A obra prima que vem da Argentina

Incrível com o cinema argentino é capaz de nos surpreender com belos filmes.
O último é Paulina (La Patota) de Santiago Mitre.
Depois de estudar e se formar em Direito na cidade de Buenos Aires, Paulina retorna a sua cidade, Posadas, na divisa entre Argentina e Paraguai, talvez a região do país onde a desigualdade social é a mais visível.
Apesar de ter uma carreira promissora pela frente, escolhe dedicar-se à atividade social: voltar a sua terra e se tornar professora numa pobre escola rural.
O filme tem pouca ação e toda a sua trama de violência é percebida pelas expressões da excelente atriz que vive o papel de Paulina, Dolores Fronzi.
Sem qualquer tipo de apelo a um discurso panfletário, o diretor nos mostra até que ponto a exploração predatória da terra, pelos madeireiros da região, gera a miséria que vai embrutecendo as pessoas do lugar e transformando homens em quase animais.
A região onde se passa a ação do filme pertence à província de Missiones e originalmente, junto com outras terras, hoje território paraguaio, fazia parte das missões jesuíticas da América Espanhola.
Depois da chamada guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) contra o Paraguai, iniciada em 1865, toda a região do Chaco, antes pertencente ao Paraguai, foi anexada a Argentina e hoje forma a províncias de Missiones e Formosa.
Ao contrário de outras províncias da Argentina, que se tornaram muito ricas, graças principalmente à criação de gado e das culturas agrícolas, principalmente o trigo, Missiones permaneceu pobre, com a sua economia baseada na erva mate e mais tarde no corte de madeiras.

À semelhança de algumas regiões do nordeste brasileira, Missiones é um território dominado por uma espécie de capitalismo atrasado, que gera poucos empregos e que explora ao máximo à força de trabalho de uma população majoritariamente de origem indígena.

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