas da vontade divina?
Talvez a melhor resposta seja a de um antigo narrador de futebol no Rio Grande do Sul, que depois virou até deputado federal.  Dizia o Mendes Ribeiro: “Deus não joga, mas fiscaliza”.
No sábado, Ele ajudou o Corinthians (esse mora no seu coração há muitos campeonatos), talvez até porque a sua torcida se chama A Fiel, mas no jogo matinal do Inter, essa vez Ele implicou com a Ponte Preta, possivelmente porque o time é apelidado de A Macaca e isso pode lembrar a teoria da evolução das espécies. Deus é conservador e é um dos poucos que ainda acredita que foi Ele quem criou a tudo e a todos.
Vamos prestar atenção no que Ele vai fazer no próximo domingo quando jogam o Corinthians – o time da Fiel – e o Internacional – os diabos rubros e esperar que pelo menos essa vez ele seja imparcial e deixe o futebol para os jogadores.


Compartilhe este texto:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *