Brecht sempre atual

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Logo vai começar um novo período eleitoral e os candidatos a prefeitos no Brasil inteiro vão estar de volta à televisão fazendo promessas que não pretendem cumprir e pedindo votos aos seus eleitores.
Pior que muitos desses discursos vão ser os comentários que se repetirão na fila do ônibus, nos encontros familiares de pessoas, incomodadas com a importância dada aos fatos políticos: “tenho horror à política”, “todos os políticos são corruptos”, “só voto por obrigação”, e por aí vai.
Para estas pessoas, que pretendem estar acima de qualquer discussão política, vale lembrar o comentário de Bertold Brecht, o dramaturgo alemão nascido em Augsburg em 1898 e falecido em Berlim, em 1956, sobre participação política:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
Entre as dezenas de peças que Bertold Brecht escreveu, se destacam: O casamento do pequeno burguês (1919), A ópera dos três vinténs (1928), Mãe Coragem e seus filhos (1938), A alma boa de Setsuan (1939), O senhor Puntila e seu criado Matti (1940), a Resistível ascensão de Arturo Ui (1941), O círculo de giz caucasiano (1943) e Trompetes e Tambores (1955).
Aliás, quem se der ao trabalho de reler alguns textos do dramaturgo alemão, vai encontrar muitas frases plenamente adaptáveis ao Brasil de hoje.
Vejam alguns exemplos.
“Muitos juízes são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a fazer justiça”.
“País miserável é aquele que não tem heróis. Mais miserável ainda, é aquele país que precisa de heróis”
“Que é roubar um banco em comparação com fundar um banco?”
Primeiro vem o estômago, depois a moral”.
“Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram”.
“O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso”.
“Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva”.
“De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida”.
“Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la”.
“Temam menos a morte e mais a vida insuficiente”

“A ambição da ciência não é abrir a porta do saber infinito, mas pôr um limite ao erro infinito”.

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