Quando prender pessoas vira um bom negócio

Os defensores da privatização das penitenciárias do Estado (balão de ensaio lançado por ZH na semana passada) devem ler o que escreveu Luís Antônio Araújo (é, as vezes tem o que ler em ZH) sobre a experiência nos Estados Unidos, o país do mundo onde mais se prende pessoas.

Dos 2,2 milhões de encarcerados no mundo inteiro, 25% são de americanos. O jornalista cita matéria de outro jornalista americano, que disfarçado de guarda carcerário, permaneceu durante algum tempo na penitenciário de Winnfield, na Louisina, estado onde de 86 pessoas, uma está presa.
O que ele relata é sem tirar nem por o que ocorre nas nossas prisões: tráfico de drogas, violências, inclusive sexuais, contrabando de celulares e muita corrupção.

Como se trata de um negócio, a empresa que administra a prisão, a Corretions Corporation of American a CCA, tem interesse em ter cada vez mais presos.

Desde 1983, a CCA faz parte do seleto grupo de empresas que administram as prisões americanas, recebendo 200 dólares, diariamente do Tesouro Americano para cada preso que tem em suas inúmeras penitenciárias.

O maior complexo penitenciário da CCA, em Lumpkin, Geórgia, rendeu à empresa um lucro de 50 milhões de dólares por ano.

Um dos diretores da CCA explica a sua filosofia: “ A nossa companhia foi fundada no princípio, sim, que poderíamos vender prisões. Da mesma formo como se vendem carros, imóveis ou hamburgues”.

Além das verbas federais que recebe, a empresa potencializa seus lucros cobrando 5 dólares por minuto, pelas ligações telefônicas dos presos, enquanto paga aos presos que trabalham no local – não importa quantas horas – 1 dólar por dia.

Não é estranho, por isso, que a população carcerária dos Estados Unidos teve em crescimento de mais de 500% desde que a privatização de algumas prisões foi implantada.
Dessa imensa população carcerária, 50% dela é composta por negros, enquanto que apenas 12% de toda a população dos Estados Unidos é composta pelos chamados afrodescendentes.

Ou seja, além de ser uma discutível fonte de lucros para determinadas empresas, o sistema reforça o preconceito racial, ainda muito significativo nos Estados Unidos.

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